ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ Passado 01
Quando suas noites eram como de qualquer outro estudante na graduação, Danica se esquecia do que a afligia durante os dias. Suas tias as vezes questionavam sua sanidade, mas a verdade era de que ela apenas queria viver uma vida tranquila.
Então, ela interpretava muito bem o papel de humana, mesmo que de fato fosse vulnerável como uma. Por vezes, seus familiares, tentaram descobrir um método para a tornar pura, assim não haveria tamanho sofrimento para ela.
— Danica, você por acaso está prestando atenção na aula? — Levou uma cutucada e logo em seguida sacudiu a cabeça.
Ela vivia em paralelo à realidade. Tinha seus problemas que atuavam como uma ampulheta, onde a areia escorria lentamente. Ela sempre se perguntara até onde seu corpo iria aguentar, porque ele estava levando cada vez mais tempo para se recuperar.
— Danica!
Olhou para sua melhor amiga da universidade e desejou ardentemente se uma humana qualquer, tendo como problema fundamental o tanto de matéria acumulada e o medo das provas.
— Se você não prestar atenção, vai se ferrar nessa disciplina. — rosnou baixinho a cutucando. — Pare de divagar, o professor vai reparar e você será advertida.
— Eu sei, mas não consigo evitar, estou distraída. — Sua amiga apontou para a estrutura de DNA de um roedor enquanto o professor explicava a semelhança que existia com o DNA humano, no entanto, Danica só queria descobrir o que diabos havia de errado com seu próprio DNA.
Estava tudo errado, bagunçado e precisando urgentemente ser desvendado. Ela não queria outras surpresas desagradáveis.
— Ele está falando que o que nos difere dos ratos é apenas um pequeno amontoado de 300 genes. — Sua amiga cochichou.
— Alguém poderia dizer o que há de tão especial nesses 300 genes? — Vários alunos levantaram as mãos, mas professor Richard olhou para Danica. — Senhorita Tepes, responda para a turma.
Todo mundo olhou para Danica e ela apenas jogou os cabelos para os lados e encarou para as duas estruturas de DNA lado a lado e ela compreendeu. Era como se a resposta estivesse dentro da sua cabeça, e que fosse óbvio demais.
— Esses genes são especialmente importantes, professor, porque é neles que consta o mistério da condição humana. E apesar de termos um número não muito significativo de genes totais comparado a outros, este grupo genético pode possuir a cadeia mais importante. Nesse grupo de 300 genes, podem estar a resposta para a evolução da inteligência humana e afins.
— Onde você viu isso? Em qual livro? — O professor inclinou a cabeça, e Danica pode sentir suas mãos transpirarem.
— O senhor não estava falando das diferenças? Em sua explanação, percebi que o senhor tem um apreço especial por esse grupo de genes, então, se temos os mesmos genes dos ratos e apenas esses 300 são diferentes, a resposta é um tanto lógica.
— Você afirma o que diz, senhorita Tepes? — Ele sorriu de lado, de um jeito meio nojento e fez seu estomago embrulhar.
— Afirmo, senhor. Pois nem tudo que remonta à evolução humana foi descoberto, há mistérios a serem desvendados, e estes são os que fazem toda a diferença.
Professor Richard concordou com um menear de cabeça, depois bateu palmas.
— Viram como se defende um argumento? Não existe essa de eu acho porque eu acho. Se você acredita em algo, deve justificar. Parabéns senhorita Tepes, ótima explicação! Agora voltemos ao quadro.
Danica soltou o fôlego que nem sabia que estava prendendo, aquela foi por pouco.










