Do seu chalé de Somno/Hipnos, Daniel observava em silêncio uma pequena multidão se formando em torno de uma fogueira que parecia ser bastante acolhedora e quente. Embora tivesse a sensação de que deveria ir para lá devido à presença de alguns de seus amigos, ele sabia que também não se sentiria tão bem-vindo como gostaria. Ultimamente, Daniel estava se tornando mais fechado e recluso dentro do seu próprio quarto por causa de inúmeros motivos. Primeiro, foi sua briga com Aro, onde o rapaz estava bêbado e não conseguia controlar suas emoções fortemente. Depois, o beijo surpresa dado pela filha de Éris que influenciou numa fuga de Daniel na mesma hora, um ato incomum para o rapaz namorador. Era como se a presença de Heidi lhe provocasse coisas que ele não conseguia discernir propriamente… Em seguida, a briga também com sua ex, Rebecca, mostrando um lado seu quebrado que ele tentava esconder mandando-o para o fundo do baú.
Além disso, a chegada de uma deusa, considerada como inimiga pelo rapaz, com outras duas criaturas trouxe-lhe mais inquietações. Era como se ele não conseguisse se sentir bem num local que estava desde seu nascimento, literalmente. E era doloroso demais. Daniel apenas saía do seu quarto para poder fazer suas responsabilidades como centurião de sua coorte e passar com seu novo amigo. Na verdade, o único que estava aguentando o filho de Somnus. Soninho, o cachorro adotado pelo rapaz, era um bom animal bem esperto e acolhedor ajudando Muller a passar por esse momento tão complicado, pelo menos, para ele. Estava cansado e Soninho era o ser que ajudava-o a relaxar, por isso, Daniel sentou-se de volta em seu colchão após ter passado um bom tempo em pé encarando o lado de fora.
É claro que uma parte sua desejava sair daquele local que parecia estar se tornando mais chato e monótono para ele, mas, assim que pisasse do lado de fora, ele voltaria em menos de um segundo. Não sentia a mesma agitação que sempre sentiu pela sua vida, e isso era bem estranho pelo fato de estar fugindo do repertório de comportamentos padrões do garoto. Então, a sua escolha era ficar naquele local com a companhia de seu cachorro, o qual dava-lhe sensação de conforto… Deitado, agora, em sua cama, Daniel fazia carinho em meio as orelhas alheias, olhando fixamente para parede sem nenhum pensamento fixo rodando. Era como se sua concentração estivesse fluindo para todos os cantos sem conseguir parar em um canto só. Até que ele escutou um bater nas portas.
Soninho saiu correndo até lá latindo um pouco e Daniel seguiu-o abrindo, em seguida, a porta para encarar o filho de Febo. Rogério, quer dizer, Roger estava parado com o mesmo sorriso presunçoso que Daniel conhecia, porque era o mesmo que o filho de Somnus usava quando estava em algo, provavelmente, errado. Então, Daniel foi logo dizendo um não para qualquer plano alheio. É claro que não foi suficiente para o que vinha depois, ou seja, em menos de alguns segundos, Daniel estava todo vestido para uma noite na fogueira sendo arrastado pelo filho de Febo. Claro que seu cachorro veio junto todo brincalhão, enquanto, seu dono tinha uma expressão marrenta em seus traços faciais. No outro dia, Daniel havia prometido para Roger, iria fazer com que o filho de Febo pagasse de alguma maneira, pois ele tinha retirado o mais velho de seu refúgio. Por outro lado, ele não admitiria ao amigo, mas sentia-se feliz também por Roger ter aparecido em seu chalé.
Agora, Daniel estava do lado de fora no meio da paisagem que ele tinha observado minutos antes. Era estranho, ele admitia, pois não pensava que a fogueira e a animação alheia seriam tão acolhedores. Seu cachorro também se divertiu, passeando por meio de pequenos grupinhos e ganhando diversos carinhos também. Enquanto isso, Daniel estava com um copo de suco e uma bandeja de biscoito de chocolate comendo no seu canto. Ele tinha avistado vários seus amigos, mas não se sentia pronto ainda para falar com cada um. Era melhor, por enquanto, ficar entre as sombras. Essa sua decisão ficou ainda mais forte após ele ter avistado algumas carinhas de quem ele fugia: Heidi, Aro e Rebecca. Sabia como estava a relação com eles e não queria estragar a noite deles por causa que não conseguia controlar sua língua. Então, estava bem no seu canto escutando em silêncio as histórias aleatórias de alguns campistas.
