Como sempre acontecia quando Conrad e Olivia estudavam juntos, depois da primeira hora de leitura e escrita intensiva, ambos perdiam o foco no que quer que estivessem fazendo e começavam a conversar sobre assuntos triviais, até que se viam discutindo sobre coisas aleatórias e complexas, como a importância da fé na vida dos trouxas. Naquele dia, portanto, não podia ser diferente. Eles estavam sentados em uma das mesas mais distantes da biblioteca, justamente por reconhecerem a existência do hábito secreto, e Olivia ria baixinho da piada que escutara em uma aula matinal. Entretanto, apesar de Conrad ter se divertido com tudo o que eles haviam dito até aquele momento, o sorriso começou a desaparecer gradualmente de seus lábios, deixando evidente para Via que ele ia introduzir um assunto mais sério. “Então, antes que eu diga qualquer outra coisa, preciso que você saiba que isso não significou muita coisa para mim. Quero dizer, significou, mas, não significou.” O grifino suspirou com certa exasperação ao escutar a sua frase terrivelmente confusa. As palavras não deveriam estar saindo daquela maneira. Pensou e, apesar de frustrado, Conrad não se sentiu desconfortável, depois de anos de amizade com Via, sentia como se tivesse vivido sua vida inteira com ela ao seu lado. As coisas simplesmente eram certas e fáceis. Sorriu. “Eu sei que você vai ficar morrendo de vontade de saber o nome da garota, mas sem nomes, certo? Tudo o que você precisa saber para o começo desse relato é que aconteceu com uma sonserina.” Explicou, dando mais um suspiro, antes de umedecer os lábios. “Bom, eu estava meio melancólico por causa de Astrid, não era tristeza, era só...melancolia, e sai da comunal para fumar e acabei esbarrando com essa... garota nessa sala que pensei que estivesse vazia. Antes que você diga qualquer coisa, eu não estava planejando ficar, mas precisava de um isqueiro e o cigarro dela foi o substituto.” Falou, não conseguindo conter a lembrança dos olhos vibrantes de Coriane. A penumbra apenas a deixou mais poética. Quando percebeu, porém, que já havia permanecido mais tempo em silêncio do que o necessário e normal, pigarreou com leveza. “Bem, a questão é que houve um momento durante a conversa que eu realmente...puta merda. Eu realmente quis beijar essa menina, Via. E não no sentindo romântico da situação, porque você sabe que não acredito em segundos amores. É só que...desde Astrid, nunca houve nenhuma menina que eu sentisse qualquer atração. Qualquer. E, então, com ela, eu senti.” E o sorriso não poderia ser roubado do rosto do grifino. Porque era tão largo e sincero que, qualquer ato contra ele, seria considerado um crime. A felicidade tomava conta de seu corpo porque a noite com Coriane lhe provou que ele ainda era capaz de sentir. Amar, não, mas sentir...sim. “Acho que aquela foi a primeira conversa que tive com Car- a garota, e por isso, é claro que não gosto dela ou qualquer coisa do tipo, mas, eu acho que fazia tempo desde que eu queria tanto uma coisa. Isso só pode ser um bom sinal, certo?” Conrad perguntou esperançoso, enquanto buscava as mãos de Olivia para apertar, em um gesto completamente inconsciente. “Sentir atração por aquela garota significa que eu estou, certamente, conseguindo superar a Astrid, não é?” E, novamente, o sorriso aparecera em seus lábios. A esperança brincando sobre seus olhos e a felicidade escondida por trás de sua exasperação.