GRUPO 1 – PERCEPÇÃO TEMPORAL.
O TEMPO NÃO PARA
A música O Tempo não Para foi lançada em 1988 e está presente no álbum do cantor Cazuza de mesmo nome. Ela foi composta por Cazuza e Arnaldo Brandão onde eles retratam o tempo e dão voz a críticas sociais e políticas.
Campo Semântico / Lexical:
A semântica de o tempo não para gira em torno dessa temática do tempo que na música fala sobre dias, noites, presente, passado, antigo, futuro, ciclo, data e novo.
E na parte lexical escolhemos algumas palavras que estão relacionadas umas com as outras como:
Sobrevivendo, onde podemos tirar palavras como resistir, suportar e escapar, remetendo a ideia do autor de continuar seguindo em frente mesmo com todos os obstáculos que se torna presente em seus caminhos.
Morrer, onde percebemos que palavras como morte, acabar e fim estão relacionadas. Na música, ele canta que os dados ainda estão rolando e que seu fim ainda não chegou, sobrevindo sem um arranhão.
Derrotado, relacionando a perder, acabar e morte. Novamente a mesma ideia de um final, onde o cantor não aceita seu fim como todos as outras pessoas ao seu redor parecem condená-lo.
Repetir que pôde remeter a ciclo, ecoar e insistir que é algo que podemos tirar da letra:
"Mas se você achar
Que eu tô derrotado
Saiba que ainda estão rolando os dados
Porque o tempo não para"
Que dá continuidade a narrativa do autor de se manter seguindo em frente, de não se dar por vencido mesmo que as coisas estejam difíceis. Tudo muda constantemente, ninguém sabe o que vai acontecer no futuro e é por isso que precisamos seguir em frente para vencer os imprevistos da vida.
PACIÊNCIA
Compositores: Carlos Eduardo Carneiro De Albuquerque Falcão / Oswaldo Lenine Macedo Pimentel
Campo Semântico / Lexical:
Semântica:
Tempo, hora, pressa, veloz, girando, acelera, espera.
Escolhemos essas palavras que giram em torno de todas as músicas, que falam sobre o tempo, o quão ele é precioso e o quanto ele é importante ser notado.
Lexical:
Neste campo escolhemos algumas palavras-chave:
• Paciência – calma, pacífica, tranquilidade.
Que nos mostra na música o quanto devemos ser mais pacientes em relação a tudo que acontece em nossa vida.
• Calma – calmaria, serenidade, tranquilidade.
Para termos paz em nossas vidas, devemos ser mais plenos e a calma nos trará essa paz.
• Pressa – veloz, acelera, velocidade.
Vivemos em constante apressamento e a música mostra que devemos viver com menos pressa de tudo.
• Alma – espírito, vida, raridade.
Que mostra a raridade da nossa vida, o quanto ela é preciosa e as vezes não vemos isso.
É necessário ser mais calmo, mas a vida não nos permite, com as obrigações diárias, temos que sobreviver e não podemos parar, o mundo continua exigindo que nos apresse, mas devemos fazer as coisas com calma, para que tenhamos mais tranquilidade na vida. Vamos sempre estar contra o tempo, ele sempre vencerá, mas devemos buscar formas de poder viver melhor, com mais tranquilidade.
ORAÇÃO AO TEMPO
“Oração ao tempo” é composição e interpretação de Caetano Veloso que está no álbum Cinema Transcendental, de 1979.
Campo Semântico / Lexical:
Semântica:
Tempo, anos, dias, futuro, meses, hora, presente, nostalgia, ciclo, morte e passado.
Assim como as outras músicas, seu tema principal gira em torno do tempo, porém com uma visão diferente da demais músicas.
Lexical:
Tiramos algumas palavras que dá contexto a ideia da música:
• Viver – Existir, presença, presente, agora.
Vivemos no círculo desse tempo que nos acompanha no presente, futuro e passado.
• Contínuo – constante, desenvolvimento, evolução.
Estamos em movimento constante, evoluindo e seguindo no ritmo do tempo.
• Destino – destinar, encaminhar, guiar, aconselhar, conselheiro, sábio.
O tempo é sábio, como um deus que nos guia durante a nossa vida.
• Quando – circunstância, estado, estar, temporário.
Novamente seguindo a temática central da música, tempo.
MENSAGEM DAS MÚSICAS:
O TEMPO NÃO PARA:
Diante ao contexto que essa música foi escrita, em um país ainda moldado pela ditadura militar, que teve seu fim alguns anos antes, e uma sociedade cheia de conservadorismo e ideias prontas, ainda tinha a ganância política destruindo o Brasil.
Além disso, em sua vida pessoal, um ano antes do lançamento da música, Cazuza havia assumido publicamente que estava infectado com o vírus HIV e lutava contra a AIDS. Na época, pouco se sabia sobre a doença e as pessoas relacionavam o vírus a comportamentos julgados moralmente errados. Isso fazia com que o cantor fosse constantemente alvo de comentários hostis vindo da mídia e sociedade num geral.
Com tudo isso em mente, podemos tirar da música O Tempo não Para se trata de uma crítica vindo de uma pessoa que se sente marginalizada socialmente e politicamente e tem sua revolta perante a isso, mas que também não desiste de seguir em frente, pois o tempo está sempre em constante mudança, o que torna a vida imprevisível.