No entanto, algo aconteceu. Daniel deveria ter previsto aquela situação. Toda vez que ele se juntava a um momento, algo de errado acontecia. Já tinha até se perguntado se era ele o pivô do caos e também, já considerava ser possível. Gritos, passos altos, barulhos de algo se quebrando começaram a ser ouvidos pelo rapaz. Ele levantou-se rápido e começou a procurar por seu amigo animal, chamando-o em meio aos gritos do acampamento. Então, algo explodiu perto dele (dado 11) jogando-o em direção a uma das coortes. Daniel estava acordado sem algum ferimento, apenas seu corpo estava sujo, levantando-se na mesma hora e vendo Vitus ao seu lado. Então, escutei a voz de Amélia também e sabia o que deveria fazer.
Reunião numa fogueira. Nossa, Connor não se lembrava se tinha aquela tradição do Acampamento Meio-Sangue no seu mundo romano e isso era uma total falta. Ele nunca tinha experimentado algo do tipo, embora tivesse visto de longe algumas reuniões pequenas acontecendo de vez em quando nas horárias mais tardes da noite. Ele tinha a curiosidade de saber o que acontecia em cada um, como funcionava, se tinha um limite e essas coisas. E, embora fosse parecer ingênuo com esses eventos, Connor não tinha vergonha disso. Na verdade, admitia que realmente não conhecia nada daquele universo e estava disposto a experimentar. Queria muito. Essa aventura pequena acabou se tornando uma de suas metas pessoais que ele não compartilharia para ninguém.
A noite estava bonita, relaxante, quieta e acolhedora. Embora adorasse mais o dia devido ao fato de que poderia descontar sua agitação, Connor não poderia negar que o anoitecer também tinha suas belezas e os sentimentos bons que vinham com ela. Era uma boa sensação. Além disso, a companhia de seus amigos faziam toda a diferença. Como Amélia, a qual ele conhecia desde que tinha chegado ao acampamento e que tinha voltado recentemente, era uma presença necessária na vida de Connor e estar ao lado dela em um momento de amizade e calmaria, não tinha nenhuma comparação. Era como se estivesse em casa, ao lado de sua irmã que não tinha contato há um certo tempo. Amélia acabou se tornando uma irmã para ele e Connor ficava feliz por ter feito as pazes com a menina deixando seu orgulho de lado.
Além da filha de Júpiter, também havia outras pessoas que Connor tinha feito uma promessa de que protegeria-as contra qualquer ataque. Uma dessas pessoas era AJ, o filho de Netuno. Embora tivesse tido várias brigas com ele por causa de assuntos que Connor não entendia ainda o motivo de serem considerados o estímulo das brigas, ele não podia negar que o momento ao lado do garoto causava-lhe sensações boas. Era um segredo que ele levaria para seu túmulo, ao não ser se algo acontecesse para ele revelar aquele fato. Ele tinha medo, mas estava tentando tecer uma nova jornada, principalmente após o último ataque.
Então, era como se uma vida nova se passasse com o filho de Discórdia. Depois de perder a sua perna pelo cão infernal original no primeiro ataque ao seu acampamento, parecia que ele tinha renascido. Sentia-se mais leve e feliz com a determinação de tornar os dias melhores tanto os seus quanto os de seus amigos que ele considerava como uma família, mesmo com brigas acontecendo. Bem, família era sim. Inclusive, até seus pensamentos acerca do universo mitológico estavam transformando-se, ou seja, ele não sentia a raiva dos deuses por causa de todo desastre que acontecia no momento. A presença de Hécate, para o rapaz, poderia ser interpretada atualmente como um sinal de esperança, a qual fazia há um tempo que não parecia para ele. Esperança era algo complicado para Connor, mas ele estava tentando mudar essa situação.
