A espera Ficar em silêncio, calar quando é preciso, mas como escutar quando o mundo está acordado? O mundo não cala, seja a hora que for, ele nunca dorme. Como ter atenção quando há muito para tirar o foco? Ilusão. Passamos a acreditar em ilusões, e não esperamos o que é certo, o que é real. A espera não é uma das coisas mais fáceis. Principalmente quando já estamos acostumado com a pressa automática que nos impuseram ainda quando crianças. Como esperar? O que esperar? Porque esperar? Esperar é tão cansativo, ficar parado, observando o fluxo do mundo seguir enquanto você está esperando. Vem a dúvida. Será que não estou esperando demais? Será que não estou exagerando demais na espera? Aperto power, prossigo, vou devagar, vou caminhando, vou seguindo em passos lentos para ver se escuto alguma voz no meio do tumulto. Nada. Não consigo ver nada, ouvir nada, só o barulho. O desespero, é o único som que ultrapassa os gritos que vem de todos os lados. Eu estou no meio do fluxo. Como eu vim parar aqui? Um passa e bate, me joga um pouco mais à frente, uma mão estendida me pede socorro, um joelho encardido, uma lágrima nos olhos de quem não conseguiu levantar. Mas o fluxo ficou intenso, e me empurrou para mais longe, eu quero voltar, mas não tenho forças de seguir e caio. Meus joelhos encontraram o chão, mas eu não queria parar, eu queria voltar, eu tinha tanto abraços para dar. Minhas mãos estão cheias de lama, minha roupa está suja, no peito uma dor, um grito por ajuda, mas ninguém escuta. Ninguém consegue escutar no meio do som que faz o fluxo. A espera ficou dolorosa, eu já não sei se quero esperar, eu já não sei se vale a pena tanta dor. Eu segui quando tinha que parar. Mas como saber a hora de ficar quando não se consegue escutar? O meu caminhar tomou as forças dos meus braços, eu não consigo se quer ajudar. Desespero! A espera ficou mais árdua, eu não consigo calar a dor, meus joelhos agora feridos, eu resolvo dá um último grito. O Silêncio! Não escuto mais som de nada, não vejo mais os holofotes, não sinto mais os pés que me pisavam, tudo ficou sem cor. Uma brisa que logo se transformou em vento, meus cabelos saía do rosto, minha roupa ficava branca, os meus joelhos ganhavam cicatriz, minhas mãos não estavam mais encharcadas. Porém o aperto no meu peito insiste em permanecer, agora eu sinto frio, estou sufocada, não consigo respirar, eu estou caindo. Socorro! Eu tentava dizer, mas só saía gemidos. Eu já não aguento esperar, eu não consigo mais, se não tiver quem me erga, eu vou permanecer deitada. E ali deitada em meio a silêncio será meu fim. No último gemido de minha alma, quando já não sais mais voz... Onde estava escuro houve luz, Onde estava frio ficou quentinho, Minhas lágrimas secaram, O meu peito apertado encontrou paz. Eu não conseguia ver, mas eu sentia um abraço me cobrir. O vento que arrastava tudo pelo caminhos passava por mim porém não me atingia. Me sentia segura. A espera continuava, no entanto a vontade de esperar foi renovada, eu ainda estou esperando, mas agora acompanhada de um abraço que não consigo enxergar. Tudo bem! Porque agora tenho energia e posso para o caminho voltar. A mão que estava estendida já não está mais lá, vejo um corpo exposto ao fluxo. Tremendo de frio e medo, me aproximo, tomo em meus braços, e sorrindo lhe ofereço vestes novas e meu ombro para apoiar-se . Esperar é necessário... E eu serei amigo, e farei meus braços abrigo para ajudar quem tanto espera e não escuta nada, para que em mim encontre o caminho de quem trás a resposta. Quem sabe em uma dessas mãos estendida faço a espera do outro um lugar para se morar. Até lá, vou acolher quem eu encontrar e assim vou poder deixar mais agradável a minha jornada, o meu breve esperar.