PACIÊNCIA:
A letra fala de tempo e como devemos aproveitar ele, seja com mais calma, com fingimentos de que tudo não é como deveria ser, a letra nos mostra que não percebemos que o tempo é curto, que nos exige pressa, mas que devemos procurar soluções para viver e aproveitar ele melhor, paciência é a palavra-chave, a vida não para.
Lenine em sua canção sempre está dizendo para termos calmaria e aproveitar o tempo presente, que ele passa tão rápido que nem percebemos, mas tudo também acontece no seu tempo, certo ou errado ele continuará passando e essa corrida não venceremos, mas podemos aproveitar ele melhor ou pelo menos tentar
Frases chave: Aproveitar o tempo / Nosso tempo é curto / Soluções para viver melhor.
ORAÇÃO AO TEMPO:
O tema central da canção é o tempo. Na sua escrita, Caetano apresenta a grandiosidade e influência do tempo, sempre o elogiando. Reconhece também sua pequenez diante dele. Ao constatar a superioridade e inevitabilidade deste ser, o autor decide encará-lo como aliado e não como inimigo, buscando uma relação amigável que traga resultados favoráveis a si.
Fazendo jus ao título da música, esta é estruturada em forma de oração. Primeiro, Caetano revela sua admiração pelo tempo e o louva resumindo seus atributos numa característica central: beleza. Afirma seu poder e lhe dá títulos como compositor, criador e inventor.
Tal qual numa oração, o autor sujeita-se para apresentar seus pedidos. Ele pede pelo prazer legítimo da vida e pelo movimento preciso, o que aqui pode ser entendido como a aceitação para aguardar pela vontade do tempo; Caetano se mostra paciente. Seus pedidos objetivam propósitos nobres, que trabalhem em sua evolução como ser humano.
Caetano sabe de sua finitude e da continuidade do tempo, e o enxerga como um círculo, evidenciando seu caráter delimitador e cíclico. Como numa oração, ele preza pela confidencialidade da conversa e finaliza reafirmando tudo o que já disse.
Estruturalmente, o compositor brinca com um sentido alternativo para a palavra tempo, que seria o tempo rítmico das canções. A poesia é construída com versos e estrofes submetidos a mesma métrica e repetição instrumental. Ao longo de toda a composição, a palavra tempo é repetida quatro vezes dentro de quatro tempos rítmicos diversas vezes.
DIÁLOGO
Nota-se que determinados conceitos e ideias são presentes em todas as músicas. Obviamente, o tempo é o tema comum central. Posto isso, o diálogo entre elas acontece no entendimento da forma, passagem, começo e fim do tempo.
Ao pensar na forma, normalmente a imagem que se cria é a de uma linha, mas nas composições os autores enxergam o tempo como um círculo, algo que gira – resgatando a ideia do relógio, que é tradicionalmente redondo. A forma geométrica pode ser associada a ciclos, pois tem começo meio e fim, mas se mantém repetível e contínuo.
O conceito da passagem do tempo é o primeiro que surge na mente ao refletir sobre o tema. Este é o tempo dos cronômetros, dos relógios e de todos os equipamentos que são capazes de medi-lo.
Começo e fim também fazem papel importante na mensagem das canções. A ideia de começo estaria intimamente ligada ao ciclo de vida; assim, ao nascimento, ao momento em que vida é criada. O fim faz alusão à morte, o final do ciclo.
E quais são as relações percebidas entre as músicas, tomando como base o diálogo que possuem?
Em primeiro lugar fica a visão de cada compositor. Cazuza apresenta uma visão pessimista (por mais que queira soar realista), a reclamação é constante em sua canção; a realização de que está limitado pelo tempo o deixa agoniado. Lenine apresenta um posicionamento realista e imparcial. Ele mostra a preciosidade que é a vida e como o tempo faz parte de seu desenvolvimento, mas não pende para nenhum extremo, seja o otimista ou o pessimista. Para ele o tempo existe, faz parte da vida e a torna o que ela é, apenas. Caetano apresenta uma visão otimista e de admiração em relação ao tempo, tratando-o como um deus. Ele entende a existência do tempo e faz de tudo para usá-lo da melhor forma possível, o levando a evoluir como ser humano.
Em segundo, fica o destaque. Todos apresentam uma posição de “destacar o tempo”, no sentido de chamar atenção do leitor para o fato de não refletir mais sobre este ser real. Os compositores têm a noção de que as pessoas estão desapercebidas da ação do tempo, mesmo sendo tão presente em suas vidas. Cazuza traz esse destaque de uma forma mais alarmante e desesperada; Lenine o faz de forma cotidiana e Caetano assume uma postura mais mística.
Em terceiro lugar fica o círculo, forma geométrica comum na interpretação de todas as canções. Os autores enxergam o tempo como a um círculo, sempre cíclico. Cazuza vê isso como uma espécie de prisão, já Caetano percebe como parte natural do ciclo da vida e acredita que no tempo certo, será libertado dessa condição. Lenine aparenta estar dentro do próprio círculo e assim não conseguir ter uma visão tão ampla quanto os outros dois (ele se vê completamente imerso na vida cotidiana e em sua própria bolha).
Por último, é perceptível que as reações de cada um diferem bastante. Cazuza apresenta uma reação de inquietação, de preocupação. Lenine se mostra calmo, ainda que esta calma seja provocada por si próprio. Caetano apresenta reação de submissão: ele entende e respeita que o tempo é algo maior, o tempo dá origem e fim a todas as coisas. Assim, decide se submeter a seu poder e não se revoltar – que no caso é o que ocorre na música do Cazuza.














