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@historiasquefalam
Ela sobre aquela noite
Ela passou um bom tempo pensando nisso antes de começar a escrever. Acho que por causa da intensidade da situação. É sempre difícil transformar sentimentos em palavras. Mas podemos tentar.
Era sábado, um dia depois deles terem se encontrado na casa dele. Ele a convidou para ir no cinema, ver um filme que ela queria ver há muito tempo, mas que ele já tinha visto. Eles se encontraram lá, mas os ingressos para o filme já tinham se esgotado quando foram comprar. Então decidiram ir em outro shopping, um perto da casa dele. Ele comprou o ingresso antecipadamente. Ele parecia nervoso com a situação, achando que estava dando tudo errado. Não nervoso no sentido de bravo, mas sim ansioso. Assim como eles ficam sempre nos primeiros momentos que se encontram. Assistiram o filme, juntos, às vezes abraçados, às vezes com os braços se tocando, às vezes com a cabeça dela encostada no ombro dele. Foi bom, apesar do desconforto do encosto do assento.
O filme terminou e foi uma novela para conseguirem pagar o estacionamento. Enquanto isso ele perguntou pra ela se ela queria comer algo. Ela disse que sim, que estava com muita fome. Eles entraram no carro meio sem rumo, afinal, eram péssimos em escolhas. Ele então sugeriu que eles fossem pra casa dele e de lá podiam pedir alguma coisa pra comer. Ela aceitou, um pouco preocupada, mas animada com essa nova situação. Na geladeira do apê dele tinha pizza e cerveja. Eles pegaram e desceram para a área de piscina. Enquanto a pizza assava, sentaram em uma espreguiçadeira e ficaram olhando as estrelas. Ela perguntou se ele achava que as estrelas eram pessoas, ele disse que não acreditava nessas baboseiras. Ela tagarelou. Ele contou histórias sobre a sua família. Ele a beijou e ela beijou de volta. Parecia que o mundo era só deles.
Depois que comeram, continuaram conversando rodeados de uma brisa leve e de um vento constante. Eles se beijaram de uma forma mais intensa e o espaço entre os corpos foi apenas diminuindo. Ele perguntou se não seria melhor eles subirem. Ela não respondeu. Ele insistiu. Ela disse que estava pensando. E depois de alguns minutos aceitou. Na cabeça dela ela conseguiria controlar a situação. E ela realmente queria ficar com ele em um lugar mais privado. Antes disso eles foram para a área de churrasco, ele começou a beija-la, a levantou e ela colocou suas pernas ao redor da cintura dele. A química que eles tinham era inegável.
Eles foram pro quarto dele. Ele tirou a blusa dela. Ela tirou a blusa dele. E as coisas começaram a ficar mais íntimas. Ela queria, mas sentia que não podia. Ele queria muito, e só precisava ouvir um sim. Depois que seus corpos já estavam se tocando diretamente, sem as camadas de roupa, ela disse sim. No final das contas ela não conseguia mesmo controlar. E meio que aconteceu. Na verdade, não deu muito certo. Mas ela gostou e ele também. Ao menos pareceu, ele pode ser um bom ator no entanto, nunca se sabe.
Ela nunca tinha sentido aquilo. Ela sentia sentimento envolvido, ela sentia confiança no cara que conheceu há duas semanas, mais no que naquele que ela conheceu durante 4 anos. Ele era cuidadoso. Apesar de quase ter deixado ela cair da cama algumas vezes, mas ela gosta de acreditar que isso foi apenas um reflexo da emoção do momento. Ele era lindo. Era ele.
Ela tinha se entregado para um cara com quem saiu apenas 3 vezes.
E ela não tinha certeza de nada, apenas de uma coisa: não queria que ele sumisse.
Mas algo a dizia que ele ia.
Continua…
Lisa Duve.
Every time...
