damsel in distress... no! ☝ sieg&derbel
Siegfried pode ignorar todas as características positivas que tem em si, mas não pode evitar fazer uso delas.
Desde que perdera todo o sentido da vida que um dia aspirara alcançar, sua existência tem sido preenchida por percalços. Guerras, perdas, intrigas... Duvidava, com razão, que qualquer homem pudesse viver tantos anos sem perder a si mesmo ou ser corrompido. Contudo, embora a primeira afirmação estivesse correta, Verlac era a prova viva que a segunda era puro engano.
Quando mais jovem, a lealdade e o senso de justiça de Siegfried eram notáveis; sua índole poderia ser descrita como nobre sem qualquer exagero. Apesar do que acreditava, seu caráter era -- e é -- muito mais sólido do que a realidade que foi obrigado a aceitar, afinal, qualquer ação traz sua consequência e o ruivo não se dava a hipocrisia de reclamar das escolhas que havia feito. Faria tudo de novo, tinha certeza. Não obstante, tornava-se obtuso quando se tratava de fazê-lo enxergar que o homem honrado que sempre foi, ainda faz parte de seu ser, que não é apenas uma máscara como as que usam os artistas.
A maior prova disso era o caminho que escolheu percorrer. Que sombra de homem optaria por dedicar-se a salvar vidas, a se importar com o percurso injusto que a sociedade tomava e tomar para si a responsabilidade de fazer algo sobre aquilo? Nenhum, provavelmente. Entretanto, não há previsão de quando a teimosia do homem irá esmaecer, restando-nos apenas observar enquanto tenta enganar a si mesmo.
O pandemonium em Corvis o ajudou a evitar o caminho do auto conhecimento, fazendo sua mente se focar em assuntos mais imediatos e perturbadores. Seus olhos não podiam acreditar no que viam e seus pensamentos não podiam ficar mais embaralhados. Desde criança escutara histórias sobre tal eclipse, mas nunca pensou que iria presenciar a noite fatídica de quando finalmente o ritual daria errado.
Tinha toda a intenção de ajudar às pessoas ensandecidas que corriam pela rua -- que causavam estragos por onde passavam --, quando apressou-se na direção de seu cavalo. Não sabia exatamente o que poderia fazer, mas podia começar dando uma olhada no local onde tudo começou. No céu, a lua era encoberta aos poucos pela escuridão, combinando perfeitamente com as tragédias que se davam por terra. No entanto, fora obrigado a puxar a rédeas de Blackthorn bruscamente quando uma confusão de vestido apareceu em seu caminho. Empinando o corpo como sinal de protesto, Black por pouco não pisoteou o indivíduo a sua frente. Sem perder tempo, Sieg tentou acalmar o corcel com tapas no pescoço e palavras gentis. Como sempre, o animal tranquilizou-se sob o domínio do dono que, assim que pôde, se virou para a figura desconhecida.
Encontra-te bem? perguntou com certa preocupação, mas todo seu rosto demonstrava censura. O que te deu na cabeça para se meter na frente de um cavalo?










