FILHO DA PUTA
A você, todo desprezo, mas não somente; também todo o meu intenso e confuso amor.
Me teve nas mãos, como a muito tempo não tinham tido; e me fez especial. Me fez centro do universo, centro das atenções. Ah, como eu amo ser o centro da sua atenção. Era a tua pessoa, e você a minha. Por pouco, quase me arrisquei. Quase me rendi. Filho. Da. Puta!
Por carência, talvez, acreditei em cada palavra, cada gesto, cada sorriso, cada elogio. E é como se fosse preciso gritar: Filho. Da. Puta! Porque eu te quis, e ainda quero. É impossível não querer te tocar, te pertencer, te devorar. E eu quero gritar para todo o mundo ouvir (até que você me ouça), os piores insultos que sou capaz de proferir. Não por ódio, longe disso! Apenas porque é a minha maior tentação.
Filho. Da. Puta! Muito diferente da forma que me vi tão teu: gradativa e veementemente, me vi distante. Mais distante que plutão do sol, o mar da lua, as estrelas do chão. Tão distante, que, da sua parte, não era mais tão teu.
Apesar de toda perversidade, te agradeço por me ter sido um dos melhores troços que já passaram pela minha vida. Querido filho da puta.
- DUDU VILLA