Connor, como muitos outros semideuses, estava sentado perto da fogueira contando histórias de terror, mesmo que várias risadas fossem ouvidas em seguida devido às reações das crianças e de outros campistas mais velhos. Era um sentimento de pertencimento que voltava a crescer no coração do filho de Discórdia, e ele não desejava perder aquela sensação nunca mais. Já tinha perdido uma vez, no passado, quando sentia-se deslocado e com raiva de todo mundo, até mesmo daqueles que ele era mais próximo. E, ele admitia secretamente, foi uma época difícil e complicada. Tinha noites que ele não conseguia dormir por causa da vontade de não se sentir bem em seu dormitório. Connor era um bom rapaz, só precisava controlar seus impulsos e era o que estava tentando fazer ultimamente. Ele levantou-se do local e andou em direção ao refeitório para pegar alguns marshmallow que faltavam nas mesas perto da fogueira. Ofereceu-se para ir sozinho, pois já estava acostumado com aquela caminhada e o que poderia acontecer?!
Ok, talvez a gente devesse ter cuidado com o que falávamos. Connor estava pegando alguns sacos quando escutou um estrondo vindo da fogueira e depois gritos com uma fumaça ao longe. Imediatamente, suas mãos soltaram as embalagens em meio aos seus pés, enquanto a mão esquerda apertou o botão do pingente do machado em sua pulseira na outra mão. Rapidamente, a arma apareceu em sua mão e ele balançou como sempre fazia quando sentia a energia que o instrumento almejava, então, começou a correr em direção ao seu destino não se importando em juntar as embalagens com a comida. O importante era a batalha que parecia acontecia na fogueira e ele torcia para que ninguém tivesse ferido. Ninguém.
Ariel não era do tipo de campistu que passava a noite em uma fogueira contando as coisas. Embora fosse uma tradição que elu conhecia desde criança, não tinha participado de muitas, pois sempre gostava de ir se deitar cedo. Esse seu comportamento, ao longo dos anos, acabou tornando-se um costume da personalidade de Ariel, mesmo tendo diversos convites para passar a noite em reunião. É claro que a prole de Cupido sabia que era divertido aquela ocasião passando um bom momento e tranquilo com seus amigos, mas, elu tinha um cronograma que mantinha sua vida organizada e não gostava de quebrá-lo. Na verdade, o motivo de sua decisão de se ausentar cedo era o fato de Ariel tirava um tempo para conversar com sua falecida mãe por meio de sua escrita ou de sua fala, embora não tivesse esperança que teria alguma resposta de volta.
Então, lá estava elu despedindo de seus amigos, como Vincent, o filho de Hades que elu tinha um grande carinho e ajudava-o com as questões de socialização. Já estava ficando tarde e elu queria chegar logo no seu dormitório. Com as mãos dentro do bolso, elu foi andando em silêncio em direção ao local onde dormia entrando devagar, na mesma hora. Encarou-se no espelho da frente observando seu rosto cansado dos problemas que o senado estava trazendo, mesmo não odiando seu trabalho. Na verdade, Ariel ficava orgulhosu por ter recebido aquele importante papel em um local que antes, e ainda é, conservador. Então, adorava fazer a diferença.
A prole de Cupido estava trocando de blusa quando escutou uma explosão. Franziu o cenho, considerando que pudesse ter sido algum monstro batendo contra as muralhas de Termino como já aconteceu em diversas ocasiões. No entanto, começou a escutar diversos gritos em toda região de sua coorte fazendo com que seu coração começasse a palpitar com medo do que poderia estar acontecendo. Sem vestir nenhuma camisa devido à adrenalina que já percorria pelas veias de seu corpo, Ariel saiu atordoadu do seu dormitório e parou um campista qualquer perguntando o que aconteceu. Elu só conseguiu entender, por causa da agitação alheia, as seguintes palavras: ataque e perigo.
