GRUPO 3 – ANALÍSE DE INTERTEXTUALIDADE.
Com o objetivo de explorar a intertextualidade entra as músicas Oração ao Tempo de Caetano Veloso, O Tempo Não Para de Cazuza e Paciência de Lenine, nossa análise começa individualmente com cada canção, formando seus mapas lexicais e interpretação, para após isso criarmos a intertextualidade entre todas elas.
Em Oração ao Tempo, o eu lírico se refere ao tempo como uma divindade, um deus, e utiliza de adjetivos para elogiá-lo e cativá-lo. Nos versos “És um senhor tão bonito...És um dos deuses mais lindos" isso fica evidenciado, e lembra a forma como orações realmente funcionam, com esse inicio terno, que mostra respeito e admiração.
No decorrer da canção, nota-se um pedido implícito, que interpretamos como súplica por uma vida melhor, uma "linha do tempo" tranquila, com um ciclo contínuo. Esse ciclo continuo pode ser tanto interpretado como renascimento quanto pelas passagens da vida: nascer, crescer, envelhecer e morrer.
“Peço-te o prazer legítimo...E o movimento preciso...Quando o tempo for propício...
De modo que o meu espírito...Ganhe um brilho definido”
Seguindo a ideia de oração, com os elogios e pedidos Oração ao Tempo é uma música calma, com repetições e idealização do Senhor Tempo, onde ele é tratado como um ser maioral capaz de traçar destinos e possibilidades na vida das pessoas.
MAPA LEXICAL
O mapa lexical faz conexão entre as palavras evidentes no texto, como tempo, vida, divindade, destino, e apresenta outras palavras que seguem a ligação criada na análise da “oração”. Em conclusão, o campo lexical ilustra a ideia principal da canção, que é a vida, a ideia de um objetivo, um ciclo continuo influenciado por uma divindade.
Como próxima música temos O tempo não para, de Cazuza, onde é retratado um contexto histórico, pois são colocadas situações do período do regime militar. Novamente com o tempo como principal, Cazuza coloca uma situação de sua vida, onde está indignado com a repressão e com o pensamento antiquado, visto que ele preza por expressar seus pensamentos pessoais e políticos.
O cenário político coloca que a vida é um ciclo onde as ideias são repetidas e novamente, como no contexto histórico social político.
“Te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro...Transformam o país inteiro num puteiro
Pois assim se ganha mais dinheiro
A tua piscina tá cheia de ratos...Tuas ideias não correspondem aos fatos
O tempo não para”
O eu lírico também retrata um drama pessoal, contra a doença da AIDS, onde a situação física fica debilitada, ele expõe sua tristeza e inseguranças com a vida.
“Eu não tenho data pra comemorar
Às vezes os meus dias são de par em par
Procurando agulha num palheiro”
Existe um momento que o Cazuza deixa o sentido do tempo em segundo plano e coloca os problemas pessoais em primeiro, pois, dá a entender que o tempo passa e o que aconteceu e o que irá acontecer com ele não pode ser mudado, e que está predestinado a adoecer.
MAPA LEXICAL
Com o tempo no centro, o campo lexical representa toda a ideia de futuro, transformações e força que ficam evidentes na canção, formando assim a imagem que Cazuza cria ao mesclar situações pessoais com políticas e influência do tempo em todas essas coisas.
Em Paciência tivemos uma perspectiva mais individual de lidar com o tempo, onde o Lenine trata a inevitabilidade do tempo como um fato, de forma que, ao invés de tentar lutar contra isso, ele conclui que se deve aprender aos poucos a ter mais paciência, aproveitando cada momento, pois a vida é rara e finita.
“Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para”
Ele não ignora as cobranças sociais e individuais que a sociedade nos impõe, mas reflete sobre o quanto vale a pena mantê-las. O que pode ser interpretado também como que, cada pessoa tem seu próprio ritmo de desenvolvimento e amadurecimento na vida, que não adianta termos presa, que é preciso paciência.
“O mundo vai girando
Cada vez mais veloz
A gente espera do mundo
E o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência”
Em conclusão, interpretados a canção como uma resposta ao dilema moderno que se mantém até hoje, a sociedade e as nossas vidas parecem estar cada vez mais corridas, desde a produção sem freios até as crises de Burnout, que já se tornaram comuns, mostrando que apesar do ser humano lutar contra sua natureza, o seu corpo, mente e alma precisam de descanso.
MAPA LEXICAL
Seguindo a nossa interpretação, no campo lexical o que fica em evidência é questão da paciência e sua “disputa” com a pressa, a vida, com seu simbolismo de raridade que faz conexão com a ideia de ter algo, pertencer, unindo-as ao tempo, que tem seu próprio ritmo.
Baseado nessa análise, nossa intertextualidade está no tempo, que é o tema principal nas três canções. Elas se conectam pela maneira de lidar com o tempo, ao perceber que, independentemente da situação, o ele não para e está acima de nós.
Com as três interpretações, criamos uma ponte entre os pontos de vista individual, social e espiritual que identificamos, onde há a ideia de um futuro melhor, de seguir o próprio ritmo e não ceder as situações de dificuldade e opressão impostas pela nossa sociedade.











