// Feelcy Klist // Capital // Desafio 1- Alistamento //
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—Feels, não faça isso...— sinto as mãos de Quinn descendo pela minha cintura e puxando-me de volta para a cama.
— Fazer exatamente o que? Sair da cama ou me alistar?— sorrio para ele enquanto visto minha blusa.
—Hum... Os dois?— olho em seus olhos, um profundo violeta misturado com uma pontada de dourado, os cabelos loiros caem-lhe aos olhos e seu corpo musculoso está bem definido de baixo do fino lençol branco— Sabe, você não pode simplesmente ir. Precisamos de você aqui.
Levanto uma sobrancelha em sinal de dúvida.
—Ok, eu preciso suprir minhas necessidades sexuais!
—Agora virei sua escrava sexual?— sorrio enquanto ele me puxa para um longo e delicioso beijo
Quinn é meu melhor amigo. Bem, o conheço desde que me entendo por gente, e desde que o faço ele tem esse ar super protetor (ainda acho que é ciúme). Não temos uma relação séria, eu acho. Meus sentimentos por ele estão momentaneamente confusos. Antes eu tinha uma quedinha por ele, mas foi suprida quando começamos á “sair” frequentemente. Agora não sei mais se nos amamos ou apenas fazemos sexo casual. É uma relação meio estranha.
— Vai mesmo fazer isso, certo?
— Certo.
— Por que diabos decidiu isso da noite para o dia?
— Eu quero ir!
— Então eu te levo pra Antiga Mansão— ele se levantou rapidamente e colocou uma calça.
— Ok... — tirei a blusa e, repentinamente, decidi que usaria vestido. O sol estava escaldante— Vamos! Eu quero ser escolhida!
[...]
Como previ, o sol estava muito quente. Quinn me deixa em frente á antiga mansão, com um beijo de despedida, ele sussurra em meu ouvido: “Estarei contigo na hora da escolha. Espero que saiba o que está fazendo, Feels”.
Entro na mansão. Está praticamente vazia. Aparentemente, pessoas da Capital acham melhor ficar em casa do que morrer publicamente. Entro na pequena fila, retiram pequenas amostras de sangue das pessoas á minha frente e hesito. Eu odeio que me furem. Mas, mesmo assim, continuo até que chegue minha vez. Há uma mulher em minha frente, ela está com um sorriso forçado e parece estar prestes á chorar.
Quando, finalmente, chega minha vez, coloco minha mão na mesa e um pacificador retira uma amostra do meu sangue, me entregando uma ficha logo em seguida.
Nome: Feelcy Klist
Idade: 19 anos
Endereço:
Motivo:
Motivo seria o mais difícil para mim.Fixo meus olhos no teto. O azul dançante me lembrava a noite da aposta. Os cheiros doces, a grande casa de praia dos meus pais, o mar batendo em meus pés descalços convidando-me á entrar... Quando escuto Lauren me chamar para me juntar ao grupo. Ela está com um copo de bebida roxa e borbulhante na mão. Corro na praia até chegar ao grupo reservado de amigos. A fogueira crepitante sobe e desce, levando suas chamas até o alto da noite e, então, desce, como se temesse a escuridão, de alguma forma.
Pego uma taça da bebida vermelha e borbulhante e bebo, o líquido desce queimando pela garganta, mas a sensação é boa. A roda reservada de amigos me parece mais convidativa, as brilhantes estrelas no céu misturam-se com a escuridão formando um efeito estonteante.
— Entediante...— escuto a voz de Lauren ao meu lado— Vamos fazer algo mais emocionante!— ela soluça e bebe mais um gole de sua bebida roxa e borbulhante. A qual eu sequer sei o nome.
— Apostas. Apostas sempre dão certo!— disse o garoto ao meu lado, eu estava muito entretida com o efeito de minha bebida para lembrar-me seu nome— Ou errado. Mas é isso que as torna apostas!!!
— Apostas. Vamos, apostas!
— Quais serão as consequências para quem não as fizer...?— pergunto, cautelosa.
— Quem não as fizer...— Vizzi pareceu pensar— Se alistará nos Jogos desse ano!
— Nada mal— sorrio. Vizzi tem uma mente diabólica!— Estou dentro. O que vocês apostam?
Após uns cinco minutos de pura discussão sobre a aposta, ficou decidido que se alistar nos Jogos seria a decisão final. Não me lembro bem da aposta, mas sei que eu fiquei com a pior. Não por que perdi a aposta ou algo do gênero, mas por que Lauren foi escolhida.
Lauren é uma menina dois anos mais nova que eu, entretanto está sempre andando com gente mais velha. Costuma ser ingênua e muito emotiva, daquelas pessoas que estão chorando quer estejam felizes, quer estejam tristes, quer estejam medianamente bem. Está sempre reclamando também.