Imediatamente, a prole de Cupido entrou e vestiu qualquer blusa que estava perto delu (uma camiseta velha de pijama) e saiu correndo em direção ao som que havia escutado. Ariel estava com uma energia intensa percorrendo pelo seu corpo em busca de saber quem seria responsável por estar orquestrando aquele ataque contra seu precioso acampamento. Odiava qualquer pessoa, imortal, monstro que estava invadindo o seu último lar, visto que o anterior tinha sido destruído naquela guerra desnecessária com zero argumentos. A raiva também já brotava em seu coração. Elu lembrava daquele sentimento muito bem, pois já tinha sentido-o diversas vezes em sua vivência no mundo mitológico, um exemplo foi no último ataque que tinha acontecido também no acampamento Júpiter. Ariel perguntava-se se haveria um dia de paz naquele local, ou em sua vida.
Enquanto corria em uma velocidade que poderia fazer inveja até para o próprio deus da velocidade Mercúrio, Ariel desviava das batalhas que apareciam na sua frente notando alguns rostos conhecidos, como um trio formado por Connor, AJ e Audrey, lutando freneticamente contra monstros terríveis. Até considerou parar para poder ajudar, mas parecia que sua atenção estava sendo atraída para algo mais pesado que se desenrolava mais para o centro da batalha. Talvez fosse algo pesado... Como a presença de algum deus. Oh, no. Foram as palavras que elu pensou na mesma hora sentindo a raiva intensificar mais, pois achava rídiculo aqueles imortais se metendo. Na verdade, a guerra toda era uma bosta, de acordo com o que a prole de Cupido pensava.
Era possível escutar o coração acelerado de Ariel batendo contra as suas costelas e não era por medo, e sim vontade de meter uma surra naqueles caras que tinham decidido irem afrontar o seu acampamento. A sua paz noturna tinha ido para o lixo em poucos segundos. Com a mão em seu pescoço, elu puxou seu colar roxo e acionou o botão para que sua espada lover aparecesse rapidamente em suas mãos. Estava prontu para uma batalha que enfrentaria com garra e força jamais vistos por alguém.
P.O.V - Daniel Muller: A verdade é nua e crua - Capítulo único.
Um fato que te ensina no minuto em que você ou é escolhido pela loba ou mandado para o acampamento, é sobre a sobrevivência a cada instante. Não importa onde você decida viver, terá que resistir até o último segundo contra toda força maligna que ronda as sombras. É claro que nem sempre alguém conseguia escapar das armadilhas que o mundo cria, apesar de haver exceções onde as pessoas cresciam, formavam ou não uma família, e envelheciam depois de tantas lutas. Isso era um sonho antigo de Daniel, que alimentava-o de tempo em tempo, mesmo as pegadinhas aparecendo como se não fossem nada.
Daniel já tinha passado por diversos acontecimentos em sua vida que, algumas vezes, duvida como estava vivo. Abandonado pela sua própria mãe aos filhotes de um animal considerado carnívoro pelo ambiente para fugir, quando mais velho, em busca de respostas de sua matriarca para ser mais uma vez magoado e deixado por sua mãe. Naquele momento, parecia que não havia mais esperanças para formar uma família, a qual Daniel deseja desde que percebeu estar sozinho em um local enorme. Até que uma ajuda desconhecida salva-o de seus próprios pensamentos perigosos sendo o pontapé inicial para que Daniel formasse um novo estilo de vida. Seus medos ainda ficariam, mas colocaria seus comportamentos sociáveis acima de todos para evitar que caísse de novo. Após a ajuda desconhecida, que se tornou depois permanente, recebeu uma oferta que mudou sua vida totalmente…
Embora só estivesse de volta no acampamento há sete meses, para Daniel, aparentava uma vida toda. Era como se nunca tivesse saído daquele local. É claro que ele sentira falta: de sua coorte, do refeitório, dos campos de girassóis, da nova roma e de seus companheiros. No entanto, existia uma pequena semente, que ainda não havia germinado, de incômodo. Não algo desconfortável em relação ao acampamento e as pessoas em si, mas, sim, ao fato de que Daniel estava começando a não se sentir em casa. Havia passado longe demais e isso afetou o seu sentimento de pertencimento em relação a um lugar, que antes era chamado de casa.
