No pequeno forte encontrava-se uma companhia de 10 homens apertados em três quartos e uma pequena divisão, que servia de cozinha e sala de convívio. Por turnos ao longo do dia e da noite montavam sentinela em duplas no topo das muralhas guardando a língua de areia. Em redor do forte, por milhas e milhas a perder de vista, a costa era toda defendida por grandes rochedos que a maré alta escondia e apenas naquele local era possível desembarcar pequenos botes que traziam os malvados invasores. O trabalho daqueles soldados ali destacados era apenas montar guarda e defender com a vida qualquer tentativa de desembarque não autorizada. Estas autorizações apenas eram concedidas aos grandes senhores que ali desembarcavam com as suas amantes para desfrutarem de temporadas de traição aos bons custumes. Os soldados, que obedeciam a um rigoroso código de silêncio, nada contavam quando regressavam às suas terras para o merecido descanso, gozando assim de farto salário. No entanto todos os que ali eram colocados, encontravam-se a sofrer uma pena devido a algum comportamento sancionado pela hierarquia. Aquele posto avançado de defesa costeira tinha a particularidade de em momento algum albergar no interior das suas grossas paredes alguém com uma patente superior à mais baixa concedida. Ali, só pernoitavam soldados, que implementaram as suas próprias regras hierárquicas onde o mais velho era intocável e o mais novo pau para toda a obra. A maioria das regras não se encontravam escritas em lado nenhum e eram ensinadas através de rituais específicos aos novos convivas. Nesta noite em que escrevo as minhas notas, a sentinela estava ao cuidado de José e Sócrates, dois irmãos de pai diferente. A mãe de ambos era muito conhecida na vila onde tinham nascido e era o orgulho dos dois irmãos. Envergando o equipamento de combate, obrigatório nas lides dos sentinelas, e com um olhar habituado a prescrutar o mundo dos sonhos, guardavam a costa com a atenção de quem comeu e bebeu fartamente. Sem reparar que lá no escuro horizonte um navio com as velas recolhidas colocava silenciosamente um bote à água. #forte #carreço #soldados #pátria #defesadacosta #sentinela #josé #sócrates #orgulhodemae (em Praia Forte De Paçó) https://www.instagram.com/p/CMvDomojD1L/?igshid=1kx0lbbh4yxzf







