Maiele não deveria estar com ambas as asas curadas. Uma delas ainda tinha que estar enfaixada, imobilizada. No entanto, com a ajuda de Hellaena, o alado tinha de volta suas belíssimas asas em pleno funcionamento. Toda a dor enfrentada no processo de cura usado pela princesa, era compensado agora que podia voar despreocupado e exibi-las como adorava. Eram seu motivo de orgulho, as penas branquinhas, arrumadas e limpas.
E apesar da condição delas, o seu humor não era um dos melhores. Não estava estressado, com raiva, feliz, e muito menos triste. Na verdade, não sabia ao certo classificar como sentia-se. Mas não era bom. O vazio dentro de seu peito o consumia a cada dia mais e se tornava tão, mas tão difícil fingir que estava tudo bem que o moreno simplesmente escolhia... não falar. Ao contrário do seu eu rotineiro que tagarela a mesmo nos momentos mais inoportunos, dessa vez, o alado encontrava-se quieto. Ao chegar nos estábulos, lugar que era previsto para encontrar o mate, percebeu que talvez houvesse chegado cedo demais. Logo, deixando as folhas e seus materiais de escrita no chão, pôde dirigir-se para o espaço que Lora era mantida e ele adentrou ali sem hesitar. Após a última visita que venceu a barreira da porta e abraçou a égua, Maiele não conseguia mais manter as mãos de fora dela. E Lora parecia adorar já que, assim que ele a abraçou o pescoço, a égua cor de mel soltou um relincho contente. Mai a apertou um pouco mais. A presença da égua servia para abafar um pouco aquela sensação em seu peito.
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