Ego
Eis a fonte da minha felicidade momentânea. O aumento do meu ego. Um adjeto qualificativo que me é dado por outros e me enche o peito de orgulho. Tudo ego. Uma palavra pejorativa que me é atribuída e logo abala-me. Ego ferido. Quando escondo meus defeitos e exponho num telão minhas poucas qualidades. É só o desejo de que vejam algo belo em mim, e que pensem bem de mim. Que me olhem e me digam, nem que seja com olhares, que eu presto. Isso reflete em algum espelho imaginário e me vem de uma forma que me preenche e me deixa mais convencida de mim mesma. Isto talvez seja porque eu dou valor de mais ao que as pessoas pensam de mim. Mas o que eu mesma penso de mim?
Talvez neste momento não exista uma resposta adequada para esta pergunta. Acho que nem ao menos me atrevo a pensar sobre isto. Sobre quem eu sou. Sobre o que eu estou fazendo. Acho que se eu fizesse isso enlouqueceria. Nunca acho que estou fazendo o certo. Para mim sempre há uma opção melhor. Algo mínimo que eu poderia ter feito. Mas poderia é passado não feito. E o que passou e não tem mais possibilidade de mudar, nós devemos deixar para trás. Por isso, prefiro não pensar. No que sou, no que fiz, no que estou fazendo. E para não viver as escuras, me ilumino com as visões que os outros têm de mim.











