sobre o amor nos tempos do zika.
Sabe esse amor que te faz almoçar na casa da família do namorado dia de domingo, aturar sobrinhos pentelhos, a sogra que disfarçadamente te odeia, ouvir a namorada chorar pelos dissabores familiares, querer sair e não “poder” porque seu amor tá com o filho doentinho em casa, enfim, sas coisas? Pois é. De uns tempos pra cá comecei a acreditar que as pessoas não querem esse tipo de amor, ou essa parte do amor...
Com o passar do tempo pude sinceramente, entender e sentir que poderia sim ficar com pessoas sem desejá-las posteriormente (consegui esse feito apenas duas vezes em toda minha vida). E que ficar com caras que não me desejassem posteriormente, não necessariamente tinha de ser por algo que fiz, ou deixei de fazer.
Mas com o passar de mais tempo ainda, amadureci mais, encontrei outros tipos de pessoas em minha vida, e comecei a acreditar que elas tinham medo de amar. Porque querendo ou não, a probabilidade de sair ferido de um relacionamento é de 50%...
Eu que sou sonhadora e incorrigivelmente apaixonada, ou é porque os tempos mudaram e o amor mudou junto? Vejo pouquíssimas pessoas atualmente dispostas a se entregar e sofrer junto, sabe? Aproveitar o combo amor, que inclui transa + segurar a onda numa briga de família, programas juntinhos + aguardar numa fila de hospital, sorrisos e conversas bobas + dar uma força num momento de fraqueza na autoestima.
Parece que estamos vivendo numa era em que meu bem estar conta mais. “Gosto de você mas não quero ninguém pegando no meu pé.” Te admiro pacas, mas não quero ter que compartilhar seus dias ruins.”
Sim, é bem mais fácil ter somente o lado bom das relações. Mas até que ponto de nossas vidas conseguimos sustentar apenas as coisas que nos despertam prazer nas outras pessoas? Será que vivemos essa ilusão e quando nos cansamos ou caímos na real, baixamos a guarda e entregamos os pontos? Isso me faz pensar em quantos grandes amores (ou até mesmo pequenos) “desperdiçamos”, deixamos de viver porque estar sozinho é mais cômodo.
Sabe o que me parece? Que quase ninguém quer amar hoje em dia. Como disse antes acreditava que o problema era o “medo de amar”, mas agora acredito mais na ideia de intolerância. Essas pessoas querem apenas o melhor de se estar com pessoas.
Se nos tempos do cólera já era difícil, imagina hoje em dia com facebook, tinder, happn e afins?












