Foco HeadLiner aos Talentos Emergentes #15
Apresentação dos Unsafe Space Garden
Unsafe Space Garden, um novo projeto com raízes na Cidade Berço formado por um core de 3 elementos. Nuno Duarte, o cérebro desta ideia musical é acompanhado por Alexandra Saldanha e Diogo Costa. A banda tem contado ainda com a preciosa ajuda de vários músicos como João Silvestre, o Pedro Oliveira e Helena Peixoto nomeadamente colaborando nas formações ao vivo.
Surgidos em meados de 2019 tiveram em “Fights Are Funny” o single de estreia e por consequência a faixa de apresentação do EP ‘Bubble Burst’ composto por 5 temas cujo lançamento aconteceu a 22 de março desse mesmo ano.
Festival Impulso nas Caldas da Rainha, Rodellus em Ruilhe (Braga) e Suave Fest em Guimarães (a “jogarem” em casa portanto) foram algumas das aparições mais sonantes. Permitiu-lhes dar a conhecer o seu projeto e ao mesmo tempo explorar o seu som ao vivo.
Unsafe Space Garden // Foto @ Bruno Carreira Já no decorrer deste presente ano de 2020, mais especificamente a 13 de março, a banda vimaranense lançou ‘Guilty Measures’, o primeiro álbum (LP) com 10 faixas e cujo lançamento ocorreu praticamente um ano depois da sua estreia. Este álbum foi lançado através da “Discos de Platão”, uma editora independente criada recentemente e que viu neste álbum a sua primeira edição discográfica.
O EP ‘Bubble Burst’ dá inicio ao caminho dos Unsafe Space Garden através de um “pop bem-humorado“.
Um ano mais tarde é editado o LP ‘Guilty Measures’ um trabalho discográfico que beneficiou do processo de crescimento e “maturação da chegada à idade adulta” e descrito com tendo “uma sonoridade caracteristicamente caótica e teatral e com o compromisso único de serem fiéis a si mesmos, regozijam dos problemas mundanos e transformam-nos no seu ofício”.
Entrevista aos Unsafe Space Garden
HeadLiner: A pergunta cliché e obrigatória: Unsafe Space Garden é um nome incomum para uma banda (até algo meio intricado) se bem que fica giro se abreviado: USG. Não temos dúvidas que há história por detrás desta escolha. Querem desvendá-la?
Unsafe Space Garden: Estávamos um dia a caminhar pelo Toural e a matutar sobre a ideia base deste projecto, que acaba por ser a vivência deliberada no desconforto, pegamos na expressão “Safe Space", e partimos daí de maneira a implantar a norma nas nossas vidas do desconforto como o sitio onde ocorre a verdadeira mudança. Depois achamos por bem adicionar um jardim, já que a casa estava de pé e havia espaço.
HeadLiner: O Nuno Duarte (ex. membro dos Toulouse) é o mentor dos Unsafe Space Garden. Como é que o alargamento do projeto aconteceu aos restantes elementos? Acabou por ser um processo mais ou menos natural?
Unsafe Space Garden: Foi bastante natural e sem qualquer intenção. Aconteceu quando mostrei, algumas demos que tinha às pessoas que estavam mais próximas: a Alexandra, o Diogo e o Silvestre. Passado alguns meses estávamos a ensaiar.
Unsafe Space Garden ao vivo // Foto @ Rodellus 2019
HeadLiner: A cena musical em Guimarães consegue despontar e ser produtiva conseguindo destacar-se a nível nacional. Temos os casos dos Toulouse, dos Paraguaii, de Captain Boy ou Mathilda citando só alguns. Já sabemos de antemão que singrar no meio não é fácil nem ter uma carreira estável. Em plena era da Internet estar longe de Lisboa, o epicentro de decisão de muita coisa na indústria, já não é um handicap?
Unsafe Space Garden: É na mesma. Há muitos projectos em Lisboa, muitos sítios para se tocar e é lá que estão sediadas as grandes comunicadoras (rádios e jornais/revistas) e isso vai sempre ter um peso. Ainda assim, já não é o que era, e acreditamos que com as ferramentas de hoje disponíveis, esse peso vai ficar cada vez mais leve. Ainda assim, é necessário um esforço coletivo para possibilitar mais igualdade de oportunidade pelo país, ao invésde se perpetuar a maior probabilidade de que algo aconteça sendo ou estando em Lisboa. Já há alguns anos que procuramos combater isso, porque nao deveria ser necessário um artista ir viver para o Porto ou Lisboa para que o seu trabalho seja reconhecido.
HeadLiner: Virando a pergunta de outra maneira: em Guimarães há um cluster de músicos com muito talento. Esta comunidade funciona verdadeiramente em prol uns dos outros? Qual a relação e quais as sinergias existentes?