É claro que Daniel não contaria a ninguém, pois, nem ele mesmo, sabia daquele fato. Era melhor assim, pelo menos, por um tempo pelo fato de que uma guerra estava batendo na porta de todos, principalmente dos semideuses. A guerra. Havia às vezes que o garoto parava para se perguntar como poderia existir paz naquele mundo místico, e finaliza com uma afirmação de que faria qualquer coisa para que pudesse promover a harmonia e a tranquilidade que ele e seus companheiros necessitavam. No entanto, não seria possível tão cedo e ele precisaria lidar com tudo que já estava acontecendo e, essencialmente, o que vai acontecer. O mesmo conflito que trouxe-o de volta para casa também proporcionou a chegada de novos campistas, o lado grego, o qual Daniel tinha tido conhecimento quando passou um tempo com um velho amigo e depois com o grupo de ceifadores. Essa situação rendeu-lhe muitas vivências boas, mas também ruins, apesar dele tentar não pensar muito no lado negativo.
Então, o primeiro evento ocorreu. Era uma atividade que Daniel não tinha tanto conhecimento por ser do outro acampamento, mas isso não dizia que iria tentar vencer. Era sedento por vitória e faria de tudo para obtê-la, por isso acabou ficando no ataque pelo lado direito com sua besta em suas mãos e inúmeros virotes guardados dentro de sua aljava. A sensação era boa. Ele se sentia mais agitado do que o normal, e isso demonstrava que era filho de alguém totalmente diferente. Somno. Daniel não se via em nada com o pai, embora soubesse que o deus tinha diversas personalidades assim como um sonho tem. Isso poderia ser prejudicial em algumas horas, mas, em momentos de alerta, Daniel era um dos melhores vigias que poderia existir.
Assim, quando escutou o bater de asas, seu corpo virou em poucos segundos em direção à fonte. Era uma fúria. Daniel já tinha enfrentado uma durante seu tempo nos ceifadores, quando precisou cumprir uma tarefa. Agora, era um novo desafio… No entanto, Daniel não percebeu quando foi atingido duramente com um golpe na cabeça por um ciclope que tinha saído das sombras. Então, nada de luta. Ele ficou sabendo que só não foi morto porque outros semideuses tinham aparecido na mesma hora e salvaram-o… Daniel sentiu-se constrangido com sua falta de ação. Seu tempo na enfermaria não foi demorado, pois não estava com ferimentos graves. E isso foi essencial para que o rapaz decidisse que treinaria horas e horas… Mas, o destino tinha outros planos.
Era uma manhã chuvosa quando Daniel acordou sentindo-se tonto vendo pontinhos pretos surgindo ao encarar qualquer coisa. Foi mandado, então, para a enfermaria para que pudesse ter um repouso e pudesse recuperar sua força vital. Passou uns três dias ao lado de outras pessoas, e o seu tempo ali era apenas observar a entrada e a saída de semideuses e outras criaturas. Perguntava-se se alguma coisa estava acontecendo, mas não obteve resposta por algum tempo… Até que acordou no quarto dia com sua força melhorada e ficou sabendo que a deusa Selene, que recebeu ajuda do filho de Mercúrio, tinha ido para o acampamento e estava ajudando-os a recuperar seus poderes. Então, era aquilo: estava fraco porque algo mudou sua força…
Daniel decidiu que aquilo não iria mudar seu humor, pois, então, quando saiu da enfermaria, ele voltou a treinar da mesma maneira de antes e agir alegremente com todos. Bem, a maioria. Existia alguém que causava-lhe sensações estranhas, as quais ele não fazia ideia do que significavam e demoraria para encontrar os significados. Era melhor assim. Estava em uma guerra e o seu foco iria ser na guerra. Inimigos cercavam o acampamento, embora soubesse que poderiam haver alguns dentro do local. Era preciso ter cuidado e atenção, principalmente com a chegada dela.
Hécate, a deusa da magia, a qual estava no outro lado do conflito. Ele se perguntava como poderiam acreditar na deusa, principalmente, depois de todos os sofrimentos que tinham passados. Perdas ocorreram. E ele não deixaria aquela deusa sair sem um julgamento. Não era o certo. Então, encontrava-se no campos de Marte, socando um saco de areia fortemente e imaginando ser todos aqueles que estavam matando e machucando seus amigos e conhecidos. Não era certo ter que lidar com uma luta desigual, pois, ao contrário dos deuses, os semideuses ainda eram fracos. Não tinham super-poderes. Eram fracos e poderiam ser destruídos em minutos… No entanto, também sabia que deveria tentar, pois, a justiça era necessária para que pudesse ter um futuro. Ali.
