hoje eu acordei com o buraco da minha alma infinitamente maior do que antes. tenho crateras profundas dentro de mim que ainda não foram preenchidas de nenhuma maneira e o catalizador de todas elas é a sua falta. sem você, tudo se esvai, tudo se decompõe. minhas alegrias se dissolvem, se volatizam. tenho sorrisos efêmeros e ansiedades constantes. meu olhos procuram os teus e meus dedos inquietos anseiam pelo teu toque, porque a natureza perecível de outros toques são repelidos pelas minhas camadas externas de elétrons. (sinto exatamente a veracidade daquilo que a física dita: que não tocamos nada, logo, não somos tocados, e isso é triste.) hoje eu só preciso do seu abraço rompendo meus campos de energia. só preciso da sua voz me causando auroras boreais. só preciso de nossas fugas noturnas colorindo as avenidas sem vida em uma sexta qualquer. talvez eu não precise de um beijo seu, apenas de sua cabeça enterrada nos meus ombros. talvez eu não precise de suas palavras, mas apenas sua respiração queimando a minha pele. talvez eu não precise de arrepios, mas da sensação da sua companhia. talvez eu não precise do seu, talvez eu só precise saber como voar.