Ela, por algum motivo, não cumpriu a aposta. Como era nova de mais e muito emotiva, eu cedi á sua choradeira e “paguei a prenda” no lugar da garota. Eu não estava arrependida. Nem um pouco. Aquilo seria bom, eu iria voltar vitoriosa, minha, vamos assim dizer “popularidade” ia aumentar em mil por cento e... Eu não descumpro apostas.
Parei com meus devaneios e me virei para a folha em minha frente. Estava prestes á colocar “Não descumpro apostas”, quando vejo o pacificador me observando atentamente.
Motivo: Desejo sangue inimigo.
O que não é uma total mentira, eu desejo sangue.
Quando terminei de preencher o papel, o entrego para o pacificador e volto para casa. Meus pais esperam orgulhosos na entrada. Eles foram, um dia, do Distrito 2. Valorizam o fato de eu ter me alistado. Abraço-os.
— Fez a coisa certa, querida— diz papai. Seus olhos não caem lágrimas, mas posso ver o orgulho estampado ali.
Entro pra casa, onde faço tudo o que tenho que fazer, desde tomar um longo banho até tomar outro longo banho. Quando saio, já vestida, dou-me conta de que meus sapatos sumiram. Foram eles. Meus furacões pessoais que tenho o prazer de chamar de irmãos.
— Gringwald! Winst!— grito— Meus sapatos!
Vejo duas cabecinhas ruivas surgirem na porta.
— Seus sapatos?— Gring pergunta com um sorriso travesso.
— Eu não vi— Winst completa.
— Ah, vamos, cabecinhas de fogo! Eu preciso deles!— fiz minha melhor carinha triste que os convence.
—Obrigada!— sorrio e bagunço seus cabelos.
Depois de pronta, desço, apenas para descobrir que faltam apenas três minutos para as 20h. Quinn ainda não chegou.
Sento-me e belisco alguma coisa, entretanto, meu estômago está virado de ansiedade. Quando a porta abre, corro até os braços de Quinn, ele me dá um longo beijo com a mensagem de “Acalme-se” e caminhamos, juntos, até o imenso jardim, onde estão televisionando Gavril Flickerman. Escutamos palmas, então as enormes letras anunciando que o programa estava para começar.
Com a tecnologia atual altamente avançada permite aos telespectadores verem as coisas como se estivessem realmente lá. Sentimos cheiro, o holograma do palco, escutar as coisas sem interferência alguma...
A centralizada cadeira vermelha vira, vemos Gavril. Ele tem um enorme sorriso estampado em seu rosto, o cabelo verde e a sobrancelha combinando, a pele muda de cor á cada ano, ano passado fora uma pele azul, esse ano é um amarelo. Não se pode dizer que Gavril é feio, não, nem um pouco, ao contrário do pai, ele é bonito, tem os ombros largos e a cabeça erguida. Usa um terno laranja brilhante vibrante, especialmente feito para a data.
—Boa noite, Panem!— ele faz uma pausa—Hoje estamos aqui para anunciarmos o nome dos nossos participantes dos JOGOS VORAZES!
A plateia irrompe em palmas, as cores vibrantes da Capital ficando evidentes.
—Anos atrás, os distritos se rebelaram da tirania á qual eram infligidos—escuta-se alguns murmúrios na plateia— Vidas foram tiradas para que nossa sociedade viva em paz. E, finalmente, chegamos naquilo que chamamos de “Elísio”— a plateia aplaude o comovente discurso de Gavril— Embora tenhamos deixado a Era Sombria para trás, os Jogos continuam! De uma forma mais “pacífica”— a plateia sorri e ele também. Apesar de que agora os tributos colocam seu nome no sorteio por vontade própria, os jogos continuam sendo sangrentos— Então, agora, caros cidadãos de Panem, os nossos sorteados!
Aperto forte a mão de Quinn. Sinto que ele está tão nervoso quanto eu, e não digo isso só por que estou segurando sua mão, que está impressionantemente gelada e molhada.
Membros da Capital são os primeiros, por motivos óbvios. Gavril, então, abre um amplo sorriso.
— Começaremos pelas mulheres!— aperto a mão de Quinn mais do que antes. Eu preciso ser escolhida — E, de nossa amada Capital... Feelcy Klist!!!
Meus joelhos quase cedem. Quinn murmura um palavrão. Não posso acreditar... Sou levada até um palco no meio do jardim. Enquanto isso, Gavril continua falando os nomes. Outros tributos sobem ao palco comigo. Estão todos surpresos, talvez, e alguns até orgulhosos (como eu estava). Procuro gravar bem suas faces. Se tudo ocorrer da forma que eu espero, em pouco tempo estarão todos mortos.
Eu durmo como um anjo nessa noite. Talvez seja a última que vou realmente dormir. Não sonho, apenas um vácuo profundo... Acordo cedo, talvez mais cedo do que o esperado, e o sol sequer nasceu. Passo um tempo em claro, com apenas uma pequena luz acesa no fundo do quarto. Observo o céu e as estrelas, uma lua brilhante. Seria a mesma da Arena?