— Você consegue. Mas, não caia no papo, e sim investigue. Com cuidado. -- Murmurou aquelas palavras fracas encarando uma multidão ao redor de Hécate ao se afastar dos campos de Marte. A verdade nua e crua era que Daniel estava com medo, e não estava conseguindo esconder aquilo.
POV - Connor Page: Está tudo bem ter um pouco de fé. - Capítulo Único.
Connor é um rapaz interessante, na verdade, utilizando as palavras certas, ele é um metamofoso. Sua vida era uma caixinha de surpresa o tempo todo desde que foi entregue ao orfanato por sua mãe. Ele não conhecia naquela época a sensação de odiar alguém porque havia sido adotado poucos anos depois por um casal bondoso, o qual tinha um segredo que apenas a mãe de Connor sabia. No entanto, quando ia crescendo, sentimentos raivosos apareciam também como se ele tivesse satisfação em tê-los ao vivenciar uma discussão. Mas, o que realmente lhe dava felicidade, era ver outras pessoas brigando por questões bobas até àquelas problemáticas, principalmente entre seus pais adotivos. É claro que aquilo parecia não fazer bem para sua irmã mais nova e, embora tentasse parecer que também não estava bem, Connor sentia-se bem diferente. Então, só entendeu a verdade quando Discórdia apareceu com palavras que conquistaram seu coração e fizeram sua cabeça colocando-o contra o seu pai.
A vida mudou radicalmente. Foi deixado pela deusa no Acampamento Júpiter, um local que Connor chamaria de lar por um tempo, e começou sua vida de legionário. Ele era bastante presente nas atividades do acampamento desde sua entrada, enfrentando com vigor e vontade os problemas. Ele estava animado e feliz em estar em um lugar que parecia aceitá-lo do jeito que era e parecia que o sentimento explosivo tinha desaparecido… No entanto, com o passar dos meses, Connor sentia-se cada vez mais desanimado, pois não conseguia subir de posição e isso aumentou também a frustração do rapaz. Ele começou a quebrar as regras criando uma certa satisfação com aquilo. Era prazeroso saber que, mesmo alguém estando no comando, Connor tinha ainda uma certa liberdade de como agir.
O tão amado lar estava perdendo aquele seu título, e a missão durante os seus dezoito anos foi um fator essencial. Connor tinha voltado com vida por sorte e queria aproveitar sua vida ao máximo ao lado de uma pessoa querida, a qual ele estava apaixonado, mas o golpe fatal que a mesma lhe deu junto com alguém que Connor considerou como um amigo querido, foi o suficiente para que ele se sentisse mais raiva contra tudo e todos.
Connor não se importava mais com nada. Era como se tivesse vivendo nos limites da raiva, os mesmos que estavam presentes durante a sua infância. Ele só cumpria os deveres lhe dado pelos pretores porque era melhor ter um canto para ficar do que ser expulso para as ruas de São Francisco. Era uma vida que o filho de Discórdia estava odiando… Ele não pensava que as coisas poderiam piorar, então, ficou sabendo da notícia que o outro acampamento tinha sido queimado e os sobreviventes mudariam para o seu “lar”. É claro que Connor não tinha gostado daquela ideia, pois, já não bastava os romanos (com exceções de alguns que ele considerava como seus melhores amigos), teria que lidar com um pessoal grego estranho e desconhecido. Achava que só iria trazer mais problemas para o acampamento, como se já não bastasse o que já acontecia.
Ele estava errado. Mesmo tendo ficado com um pé atrás, ele acabou fazendo amizades importantes e acabou encontrando também duas irmãs do outro lado, as quais Connor prometeu que protegeria com todas as suas forças. As coisas pareciam estar mudando, apesar de ter uma guerra presente e ameaçando a paz que parecia estar reinando um pouco em alguns dias. Ele precisava daquilo.