Ela sobre sentimentos
Ela estava apaixonada. Pelo menos achava que estava. Ela não parava de pensar em cada gesto dele, em cada momento e contava os minutos para vê-lo novamente. Nossa, que clichê de gente romântica né. Mas isso era o mais engraçado - ela não era romântica, nem um pouco. Mas com ele era diferente, e ela sabia disso. Vamos começar do começo, ou melhor: de onde paramos.
Ele a convidou para uma resenha com os amigos dele. Disse que teria drinks, música, jogos, etc. Ela precisaria atravessar a cidade para chegar lá, mas foi. Ela queria vê-lo e queria fazer novas amizades. Ela chegou e se viu rodeada de 5 homens, mais ou menos na faixa de uns 20 a 22 anos. Ok, tudo sobre controle até então. Ela foi simpática, cumprimentou todos e depois começou a preparar drinks, um aqui, outro ali, entre conversas e olhares com ele. Em um momento específico ele precisou subir até seu apartamento para pegar frutas, ele a chamou para ir junto, ela foi. Eles ficaram, num lugar que parecia um banheiro, na sala, no sofá e ele a chamou para ir pro quarto. Ela enrolou, meio desconcertada, falou que era melhor eles voltarem, afinal, os amigos precisavam da fruta.
Eles sentaram na beira da piscina e começaram a conversar. Estavam levemente (tá, talvez bastante) alterados de álcool enquanto ele dizia que precisava contar algo que segundo ele “mudaria tudo”, e era algo ruim. Ela desesperou, pensou em mil coisas: ele queria parar de ficar, ele tava com outras meninas, ele ia voltar com a ex, ele não gostava dela. Então ela olhou diretamente pra ele e implorou pra que ele contasse, ele negava, ela implorava, ele negava. Até que cedeu. E contou pra ela que ele tinha mentido sobre a idade, que na verdade era um ano mais novo do que ela. Ela se assustou, mas também ficou aliviada, podia ter sido algo bem pior. Ela o considerava maduro para a idade que tinha, então estava tudo bem. Ainda naquele mesmo lugar ela também revelou algumas coisas de maneira franca e talvez um pouco direta (outra novidade, porque ela nunca conseguia ser direta). Disse que se ele estivesse apenas em busca de sexo, que ela não era a garota que ele estava procurando. Ele entendeu, disse que já tinha percebido que ela não era assim. Ela disse que gostava dele, que curtia ficar com ele. Ele disse que era recíproco.
Alguns amigos passaram mal, de tanto beber. Ela ajudou ele a limpar tudo e a arrumar o local. Ele achou fofo da parte dela. E ela só estava sendo ela. Ele atravessou a cidade mais uma vez para deixá-la em casa. Estacionou. Ela o beijou. Colocou as pernas em volta do quadril dele sentiu cada fio do seu corpo se arrepiar, ela o queria, muito. Mas não podia, e sentiu que devia falar com ele o que estava omitindo. Então ela contou que era virgem e que tinha aversão a sofrimento. Contou que já se magoou muito e não queria sentir aquilo novamente, e por isso se mantinha afastada e tinha um certo medo de avançar. Ele olhou pra ela, bem dentro dos seus olhos e disse que entendia, da maneira mais sincera possível. Ele disse que só tinha transado com uma menina na vida - a ex, e que também tinha suas dificuldades em relação a isso. E foi aí que o coração dela bateu mais forte. Era por causa dele. Só dele. Ela sabia.
Continua…
-Lisa Duve
Ela.
Ele.
Eles.
Ela sobre o poço
Ela foi. Encontrá-lo.
