Ela sobre o poço
Ela foi. Encontrá-lo.
Aquele friozinho na barriga, ou borboletas no estômago - como alguns dizem. Ela estava nervosa, já tinha tido outros encontros na vida, inclusive com desconhecidos. Mas esse ela sabia que era diferente. Era ele. Era o cheiro dele. Era a boca dele. A expectativa era muito maior nesse caso. Ele mora no outro canto da cidade, mas veio até a porta dela, dirigindo um carro vermelho. Ela entrou. Ele queria um beijo na boca, mas ela o cumprimentou com um beijo na bochecha, não, espera, foi no canto da boca. Dava pra sentir a tensão no ar, eles estavam meio nervosos com a situação. Ele não tinha tanta experiência (namorou por muito tempo), ela tinha, mas não com ele. Ela guiou o caminho, e foi uma novela pra escolher um lugar. Ela começou a pensar que ele não era tudo aquilo, a conversa não estava fluindo direito, ele segurava na cintura dela quando andavam, mas ela não sabia o que fazer. Não sabia se colocava a mão nas costas dele, na dúvida ela continuou com os braços ao longo do corpo. Uma hora eles deram a mão, mas foi meio estranho, ela não sabia se eles tinham toda essa intimidade, e ele ficou ajustando a sua mão na dela várias vezes.
Entraram no bar. Finalmente. Sentaram e conversaram. Da vida, do passado, do presente, da ex (ela que perguntou), da família, das pessoas, de música, entre outros assuntos aleatórios. Foi uma boa conversa - tá, estou sendo modesta - foi uma ótima conversa. Eles pediram dois drinks e mesmo ela insistindo para dividir a conta, ele disse que queria. Não que precisava, mas que queria - é diferente.
As horas se passaram, mas pareciam minutos. O bar fechou. Eles quase foram expulsos da casa. Saíram, felizes. As coisas tinham melhorado, a intimidade também apareceu. Ele adivinhou o caminho de volta, sem GPS. Estacionou na porta da sua casa e perguntou se ela ia embora sem dar um beijo nele. Ela enrolou um pouco, mas no fundo acabou cedendo - ela queria, e muito. Eles se beijaram infinitas vezes, e conversaram mais. Se tratava daquelas conversas sem esforço sabe, ninguém teve que ficar procurando assunto. Parecia que eles já se conheciam há algum tempo. Entre beijos e conversas, ele avançou algumas vezes. Colocou a mão e até a boca nos seios dela, ela deixou porque gostou. Mas não queria que ele avançasse ainda mais. Ela era virgem e precisava ter confiança nele antes. Além do mais ela não queria se entregar assim. Pra ela esse é um ato importante, que envolve tempo e conquista. Claro, claro. Ela já tinha feito algumas preliminares com outros caras na vida. Já tinha experimentado algumas coisas. Mas não o ato em si. Pra ela isso é especial de alguma forma. Obviamente que o medo e a insegurança também estão na jogada. Ela pensava que se ela se entregasse, ele iria sumir ou vê-la como apenas um casinho de verão. Ainda mais que ela estava indo embora. E ela não queria que ele sumisse, ele a fazia bem.
Ele perguntou se podia continuar o que estava fazendo, uma vez que ela hesitava sempre. Ela não sabia o que responder, não tava na hora de contar ainda. Ela ficou constantemente pensando se ele estava saindo e conversando com ela apenas pra alcançar esse objetivo final. Apenas pra transar, vai. Sem filtros por aqui.
Eram três horas da manhã e ela pensava se estava se afundando em um poço sem saber o caminho de volta pra superfície.
Continua... - Lisa Duve















