A aula/prosa de hoje foi com Seu Galdino. Com 90 anos de idade, ele mira o tempo da porta de sua casa, sempre olhando pra frente e sem se apegar ao passado. Ele diz não gostar de falar de outrora, pois lembra dos mortos e isso traz dor e sofrimento. - Já morreu, deixe quieto!", afirma. E eu disse: - Vamos falar dos vivos, então. Me conte a sua história. Destarte, ele revelou que durante um tempo trabalhou como pedreiro com Seu Bráulio e depois vendeu uma casa que tinha na "Rua de Baixo" para comprar uma carroça, com a qual prestou serviços por muitos anos. Por um tempo morou, segundo as suas lembranças, numa casa próximo/defronte à residência de Seu Emílio, na Rua Leovigildo. Pelas referências dadas, parece/pode ter sido onde funcionava o prédio dos Correios. Atualmente ele reside na Rua Tiradentes, no final da Avenida dos Marujos, no conglomerado que no passado foi denominado "Rua de Cima". Ele fica lá, sentadinho na sua cadeira, debaixo de uma sombra, com o bastão numa mão, um palito de dente na outra, um boné pra proteger a cabeça e um sorriso, que é facilmente arrancando após alguns segundos de conversa. Galdino Alves dos Santos nasceu em Curaçá em 04 de outubro de 1932. Disse que passou um tempo em Ilhéus, depois perambulou pelas bandas de São Paulo, mas logo retornou a Curaçá. É pai de seis ou sete filhos, não falou o número exato. E riu quando o indaguei sobre isso. Recentemente ele perdeu a sua esposa e já havia perdido dois filhos. A ferida, certamente, ainda está aberta e sangra, mas ele se diz grato por estar vivo e com saúde, apesar de reclamar um pouco da sua visão, e da vida, sobretudo da vida que viveu - e que vive - que não foi e que não é nada fácil. #lucianolugori #seugaldino #desimportantes #carroceiro #curaçá (em Curaçá) https://www.instagram.com/p/CpsgpXdu_e7/?igshid=NGJjMDIxMWI=












