it’s over now || selastian
É isso. Era o fim da vida que Selena estava acostumada e conhecia. A mulher soube disso no momento em que ouvira os cochichos sobre as invasões que estavam acontecendo nas localidades próximas e o seu temor aumentou assim que escutou os gritos de seus vizinhos. Estavam invadindo as pequenas casas da aldeia, matando homens e jovens que tentassem lutar para salvar o pouco que tinham e a família que amavam; mas alguns eram levados. Principalmente as mulheres e crianças.
Com pressa, Selena tentou empurrar os móveis para a porta da casa que dividia com seus pais e seu irmão caçula; não que tenha adiantado muita coisa, pois aqueles brutamontes conseguiram derrubar a porta e empurram de qualquer jeito as cadeiras e a mesa empilhadas. Sua mãe teve dificuldades de conceber, assim, quando Sel nasceu, o casal já tinha uma certa idade e o nascimento de Dorian, o caçula, há doze anos foi quase um milagre.
Sabia que era uma grande estupidez, mas a jovem tentou proteger sua família usando o próprio corpo e logo foi arrastada para longe dali, mesmo que gritasse com toda a força que tinha e se debatesse como um peixe fora d’água. - Deixe- me ir! Mãe! Pai! Dorian! - Respirou fundo para voltar a gritar, mas antes que pudesse fazer isso, uma enorme mão voou em sua direção e então a escuridão a reivindicou.
Acordou com alguém a cutucando e gritando, sentia-se zonza e sem ter a mínima ideia de onde estava, seguiu as pessoas em modo automático, não enxergava nada à sua frente e sabia que tentar olhar o redor seria desnecessário. O único lugar que ela conhecia era onde morava, sabia que deveria estar bem longe de lá. Ninguém viria ajudá-la ou socorrê-la. Queria dizer que aquilo tudo era um grande erro, o lugar dela não era ali. Será que algum deles havia visto a sua família? Antes que pudesse abrir a boca para perguntar qualquer coisa, pararam e formaram uma fila.
Eles eram avaliados por outras pessoas que debatiam números - valores, Selena percebeu quando começaram a levar alguns de seus companheiros de viagem. O horror a invadiu quando se deu conta do que acontecia. Estavam sendo comercializados como escravos. Antes que pudesse dar um passo para tentar fugir, ela foi a próxima a ser vendida e logo se viu sendo puxada e arrastada pelas ruas. - Não, por favor! Por favor! - Tentou lutar contra os grilhões que a prendiam até chegar em uma casa imponente.
- Agora cale essa maldita boca até que peçam que você fale, caso contrário cortarão a sua língua. - O homem que a puxara todo o caminho falou com uma cara de poucos amigos e a amarrou numa árvore próxima. - Irei chamar os patrões para que avaliem e deem o último veredito. Torça para eles gostarem, ou então o seu final não será bonito. - Esperou ele se afastar até perdê-lo de vista e então começou a puxar o galho onde estava amarrada, se tivesse um pinguinho de sorte ele iria se quebrar e ela poderia correr. Mas ela deveria saber que sorte era algo que não possuía mais. Escutou um pigarro próximo e pulou assustada; engoliu as lágrimas que queriam escapar e apenas olhou para o homem parado à sua frente.