Esta é a minha carta aberta ao bebê que eu não tive
Por muitos anos da minha vida eu disse que sonhava em ser mãe.
Alguns dias me pegava imaginando como seria a sensação de ter um bebê na minha barriga, noutros só ficava escolhendo nomes, imaginando como seria criar e educar. Como seria amamentar? E carregar? E amar daquela maneira?
O engraçado é que, em todas as vezes, eu entrava em pânico, não me achava qualificada, não achava que daria conta. Eu não acreditava que seria uma boa mãe. Com os anos e experiência, eu acabei desistindo dessa ideia. Era loucura demais, até mesmo pra mim.
Eu não me lembro muito bem dos ocorridos naquela terça-feira, mas eu me lembro da sensação quando eu vi os dois risquinhos vermelhos no teste. Eu me lembro de ter chorado, e de entrar em pânico, e de pensar "e agora? O que eu faço?". Eu me lembro de ter que me olhar no espelho e me convencer a me recompor porque eu ainda tinha mais quatro aulas para dar naquela noite antes de poder conversar com o meu benzinho.
Eu me lembro de não ter me apegado àquela ideia.
Eu também me lembro de todas as dores que vieram depois, e do quão sofrido foi viver os dias que se seguiram. Foram os dias mais doloridos da minha vida. Dores físicas. No fundo eu já tinha entendido que aquele bebê não nasceria. Eu já sabia que seria um bebê que não vingaria.
Eu não tinha parado para pensar nisso até recentemente, até eu ter percebido que o meu amorzinho é o pai que eu quero para os meus filhos. Hoje a perda doeu. Doeu bastante.
Eu não imaginava que doeria, mas doeu.
Onde quer que você esteja, eu espero que a família que te receba seja boa, e que te ame incondicionalmente.
Que você tenha a oportunidade de nascer, crescer, ser feliz e encontrar o amor que merece viver. Que você seja amado, muito amado. E que viva livremente, sem amarras e sem dores.










