Marcas
Algumas pessoas nascem com sinais na pele — pequenos mapas de sangue antigo, heranças silenciosas que o corpo carrega como lembrança de um tempo anterior à memória. Outras escolhem suas marcas: linhas, traços, palavras, desenhos, números, manchas de cor que eternizam uma dor ou um delírio. Cada risco é um grito ou um sussurro. Cada forma, um altar para aquilo que não pode morrer.
Mas há também as marcas que o amor deixa. As mais bonitas. As mais perigosas.
Marcas de amor não nascem — acontecem. Um toque mais firme no momento certo. Uma mordida que ultrapassa o pudor e encosta no instinto. Unhas cravadas como preces animalescas, tatuagens efêmeras que duram uma noite, um verão, uma vida inteira.
Elas não pedem licença. Acontecem entre gemidos e silêncios, entre um arrepio e a entrega. São poemas desenhados na pele com a tinta invisível do prazer. São lembranças que ardem. Que voltam quando o lençol toca o ombro. Quando o espelho devolve uma imagem que já não é só sua.
Marcas de amor têm cheiro de suor e promessa. Têm gosto de língua e abismo. Têm forma de ausência e presença ao mesmo tempo.
São belas. Primitivas. Obsessivas.
E mesmo quando cicatrizam — mesmo quando o corpo se esquece — a alma não.
Porque o que o amor marca, o tempo não apaga.














