UMA DOSE EXTRA DE CORAGEM POR FAVOR Céu azul, nuvens que parece algodão, dia quente, baforada do sol no rosto… enfim, mais um dia comum. Eu estou cansada do comum, eu nunca pedi nada. Sempre fui conformada com o que sou presenteada, sorriso estampado na cara, digo sim para o que me deixa irritada e abro espaços para mudar minhas verdades, afinal elas não são absolutas! Mas hoje acordei querendo mais. Talvez eu seja agora a mais nova inconformada de viver conformada. Quero mais auê, quero mais risos, quero mais brilho… Tô querendo sussurro, tô cansada do mudo, da TV fora do ar. Quero me sintonizar, quero ligar o rádio, quero me sentir tocada no caixa de som da sala; quero ser uma canção, quero ser uma emoção, quero gerar refrão , quero criar bordão, quero está na ponta da língua, quero ser a melhor notícia. Cansei de ser aquela que compreende a todos e não e não ser compreendida, a que escuta tudo e não ouve nada. Quero poder dizer “essa foi pra mim”. Oração com olhos fechados, mas lá fora ninguém parece preocupado com o que grita meu coração. Sim! Existe alguém que se importa com cada nota e não se preocupa tanto se tá fora do tom, que me deixa abrir a porta… na verdade essa porta já foi arrancada e livre acesso me foi dado. E pra ele resolvi contar que eu quero ouvir falar, que lá fora alguém cantou meu nome e lembrou de algo bom só pra variar. É muito fácil olhar nos meus olhos, e dizer o quanto pareço inteligente, isso é muito bom, isso até me deixa um pouco contente. Mas acho que como qualquer outro um dia já sonhou , quero ser inspiração para o amor. Então… o dia vai terminando, e percebo como tem gente assim como eu era outrora, conformada em não ter o dom de escrever uma bela canção. Que acha feio a letra ou as rimas, que tem medo de não achar a melodia, e parece mais uma caverna escura que um dia conseguiu ser eco de outra voz , mas agora não ecoa nem o vento. Então percebo que hoje é mais um dia comum para tanta gente, e que talvez eu não deva de fato esperar nada de pessoas que não querem me enxergar como sou por dentro. Até porque é preciso coragem parar pra ouvir o que vem do peito. Ainda não sou a música que toca no rádio da sala, não sou a letra que faltava, não sou a inspiração de uma carta, ou de frases com duas ou três palavras. Porém, não vou abrir mão de acreditar que um dia serei a canção, que vai tocar sem hora marcada e não terá medo de soar na voz desafinada de quem criou coragem pra deixar gritar o coração.













