Ela sobre ele
Ela não queria dizer adeus, logo agora que tinha estado o mais perto que ela ja tinha chegado do amor da sua vida. Nem sei se vocês ainda acreditam nisso, mas ela acreditava, ou melhor acredita, ou melhor ainda, gostava de acreditar. Eu não sei vocês, mas ela costumava sonhar com um tipo de cara. Na verdade não um “tipo”, mas ela gostava de imaginar alguém com características peculiares. Na cabeça dela ele era alto, bem bonito (mas ele não sabia disso), um pouco forte mas não aquele rato de academia - nada contra vocês - cabelo meio desgrenhado, um sorriso torno e um olho brilhante. Ela gostava de imaginar que ele tinha paixão pela vida, louco pelo imprevisível e era calmo, cheio de uma energia fantástica. Ele toca. Talvez um violão ou uma guitarra, e canta acompanhando. A sua voz não é a mais magnífica, é grave e tranquilizante ao mesmo tempo. É suave e dá vontade de ficar o dia inteiro escutando. Ele não é fácil, nem pra conquistar e nem pra demonstrar, tem seu certo mistério, e ela é louca pra desvendá-lo. Na cabeça dela ele é fofo com a família, com os amigos e com ela também, é gente boa, é prestativo e paciente. Parece um homem impossível? Não para ela. Ela acreditava fielmente que ia encontrá-lo algum dia. E encontrou, justo no momento que ela tinha que ir embora.
Mas ele não era exatamente igual ao “ele” da cabeça dela. Ele era lindo, sim. Alto? Bastante. Pra ser mais específica, tem uns dois metros. Fofo e difícil? Pra caralho! Mas acontece que ela ainda não o conhece o suficiente pra saber um tanto das suas características. Ela ainda está na superficialidade, mas o efeito que ele emanou nela foi diferente. De todos os outros. E talvez ela esteja apaixonada, não diretamente por ele, mas pelo efeito. Ele não responde mensagens com rapidez. Ela fica esperando igual uma tonta durante horas, e checando a tela do celular a cada 10 minutos. Ela fica imaginando o que ele pode estar fazendo, ou como ele pode estar tão ocupado a ponto de não conseguir digitar durante 10 segundos. Ninguém dorme tanto assim. Claro, ele é lindo, provavelmente tem outras meninas. Eu sei que ele tinha uma namorada, e tem algo muito inexplicado sobre o término deles. A namorada está extremamente magoada, mas ele aparentemente está tranquilo. Mais um mistério, dos que ele coleciona.
É claro que ela não é tão trouxa assim. Se ele queria joguinho, ela ia brincar (apesar de odiar). E então ela também começou a ficar horas e horas sem responder, mas a cada dez minutos verificava pra ver se ele estava online. E não estava. Mas o que tanto é que esse menino faz por ai? Dramas a parte, voltaremos ao maior de todos. Ela tem que ir. Vai sair do país, durante uns seis meses. Pode não ser tanto tempo assim, mas é tempo suficiente pra ele esquecer dela, seguir a vida, encontrar outra menina, se apaixonar ou voltar com a ex. E isso é meio decepcionante. Ela queria continuar conversando com ele durante o tempo que vai estar afastada, mas não sabe se ele terá paciência pra isso, ou como ele vai entender essa proposta. Ela queria que ele fosse fofo o bastante pra dizer que quando ela voltasse eles iam conversar e quem sabe o que iria acontecer. Ela queria que ele a abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem, que ele ama o imprevisível e que ela faz parte dele. Ela queria que ele levasse ela no aeroporto e no final tirasse seu moletom e entregasse pra ela dizendo, eu vou estar sempre com você minha linda.
Mas é óbvio que isso não vai acontecer. Tá idealizado demais, até pra filme. E além do mais eles se conhecem faz tipo uma semana. Sendo que eles só se viram uma vez na vida. Acorda né.
Acordo. E quero. Ops, ela quer. Mas ela não precisa. Só que ela tem aquilo de correr atrás do que quer.
E com muita sutileza.
Continua... - Lisa Duve










