A função da Arte, do texto “A Necessidade da Arte” de E. Fischer
A poesia e indispensável pra algo, ainda que velado. Um Epigrama, uma pequena composição poética que Jean Cocteau usou para tentar definir qual seria a necessidade da arte para ser ais expecífico, num contexto burguês. Mas teve também quem considerasse que no contexto diário a arte teria seu significado transformado numa necessidade de compensação para o equilíbrio deficiente da realidade vigente, Mondrian chegou a afirmar que a arte poderia desaparecer na medida em que a vivencia diária se tornasse mais equilibrada.
Há diferentes formas de se conceber, absorver, conviver com a arte.
É certo que a Arte é necessária para uma vida mais contemplativa mas reconhecê-la como um “aparato” que possibilita um certo tipo de vivência, é empregar um valor prático e parcial a algo que mais que equilibra, sublima vivencias.
Se for necessário empregar funcionalidade a arte, é imprescindível perceber como essa função inicial de catalisadora da realidade pratica, daquela que serve para sublimar a realidade, ficou para trás e agora o que temos da arte, desde sua origem, é algo múltiplo e ainda assim necessário .
Arte é um fenômeno surpreendente e considerá-la como algo apropriado para distração pura e simples, é estar cego para o mistério que enuncia que nossa própria realidade não é suficiente. Queremos intensificar a nossa realidade em de existência miserável para algo realmente rico e de efeito que nos de a sensação de completude. Da arte temos figuras, formas que enriquecem a realidade prática. Ela é a matéria prima para a conquista do ser total; mais do que ele mesmo somente, e sim contido no todo, não separado de tudo.
A individualidade e as suas limitações roubam a plenitude de se viver, sentir a vida inteiramente relacionada a uma realidade orientada pelo equilíbrio e por algo que forneça significado. A característica de parcialidade do ser promove o fluxo da busca pela plenitude, boicotada pela individualidade e suas limitações. A necessidade de se relacionar com algo exterior a ele mesmo, mas que ainda assim o pertença e de valor de vivencia, significado, integrando-se e absorvendo.
Num movimento constante, em um fluxo pertencente a ele como ser que sente mais do que somente vive no mundo, o individuo vê na arte a possibilidade do seu Eu limitado existir e isso acontece efetivamente na convivência social e nas identificações que ocorrem nesse tipo de vivencia que parte do individual para o todo ou uno onde, ele se percebe mais do que somente um individuo.
Não é da natureza do homem o ser individual, sozinho, único, assim ele se percebe como “nulo” ou insuficiente em relação às possibilidades de apreensão do mundo. Ao experiênciar o alheio o individuo se vê como parte dele. Sendo assim, é certo que a arte é indispensável para a união do individuo com o todo.
Mas essa visão “dionisíaca” da arte como catarse e união do ser com o uno pode ser muito romântica. Há uma dualidade na relação de vivência com a arte que além de catarse e lirismo, contém também elementos “apolíneos” que supõe ser a arte também para o prazer, para a contemplação, a diversão. Em um ponto temos a arte como algo para ser absorvido e em outro como algo que no estimula.
O artista contém a prática e, além disso, domina suas próprias memórias de forma tão viva que com a técnica pode transmiti-la recordando suas experiências e buscando fundo em suas memórias a fonte de sua expressão que unido à matéria do cotidiano se revela como arte. A arte além de provir da realidade ela necessita de ter sido intensamente vivenciada e construída levando à forma por efeito da objetividade do artista em possibilitar, por meio da junção de seus sentimentos e do real, a materialização do que é a arte e mais que isso, a função dela, que é valorar a vivencia cotidiana.
Isso nos permite entender como qualidade da arte a capacidade que ela nos da de libertação do mundo exclusivamente físico, para o prazer de mudar a realidade ao mesmo tempo em que se identifica com ela.
Dessa forma, a arte pode exercer um papel muito importante nas relações sociais, não tomando conta do que o publico deve pensar e fazer de forma passiva, mas sim estimulando a razão em agir, decidir.
Calcado no que diz Brecht, no teatro, mais que levar o publico à catarse o espectador, sai do âmbito do passivo para reagir a algo que na representação do drama da vida o identifique e motive como ser social, dessa forma a vivencia artística deve levar a algo mais que contemplativo e sim também produtivo.
A produção artística de uma época diz muito sobre sua sociedade e graus de desenvolvimento social; mas muito mais que isso o desenvolvimento artístico de uma sociedade diz sobre seu grau de humanidade que promete a continuidade do desenvolvimento humano e não somente social. A arte nos dá acesso ao lado mágico e inexplorado da realidade, possibilitando o individual a se identificar com o que pertence ao outro e nessa conexão se transformar em algo único.
“A arte é necessária para que o homem se torne capaz de conhecer e mudar o mundo. Mas a arte também é necessária em virtude da magia que lhe é inerente.”