Aquele friozinho na barriga, ou borboletas no estômago - como alguns dizem. Ela estava nervosa, já tinha tido outros encontros na vida, inclusive com desconhecidos. Mas esse ela sabia que era diferente. Era ele. Era o cheiro dele. Era a boca dele. A expectativa era muito maior nesse caso. Ele mora no outro canto da cidade, mas veio até a porta dela, dirigindo um carro vermelho. Ela entrou. Ele queria um beijo na boca, mas ela o cumprimentou com um beijo na bochecha, não, espera, foi no canto da boca. Dava pra sentir a tensão no ar, eles estavam meio nervosos com a situação. Ele não tinha tanta experiência (namorou por muito tempo), ela tinha, mas não com ele. Ela guiou o caminho, e foi uma novela pra escolher um lugar. Ela começou a pensar que ele não era tudo aquilo, a conversa não estava fluindo direito, ele segurava na cintura dela quando andavam, mas ela não sabia o que fazer. Não sabia se colocava a mão nas costas dele, na dúvida ela continuou com os braços ao longo do corpo. Uma hora eles deram a mão, mas foi meio estranho, ela não sabia se eles tinham toda essa intimidade, e ele ficou ajustando a sua mão na dela várias vezes.
Entraram no bar. Finalmente. Sentaram e conversaram. Da vida, do passado, do presente, da ex (ela que perguntou), da família, das pessoas, de música, entre outros assuntos aleatórios. Foi uma boa conversa - tá, estou sendo modesta - foi uma ótima conversa. Eles pediram dois drinks e mesmo ela insistindo para dividir a conta, ele disse que queria. Não que precisava, mas que queria - é diferente.
As horas se passaram, mas pareciam minutos. O bar fechou. Eles quase foram expulsos da casa. Saíram, felizes. As coisas tinham melhorado, a intimidade também apareceu. Ele adivinhou o caminho de volta, sem GPS. Estacionou na porta da sua casa e perguntou se ela ia embora sem dar um beijo nele. Ela enrolou um pouco, mas no fundo acabou cedendo - ela queria, e muito. Eles se beijaram infinitas vezes, e conversaram mais. Se tratava daquelas conversas sem esforço sabe, ninguém teve que ficar procurando assunto. Parecia que eles já se conheciam há algum tempo. Entre beijos e conversas, ele avançou algumas vezes. Colocou a mão e até a boca nos seios dela, ela deixou porque gostou. Mas não queria que ele avançasse ainda mais. Ela era virgem e precisava ter confiança nele antes. Além do mais ela não queria se entregar assim. Pra ela esse é um ato importante, que envolve tempo e conquista. Claro, claro. Ela já tinha feito algumas preliminares com outros caras na vida. Já tinha experimentado algumas coisas. Mas não o ato em si. Pra ela isso é especial de alguma forma. Obviamente que o medo e a insegurança também estão na jogada. Ela pensava que se ela se entregasse, ele iria sumir ou vê-la como apenas um casinho de verão. Ainda mais que ela estava indo embora. E ela não queria que ele sumisse, ele a fazia bem.
Ele perguntou se podia continuar o que estava fazendo, uma vez que ela hesitava sempre. Ela não sabia o que responder, não tava na hora de contar ainda. Ela ficou constantemente pensando se ele estava saindo e conversando com ela apenas pra alcançar esse objetivo final. Apenas pra transar, vai. Sem filtros por aqui.
Eram três horas da manhã e ela pensava se estava se afundando em um poço sem saber o caminho de volta pra superfície.
Continua... - Lisa Duve
Ela sobre ele
Ela não queria dizer adeus, logo agora que tinha estado o mais perto que ela ja tinha chegado do amor da sua vida. Nem sei se vocês ainda acreditam nisso, mas ela acreditava, ou melhor acredita, ou melhor ainda, gostava de acreditar. Eu não sei vocês, mas ela costumava sonhar com um tipo de cara. Na verdade não um “tipo”, mas ela gostava de imaginar alguém com características peculiares. Na cabeça dela ele era alto, bem bonito (mas ele não sabia disso), um pouco forte mas não aquele rato de academia - nada contra vocês - cabelo meio desgrenhado, um sorriso torno e um olho brilhante. Ela gostava de imaginar que ele tinha paixão pela vida, louco pelo imprevisível e era calmo, cheio de uma energia fantástica. Ele toca. Talvez um violão ou uma guitarra, e canta acompanhando. A sua voz não é a mais magnífica, é grave e tranquilizante ao mesmo tempo. É suave e dá vontade de ficar o dia inteiro escutando. Ele não é fácil, nem pra conquistar e nem pra demonstrar, tem seu certo mistério, e ela é louca pra desvendá-lo. Na cabeça dela ele é fofo com a família, com os amigos e com ela também, é gente boa, é prestativo e paciente. Parece um homem impossível? Não para ela. Ela acreditava fielmente que ia encontrá-lo algum dia. E encontrou, justo no momento que ela tinha que ir embora.
