Davani: O nosso sempre é o nosso prêmio.
Edinson Cavani:
No meio de tantos problemas, minha válvula de escape sempre foi você. Bom, desde que o nosso sempre começou. Você me jurou que não ia ter fim. Eu confiei em você. Cada abraço, sorriso e brincadeira não era em vão. Eu me entreguei. O jeito doce de me tratar, o constante sorriso no rosto, a vontade de se aproximar, aos poucos, me afetou. Sem explicação, havia uma defesa enorme em mim que você conseguiu driblar e chutar para o gol, que te dava como prêmio o meu coração. Era mais importante que um campeonato mundial, uma vez você dissera. E eu, mais uma vez, acreditei. Não por ingenuidade, mas pela vontade de que aquilo fosse real. Pela vontade de que o que estávamos vivendo jamais houvesse fim, como você prometera.
- Cavani... - Uma pausa. - Eu te amo.
Essa frase gritou e ecoou no meu ouvido diversas vezes, trazendo turbilhões de sentimentos ao meu sistema nervoso. Até que eu parei de ouvi-la. A vontade de escutar, de fazer com que minhas células nervosas mandassem mais informações para o meu cérebro que, consequentemente, traria sensações horríveis para um cara que já não estava na puberdade e, sim, próximo aos 30, continuava intacta. Simplesmente, a sua voz era o problema. Ela não emitia som. Não emitia sentimento. Sua voz se calou. Você se calou. E eu gritei. Gritei sem que você pudesse me ouvir. Gritei através dos meus olhares, sempre intensos ao detectar sua imagem, ao detectar você. Mas você também foi indiferente aos meus gritos visuais. Você me ignorou até na hora de conversar comigo, desviando olhares, fugindo em seguida. Daí vieram os questionamentos: O prêmio que você havia se esforçado para conseguir era somente para ser guardado em sua estante de troféus e adquirir poeira? Você, agora, iria atrás de mais um? Iria dizer que o último alcançado era pouco?
Não. Você não disse nada. O silêncio disse tudo. A resposta ainda era uma incógnita. Mas a minha certeza me fazia querer te abraçar, te implorar para tentar novamente, para ter a mesma dedicação de quando queria ganhar seu prêmio, que estava ali, implorando por seu carinho e chorando por ver que havia se entregado para alguém que tinha dúvidas... Qual era a graça de lutar tanto para não valorizar o que ganhou depois? Qual o motivo do drible na grande área? Qual o motivo do gol?
Eu, sinceramente, não sei, Luiz. Mas você sabe em algum lugar aí dentro. E quando você descobrir e quiser me contar, o meu olhar e minhas células nervosas estarão de prontidão para te fitar. E meus ouvidos, prontos para ouvir seus gritos e ecos de convencimento.
O nosso sempre é o nosso prêmio.














