Aproveite o momento. Boa noite! #devaneiostolos #boanoite #brasil #quarentena #vivaleve #vivabem (em Brazil) https://www.instagram.com/p/B_lNPP4AQfa/?igshid=q03oc05c2xmr

seen from United Kingdom
seen from Russia
seen from United States
seen from Netherlands

seen from United States
seen from United States

seen from China
seen from Vietnam
seen from United States
seen from United States
seen from China

seen from South Korea

seen from United States
seen from Malaysia

seen from United States

seen from United States
seen from Germany
seen from Malaysia
seen from China
seen from Germany
Aproveite o momento. Boa noite! #devaneiostolos #boanoite #brasil #quarentena #vivaleve #vivabem (em Brazil) https://www.instagram.com/p/B_lNPP4AQfa/?igshid=q03oc05c2xmr
Ei qual é o seu segredo? O que te torna tão diferente dos outros?
Há tempos não conhecia alguém assim, tão difícil de descifrar. Um olhar profundo, intenso, capaz de tirar toda a minha concentração do mundo.
Não saber o que se passa em sua cabeça quando me olha, é a pior sensação e isso me instiga a querer saber mais sobre você, a querer descobrir o que você sente, saber do que mais gosta e o que mais detesta.
Conversávamos como se nos conhecêssemos há dias, meses, talvez até anos. Parecidos em mínimos detalhes, com tantas coisas em comum.
Nossos olhos, permanecem na maior parte do tempo fechados, já que nossa sintonia nos permite administrar nossos movimentos sem sequer nos olharmos.
Não sei de onde você veio, se é de outro mundo, mas por quê demorou tanto pra aparecer?
Há tempos venho mantendo o controle, andando em linha reta, não me permitindo olhar para os lados só pra não correr o risco de cair e depois ter todo o trabalho de me levantar e começar tudo outra vez. Mas com você foi diferente, sinto uma vontade imensa de sair fora da linha, de venerar todos esses olhares indecifráveis que possui.
É cedo demais pra eu me sentir assim, mas acaba sendo impossível controlar todo esse turbilhão dentro mim.
Não saber onde isso vai parar, me faz ter mais vontade de viver cada momento com você intensamente. No fundo eu gosto dessa incerteza que fica no ar. De não saber como vai ser o fim -eu não quero que tenha- Eu ainda vou querer te ver em tardes de domingo, conversar sobre coisas tolas, ouvir nossas músicas preferidas e esquecermos do tempo.
E por fim, pela primeira vez eu não tenho medo de sentir tanto. Eu só sei que quero sentir mais.
Ó(p)cio
Encolhido no seu canto, com os braços envoltos em suas pernas flexionadas, ele deixava a mente vagar. O ócio o corrompia. Sua vontade jamais estivera ao seu lado. E assim ficava. Horas, e mais horas. Os ossos sobrepujantes na pele davam a ele um aspecto de definhamento. Consequências. Levantou-se e caminhou alguns passos. Tentou agarrar-se à cortina durante uma vertigem. Inspirou calmamente recuperando talvez os sentidos que um dia tivera. Continuou vagando pela sala vazia, mãos nas paredes tentando sentir a textura. Parou. Sem saber mais o que fazer. Despiu-se e se dirigiu ao banheiro. Era seu quarto banho desde que acordara algumas horas atrás. Abriu a torneira e deixou a água escorrer pelos longos cabelos maltratados e pelo rosto com uma barba a fazer. A água fria e gélida serpenteava pelo corpo amarelado e marcado por estrias. Não fazia diferença. Não se sentia limpo já há algum tempo. Então se permitiu escorregar pelos azulejos do banheiro e deitar-se no chão. A água caía impiedosamente. Passando a mão pelo corpo sentiu os efeitos de um vício. Rolou e recolheu-se em posição fetal. Os olhos vidrados não viam mais. Restava pouco do vivaz azul que abrigava uma alma nos olhos. Acinzentado, plastificado. Ao sair do banho, sentiu pela primeira vez em muito tempo algo. Uma dor. Algo que vinha das entranhas. Algo que obstruía tudo ao caminho. Não sabia a origem. Não sabia o motivo. Era pungente, abrangente, não tinha certeza de nada. Mas teve um breve momento de felicidade. Percebeu que ainda vivia. Mediocremente, mas ainda resistia. Algo insistiu mesmo naquele corpo morto. Assim como repentinamente chegou, repentinamente foi levado. A felicidade se quebrara. Ao perceber que o acesso repentino de dor foi somente o prelúdio de algo que já havia acontecido anos atrás, quando largou tudo. A dor originara do golpe deferido pela foice do visitante atrasado. E ele viu, finalmente entendeu. Ceifado. Pelo último momento enxergou fundos buracos negros num crânio branco pálido. Suspirou e caiu. Não foi a nenhum lugar. Nem descansou, nem foi punido. Já estava preso há muito tempo numa carcaça que só habitava o que fora esquecido. Não merecia perdão. Só desapareceu. Não que alguém tenha notado. E então, pó.
E o frio insiste em me abraçar. Insiste em me castigar. Mas não posso traí-lo, pois de toda forma o amo. Sei que é um amor complicado, acho que não correspondido; pois ele nunca o fez nada por mim, mas eu nunca pude pedir nada. Então, os dedos frios, congelantes, me cercam; e seus braços, compridos, sem fim, me seguram, me asfixiam; e seus lábios imateriais, sussurram agora palavras de morte. Suspiro pela última vez. Feliz.
H. Jack
Por detrás daquela cortina de fumaça, seus lábios cheios de veneno. Imperecíveis, impassíveis, implacáveis. Olhos embriagados, disfarçados em ternura. Beije-me. Esqueça-me. Mate-me.
H. Jack.