Mas ele não era exatamente igual ao “ele” da cabeça dela. Ele era lindo, sim. Alto? Bastante. Pra ser mais específica, tem uns dois metros. Fofo e difícil? Pra caralho! Mas acontece que ela ainda não o conhece o suficiente pra saber um tanto das suas características. Ela ainda está na superficialidade, mas o efeito que ele emanou nela foi diferente. De todos os outros. E talvez ela esteja apaixonada, não diretamente por ele, mas pelo efeito. Ele não responde mensagens com rapidez. Ela fica esperando igual uma tonta durante horas, e checando a tela do celular a cada 10 minutos. Ela fica imaginando o que ele pode estar fazendo, ou como ele pode estar tão ocupado a ponto de não conseguir digitar durante 10 segundos. Ninguém dorme tanto assim. Claro, ele é lindo, provavelmente tem outras meninas. Eu sei que ele tinha uma namorada, e tem algo muito inexplicado sobre o término deles. A namorada está extremamente magoada, mas ele aparentemente está tranquilo. Mais um mistério, dos que ele coleciona.
É claro que ela não é tão trouxa assim. Se ele queria joguinho, ela ia brincar (apesar de odiar). E então ela também começou a ficar horas e horas sem responder, mas a cada dez minutos verificava pra ver se ele estava online. E não estava. Mas o que tanto é que esse menino faz por ai? Dramas a parte, voltaremos ao maior de todos. Ela tem que ir. Vai sair do país, durante uns seis meses. Pode não ser tanto tempo assim, mas é tempo suficiente pra ele esquecer dela, seguir a vida, encontrar outra menina, se apaixonar ou voltar com a ex. E isso é meio decepcionante. Ela queria continuar conversando com ele durante o tempo que vai estar afastada, mas não sabe se ele terá paciência pra isso, ou como ele vai entender essa proposta. Ela queria que ele fosse fofo o bastante pra dizer que quando ela voltasse eles iam conversar e quem sabe o que iria acontecer. Ela queria que ele a abraçasse e dissesse que tudo ficaria bem, que ele ama o imprevisível e que ela faz parte dele. Ela queria que ele levasse ela no aeroporto e no final tirasse seu moletom e entregasse pra ela dizendo, eu vou estar sempre com você minha linda.
Mas é óbvio que isso não vai acontecer. Tá idealizado demais, até pra filme. E além do mais eles se conhecem faz tipo uma semana. Sendo que eles só se viram uma vez na vida. Acorda né.
Acordo. E quero. Ops, ela quer. Mas ela não precisa. Só que ela tem aquilo de correr atrás do que quer.
E com muita sutileza.
Continua... - Lisa Duve
Irônico é uma pessoa sentir tudo e não falar nada, tipo eu.
Desconhecido. (via youremyfirework)
É, eu faço tudo errado sempre.
Quando eu tinha 5 anos, minha mãe sempre me disse que a felicidade era a chave para a vida. Quando eu fui para a escola, me perguntaram o que eu queria ser quando crescesse. Eu escrevi ‘feliz’. Eles me disseram que eu não entendi a pergunta, e eu lhes disse que eles não entendiam a vida.
John Lennon (via youremyfirework)
Cansado de dar o máximo e não receber metade.
Rashid. (via opostos)
Um dia acontece, a gente tem que crescer…
Charlie Brown (via amanhaseraumnovohoje)