Eu estou preso numa relação que está no chão, caída, quebrada. Somos dois corpos na mesma casa, sem alma, sem brilho. Ela não me ama mais, isso está estampado no olhar vazio, nos gestos frios, no silêncio que pesa mais do que qualquer grito. E eu? Eu ainda amo. Eu ainda estou aqui, agarrado a uma esperança que me arrasta pelo chão, mas que eu me recuso a largar. Eu ainda acredito que podemos voltar a ser o que um dia fomos, mesmo quando tudo à minha volta me grita para desistir. Eu acordo todos os dias e visto a armadura: de pai forte, de homem que não desiste, de marido que tenta. Mas por dentro, eu estou rasgado. Amar sozinho é uma tortura. Tentar salvar algo sozinho é carregar uma cruz que esmaga. E é isso que eu faço: carrego sozinho, luto sozinho, enquanto ela parece já ter desistido faz tempo. É duro. É humilhante. Cada vez que eu tento um gesto, um toque, uma palavra, e recebo de volta a indiferença, é mais uma facada. E ainda assim, eu fico. Ainda assim, eu acredito. Os meus filhos sentem. Eles não entendem tudo, mas sentem que entre nós só existe o vazio. Sentem a ausência do amor que deveria ser a base da nossa casa. E isso corta-me mais do que qualquer outra dor. Porque eu não quero que eles cresçam achando que isso é normal, que amor é só convivência, que casamento é apenas sobrevivência emocional. Eu quero mais. Para mim, para eles, para ela. Eu quero que eles vejam que é possível descer ao fundo do poço e ainda assim encontrar uma corda para subir. Mas a verdade? A verdade é cruel: eu estou cansado. Cansado de amar e não ser amado. Cansado de lutar contra um muro. Cansado de morrer por dentro todos os dias, enquanto finjo que está tudo bem. E eu sei que se continuar assim, eu vou acabar vazio, sem força, sem alma. E mesmo assim… eu não consigo desistir. Porque eu acredito que ainda existe uma faísca, mesmo que pequena, lá no fundo. Que esse amor pode estar soterrado por mágoas, por rotinas, por feridas, mas não está morto. Ainda não. Eu sei que salvar isto não vai ser bonito. Vai doer. Vai exigir mais de mim do que eu achei que tinha para dar. Mas eu estou disposto. Porque eu ainda quero olhar para ela e ver de novo aquele olhar que um dia foi só meu. Eu ainda quero voltar a sentir que sou amado, desejado, importante. E mais do que tudo: eu quero voltar a viver. Porque isto que estou a viver agora não é vida. É sobrevivência. E eu mereço mais. Ela merece mais. Os meus filhos merecem mais. Então eu vou lutar. Mesmo arrebentado, mesmo cansado, mesmo sangrando por dentro. Porque eu acredito que ainda podemos voltar. Ainda podemos recomeçar. E eu vou dar tudo o que tenho, até a última gota, para que esse amor volte a respirar.


