Unsafe Space Garden: Não se pode propriamente falar de uma comunidade quando não há um contexto em Guimarães que a proporcione. Existem eventos esporádicos que permitem que alguma coisa aconteça, nem que seja juntar as pessoas que fazem ou que gostam de música no mesmo espaço - mas o facto de não ser algo recorrente não permite a criação de uma comunidade de músicos vimaranenses. Portanto as relações que existem são mais de respeito longínquo e eventual apreciação uns dos outros - mais do que isso ainda não é possível. Ainda assim, ressalve-se que não é isso que impede o aparecimento de projectos, vindos de universos muito diferentes, e isso quer dizer alguma coisa sobre Guimarães e sobre seu potencial como um sítio gerador de um movimento artístico bem diferente do que se vê no resto do país.
Nuno Duarte, mentor do projeto // Foto @ Rodellus 2019 HeadLiner: Já vos vimos ao vivo por mais que uma vez e fazem questão de uma presença muito cénica, realmente muito colorida: com pinturas faciais e trajes bem particulares. Quais as razões/significados dessa opção?
Unsafe Space Garden: As músicas em si obrigam-nos a sair um bocado de nós mesmos, caso contrário, certas frases ou vozes nunca funcionariam com a energia cómica que têm de ter. Somos muito defeituosos como toda a gente, e por estarmos cientes de que estamos ainda a aprender a fazer o que dizemos, foi bem mais facil criar para cada um de nós uma maneira de personificar aquilo que em nós há de mais real, fora do nosso nome e karma e por aí. É um “quebra limites” que potencia a possibilidade não nos levarmos demasiado a sério, de não nos identificarmos demasiado com o estar em cima de um palco.
HeadLiner: Deram alguns concertos pelo nosso país e participaram em alguns festivais já com algum reconhecimento. Para uma banda emergente é sem dúvida uma experiência deveras crucial. Como é que contribuiu para o vosso crescimento como banda? Unsafe Space Garden: Tocar é afirmar o que se está a fazer. Um concerto implica ensaio, empenho, viagens de ida e de volta, o que significa convivência e aprendizagem constante. Nesse sentido, cada vez que se o faz, seja num festival com mais nome ou num sitio mais remoto, alguma coisa acontece para cada um de nós. Essencialmente porque somos confrontados, de cada vez, com o desconfortável que pode ser se nos levarmos demasiado a sério. Temos de escolher: 1. achar que o que estamos a fazer é ridículo e por isso devemos parar ; 2. achar que o que estamos a fazer é ridículo e isso é o melhor que podia estar a acontecer. Temos escolhido a segunda e saímos sempre mais rijos.
Alexandra dos Unsafe Space Garden // Foto @ Rodellus 2019 HeadLiner: Um ano de separação entre o lançamento do EP ‘Bubble Burst’ (2019) e o LP ‘Guilty Measures’ (2020). Enquadrando estes trabalhos discográficos: o que mudou nesse espaço de tempo e quais as diferenças na criação de ambos? Unsafe Space Garden: Cada um de nós é uma coisa diferente desde o dia em que isto começou. Literalmente o nosso almoço de hoje vai-se tornar meia dúzia de células do nosso corpo. Isto para dizer que tudo mudou desde o ‘Bubble Burst’ até ao ‘Guilty Measures‘ e do ‘Guilty Measures’ até ao momento em que isto está a ser escrito já são outras pessoas a conduzir a nave. Basicamente não há como não mudar. Olhando para trás: 1) o ‘Bubble Burst‘ foi um processo mais solitário, gravado em casa e a celebração de uma voz qualquer que parecia estar a aparecer. Foi uma coisa mais inocente, meio a apalpar terreno. 2) o ‘Guilty Measures’, foi um processo mais de todos. Havia as composições e surgia o feedback dos restantes membros. Existem musicas que nem entraram no disco, umas que eram uma coisa e se tornaram outra completamente diferente…. Houve mais coragem nesse sentido. Para além disso havia uma ideia geral do que se queria dizer, ao passo que no ‘Bubble Burst’ foi mais um conjunto de canções que transmitiam uma energia qualquer. Para além disso, o ‘Guilty Measures’ foi gravado num estúdio e com um técnico - o que, naturalmente, muda tudo.
HeadLiner: A situação pandémica atual deixou o panorama musical em alvoroço e com muitas dificuldades. Como está a vossa situação? Depois desta “poeira assentar” têm a vontade, expectativa e condições para fazerem apresentações ao vivo e continuarem a desenvolver o projeto?
Unsafe Space Garden: É um bocado triste lançar um disco e não poder apresentá-lo. Ainda assim, é o que está a acontecer e tentamos não pensar muito sobre isso. A parte boa é que não falta tempo para ouvi-lo e, para nós, não falta tempo para ir trabalhando, do modo que se conseguir, na sua promoção. Quando houver possibilidade para o apresentar, cá estaremos. Quanto à continuidade do projecto, toda esta situação de máscaras, filas nos supermercados e mudanças de passeio é uma dádiva para a criatividade, neste momento em que está fora das nossas mãos escolher o que quer que seja para além do modo como reagimos perante tudo isto. Temos visto a situação como uma oportunidade, o que tem dado frutos (mais tarde a serem revelados).
Links
Facebook: facebook.com/usgambuzinos Instagram: instagram.com/unsafespacegarden/











