@dgrayss
Victor geralmente sabia controlar suas preocupações. Quando se era médico, tinha que aprender a deixá-las de lado para cuidar de outros… além de trabalhar com vampiros que na maioria das vezes estavam sedentos quando o procuravam para ganhar sacolas de sangue do hospital. Victor tinha que se manter calmo para raciocinar caso as coisas saíssem de controle, mas em meio àquele mundo de vampiros, lobisomens e todos os tipos de criaturas mágicas e perigosas, era Dorian quem fazia Victor se preocupar mais. Parte de si sabia que existia um prazo de validade para o que tinham, e tudo voltava-se para o fato de que Dorian era imortal. Só que não era isso que preocupava Victor exatamente. O cientista tinha seu histórico de estudo quando se tratava de imortais; sabia como eram e sabia o que viver pra sempre poderia causar em uma pessoa — e por isso Storybrooke estava fadada a dar errado. Não tinha como prender um bando de seres imortais em uma cidade pequena quando a escolha deles de serem eternos era pelo fato de que queriam viver ao extremo e constantemente precisavam de coisas novas. E era isso que preocupava o cientista no fundo de sua mente quando estava com Dorian. Mesmo se Victor não passasse a entediá-lo depois de algum tempo de novo, então seria Storybrooke. Essa preocupação começou a crescer quando Dorian simplesmente sumiu por três dias. Às vezes eles não se viam por muito mais tempo por causa do trabalho, ou qualquer coisa do tipo, mas ainda assim Victor se via lutando com o próprio celular pra descobrir como usar aquela tecnologia pra mandar uma mensagem decente. Três dias se tornaram uma semana, e nem mesmo os funcionários do Gray’s Room ou o próprio Drácula sabiam onde Dorian havia se metido. Isso deixou o Frankenstein tenso mesmo quando tentava trabalhar. Tinha muito em sua mente quando se tratava dos experimentos que fazia em seu próprio laboratório, mas nem as anotações estavam distraindo-o daquele problema. Dorian ter sumido era pior do que o término deles em Tenebris porque Victor simplesmente não sabia o que havia acontecido. Se isso fosse um sinal de que não queria mais ficar com Victor, imaginava que sumir era mesmo bem a cara dele. Imaginava que ele teria feito isso em Tenebris, se não esbarrasse em Victor pelos corredores. Mas se esse não fosse o caso... Victor não sabia o que fazer caso Dorian estivesse em perigo. Sair da cidade sempre causou problemas para aqueles que tentaram, então se--- Os pensamentos de Victor cessaram de imediato quando escutou um barulho na sua porta dos fundos. Ajeitou sua postura na cadeira da cozinha, onde estava fazendo anotações sobre seu próximo trabalho, quando de repente o Gray apareceu no cômodo, usando a chave que ele tinha pra adentrar a casa de Victor. “Dorian.” Victor se levantou abruptamente, sentindo seu coração bater mais forte conforme se aproximava do mais velho. “O que está fazendo? Por onde esteve??” Ele o questionou antes que ele sequer tivesse a chance de falar alguma coisa. Victor instintivamente o puxou para um abraço, suspirando de alívio enquanto o fazia, e por um momento esquecendo que deveria estar bravo por ter sido deixado no escuro sobre o paradeiro dele. “Você não pode simplesmente sumir sem avisar.” Victor falou com a voz trêmula quando se afastou minimamente, deslizando as mãos pelos ombros do outro, acariciando-o como se quisesse ter certeza de que ele era real. “Eu pensei...” Victor não terminou a frase, mas sabia que Dorian conseguiria adivinhar o que o cientista teria imaginado pelo sumiço do homem. Talvez fosse injusto pensar isso de Dorian quando nem poderia ser verdade, mas ainda assim Victor não queria se sentir como um pequeno nada em meio à vida longa que Dorian iria ter. Acabou fechando os olhos, balançando a cabeça antes de cruzar os braços na altura do peito. “O que aconteceu?”











