A moda como compreendemos hoje, é um dos mais diversos veículos de comunicação, é o meio que somos capazes de nos expressar. É através dessa ambiguidade entre arte e indústria que temos o reflexo da história. E qual é a história da quebrada? O que a periferia tem expressado nos últimos anos? Por muito tempo a classe dominante ditou a moda, impôs a "tendência" e decidiu quem a usa. A classe proletária por sua vez tendia a copiar e reproduzir essas tendências de formas baratas. Reflexo disso é a cultura das roupas pirateadas, as lojinhas do ''10'' com estampas da Chanel e Louis Vuitton por todas as quebradas possíveis. E o grande intuito dessa classe dominante é deixar em evidência quem tem e quem não. Entra-se então em um ciclo onde a elite produz para se distinguir, e o povo reproduz para acompanhar. Ciclo esse que anos após anos incentiva a segregação e a desigualdade. A reprodução inconsciente dessa cultura eurocêntrica afastou a nação brasileira da sua verdadeira narrativa. Por mais de séculos foram impondo valores que não é nosso, uma beleza que não é nossa, uma perspectiva que não é nossa, que não diz nada sobre nossa história. E isso nada mais é do que consequência da bruta tentativa de tentarem apagar nosso passado. Hoje a periferia vem se reencontrando e se percebendo quilombo. A cada dia se conectando com a Diáspora Afroindigena, tomando consciência da grande riqueza que temos como povo, como cultura. Não mais importando tendências de fora carregadas de preconceito e intolerância, não mais aceitando farsas sendo empurradas goela abaixo. A moda marginal não vem comunicando, vem gritando, com os dois pés no peito de quem quiser nos barrar. Ela está aqui para ocupar espaço, vestir nossos corpos políticos e registrar nossa luta de resgatar todos os dias nossos valores. A moda marginal é espelho das nossas raízes ancestrais. É um pilar que sustenta a economia solidária. Entendemos que a moda é cíclica, que ela a cada década vem se ''renovando''. Buscando no passado referências para continuar se sustentando. Mas a moda marginal não resgata referência, resgata nossa ancestralidade, resistência. Agora o mundo olha para a periferia, é o ‘’HYPE’’. Mas mal percebem eles que o vestuário é só um dentre todos os pilares que sustenta e reflete nossa revolução. Moda passa, o hype passa, mas não a nossa história. Os marginais estão em ascensão!