Quando o Sol finalmente desce, escuto meus pais conversando no andar de baixo. Eles não acordam essa hora... Coloco a cabeça para fora do meu quarto, mamãe está eretamente sentada no sofá e papai está em pé, bebendo algo.
—Não é um orgulho?— mamãe pergunta, sorrindo.
—Pelo menos agora, sim... Vamos ver quando ela entrar na arena com aqueles tributos sedentos por sangue...
—Ela vai ganhar. É a nossa garotinha.
—É isso o que me preocupa, May— ele diz— É isso o que me preocupa.
Rapidamente, volto para meu quarto, até a hora que escuto a porta se abrir. Rapidamente desço as escadas, vejo dois pacificadores tomando café, pacientemente. Há um homem sentado entre eles e três mulheres.
—Aí está ela!— exclama uma das mulheres. Ela tem os olhos amarelos e um extravagante cabelo combinando— Venha aqui, deixe-me olhá-la!— seus olhos amarelos explodem de felicidade.
Caminho até ela, que com um sinal de aprovação, passa-me para uma inspeção com outra mulher da pele rosa.
—Você tem cabelos lindos!— ela passa a mão em meu cabelo ruivo, como se estivesse com algo muito precioso em mãos— Sedosos... Macios... Mas acho que se fossem verdes...
—Deixe-a em paz, Pipy— fala o homem, levantando-se— Finnicyus, prazer. Essas são Pipy— aponta para a mulher de pele rosa— Yaccola— aponta para a mulher de olhos amarelos— E Dybbe.
Finnicyus é alto e, se o visse na rua, jamais diria ser um estilista. Os músculos bem definidos debaixo da blusa azul escuro e calça. O cabelo negro com alguns fios também azuis. A pele clara e com um leve blush azul.
É quando alguém entra. Um homem novo, não deve ser nem cinco anos mais velho do que eu. É loiro, alto e tem os olhos da cor do oceano. Em seu rosto há um sorriso tranquilo.
—Prazer, Feelcy. Sou seu mentor, Percy— ele estende a mão, e eu aperto-a. Um aperto de mão tranquilo— Espero tirá-la da Arena com vida.
— Espero sair de lá viva.
— Atitude... Útil— ele pisca um olho pra mim.
Os pacificadores terminam de tomar café, dou um abraço apertado em mamãe e papai.
— Volte para nós, Feel— sussurra ela em meu ouvido.
— O farei, mãe...
Aperto a mão de meu pai, mas logo ele me puxa para um abraço apertado e, particularmente molhado.
Meus furacõezinhos aparecerem para se despedir.
— Vou sentir falta de vocês, cabeças de fogo...
— Pra onde você vai, Feel?— pergunta Gring.
Estou prestes á entrar na choradeira. Eu quero ir, muito. Mas a carinha de bebê de Gring e Winst me faz querer abraçá-los e nunca mais soltar.
— Sua irmã vai orgulhar a família— responde meu pai.
— Vou sentir falta de vocês, pequenos...
— Você volta, não é, Feel?— West pergunta inocentemente.
— Eu...— prometer algo quando se está indo para os Jogos é muito arriscado— Eu farei o possível.
Bagunço o cabelo dos dois e acompanho os pacificadores e minha equipe, lançando um último olhar para minha família. É quando vejo Quinn aparecer correndo.
— Você já...?
— Sim— abaixo a cabeça, ele levanta meu queixo para um beijo.
— Volte para mim, Feels. Volte para todos nós.
—Voltarei, Quinn... Eu voltarei...
— Preciso de uma escrava sexual— diz ele baixinho em meu ouvido. Coro e abraço-o. Não é um abraço egoísta, não desejo nada dele... É um abraço puro e sem “fins lucrativos”—Eu te amo, Feels. Sabe disso.
Aceno com a cabeça e sigo minha equipe de preparação e, só então, lanço meu último olhar para minha família. Meu pai exibe um sorriso orgulhoso, juntamente á minha mãe. Winst e Gring estão agarrados á perna de nossos pais, talvez confusos. São muito novos para entender... E eu os invejo por isso. Quinn está com aquele sorriso de canto de boca sexy e tenta parecer calmo, como sempre.
— Eu amo vocês— murmuro— Muito.
Entro no carro e, rapidamente, estamos num enorme prédio mais afastado dos demais. O lobby é extravagante, como todas as outras coisas na Capital. Posso ver, através de uma porta de vidro, um jardim no centro no prédio. Subimos no elevador panorâmico, de onde vejo mais de perto o jardim. Tributos da Capital são no primeiro andar, então fico muito, muito, muito perto do jardim, é uma visão maravilhosa. Há uma fonte de água no centro, várias flores e árvores.
Quando a porta se abre, vejo o apartamento.
Então é aqui que tudo começa. Ou termina.





