Como se sempre soubesse exatamente para onde olhar, fazia a rota mais curta entre quaisquer dois pontos. Tudo em Delfim se movia no instinto e, então, dizia: guerreiro. Haviam guerreiros lá, no mar, nas profundezas ou seja lá onde viviam os tarka? Se haviam, com certeza era um deles, talvez o general, diziam, sussurravam para que ele não ouvisse e direcionasse seus olhos brilhantes para o interlocutor. E se seus sorrisos não eram assim tão fáceis, pouco distribuídos pela ilha, transbordavam de carisma quando apareciam, cutucando a espinha de seu alvo com sensações ambíguas sobre suas intenções. Isso é bom, ou é ruim? Então, o ano havia se passado, e ele seguia completamente inofensivo por trás da postura avaliadora, quase primitiva. Talvez fosse alerta demais para uma pessoa comum, moradora da ilha, mas nada disso nunca foi crime.
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As mãos delicadas da musicista nunca foram tão violentas como no dia que Delfim surgiu na praia. Ela correu primeiro, é claro, ou tentou. Ele a caçou como se o ato fosse nada mais que natural, talvez só porque ela havia corrido. Não se corre se não quiser ser perseguido, ele havia tentado explicar com naturalidade quando a consciência da terra o atingiu e ele despertou com uma dor de cabeça gigantesca, o sangue seco nos cabelos. Ela havia contado sobre a luta, e sobre a pedra que usou para nocauteá-lo depois que a capturou, fazendo nada além de contê-la e a olhar com olhos escuros. Lira precisou de ajuda para levantar o corpo desacordado de si enquanto tremia aquela noite, e não parecia mais a mesma pessoa quando o xingou pela arrogância da resposta. Menos ainda agora, quando não sente a menor faísca de medo sob seu olhar familiar, um ano depois.
Cisne poderia jurar que vira Delfim na noite em que sua mãe se foi. Só não o faz porque isso é assunto proibido. Fala-se sobre os arrastados para dentro do mar, mas não se fala sobre quem os arrasta. É uma política da boa vizinhança com os tarka que Cisne abomina, mas segue, sem ter a coragem de falar algo desagradável em alto e bom tom. E a sua reputação? De qualquer forma, quando ele apareceu três anos depois, tinha exatamente o rosto que ela lembrava da criatura de mãos ágeis que segurou sua mãe pelo pé, a última vez que a vira. Delfim entende que Cisne o detesta, é notável para si, seu olhar perscrutador incapaz de deixar passar que ela evita todos os tarka, por mais que finja que não, mas ele desconhece as razões de receber um tratamento especial.
Tarka — chegada em Saint Abbon de Fleury: há 1 ano
Idade: (não determinada - faceclaim de 23 a 29 anos)
Ocupação: (utp)
Moradia: (utp)