Então, os jogos começaram. É claro que ele preferia o jogo de guerra que seu acampamento fazia desde sempre e quando soube que seria a atividade do outro acampamento, Connor ficara incomodado pelo fato de que sentia a desvalorização dos costumes romanos. De qualquer maneira, ele participou da captura à bandeira com garra e concentração, pois também queria a vitória… Quem não quer, né?! Então, o encontro com sua irmã, Heidi, mudou tudo. A raiva só aumentou, pois, além de serem de equipes diferentes, eles não estavam na melhor relação de irmãos. Dois filhos de Discórdia/Éris zangados em busca de se provar quem é melhor… Não acabou bem.
A briga entre eles foi encerrada com a intromissão do cão infernal original: Cerberus. Connor não sabia da onde aquele cachorrão tinha surgido, mas não se importava com aquilo, porque o medo estava dominando qualquer coisa que quisesse aparecer. E, por incrível que pareça, ele também estava preocupado com sua irmã, a mesma que ele havia brigado alguns segundos atrás. Então, não havia mais para onde fugir. O ataque aconteceu. Connor partiu para cima ao lado da garota, mas não tiveram sucesso total. Seu corpo foi arremessado para longe contra uma árvore e notou que sua irmã estava no chão, fazendo com que sua raiva aumentasse ainda mais. Ele foi para cima do monstro e recebeu como resposta: uma mordida na sua perna. Embora tivesse sido ferido, Connor também conseguiu machucar o monstro, o suficiente para que corresse até o corpo de Heidi e levasse à enfermaria.
A consequência do ataque durante a atividade foi terrível para o filho de Discórdia. Sua perna esquerda teve que ser cortada pelo fato de que a mordida de Cerberus estava começando a contaminar o resto do corpo e isso poderia ser fatal para o rapaz. Connor ficou arrasado. Perdera um membro e, por um momento, a vontade de viver. Depois de um tempo, ele recebeu a perna metálica feita pelos filhos de Vulcano e isso começou a dar uma animação para o semideus. Ele tinha recebido mais uma chance de viver e tentaria ser uma melhor pessoa com ele mesmo e com todos.
Embora tivesse tido um enfraquecimento em seus poderes, Connor não tinha desanimado, pois, a nova chance deveria ser aproveitada com todas as suas forças. Ele tentaria ser um melhor soldado, semideus, irmão, amigo, filho… Estava começando a ter uma nova filosofia e isso incluía uma sensação de esperança, principalmente com a chegada da deusa da magia. Se fosse no passado, Con ficaria com um pé atrás com a chegada e a mudança repentina da deusa, mas, agora, ele queria tanto um pingo de esperança de que aquela guerra realmente iria acabar que estava se agarrando em qualquer coisa aparecendo na sua frente. Então, a chegada de Hécate foi uma notícia boa para ele.
Connor estava guardando suas roupas na gaveta de seu dormitório escutando seus colegas conversando sobre a chegada até que uma pergunta sobre o assunto foi feita para ele. O rapaz parou de fazer o que fazia e apenas respondeu devagar:
— Está tudo bem ter um pouco de fé. — Voltou a guardar a roupa não entrando mais no assunto, pois já tinha sua opinião formada pelo o assunto. Apenas torcia para que não tivesse se enganado.
P.O.V: Belen Lopez - Capítulo 1: O que está acontecendo?
Durante sua infância, seu pai sempre dizia um provérbio chinês, o qual falava “Jamais se desespere em meio as sombrias aflições de sua vida, pois das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda.” Belen, então, tenta sempre levar essa filosofia para sua vida nos bons e, principalmente, nos maus momentos. É claro que muitas vezes ela não consegue lidar bem com os acontecimentos, sentindo a necessidade de desistir, mas as palavras do seu pai começavam a ecoar outra vez em seus pensamentos quando isso acontecia.
Sua vida adentrou no mundo mitológico desde que nasceu com os perrengues que sua mãe havia realizado com dois homens, os quais eram melhores amigos antes de Hécate entrar na vida de ambos. Desde então, Belen foi criada numa fazenda, treinando com o objetivo de sobreviver, caso sofresse um ataque, e, apesar de seu pai cobrasse ela e sua irmã, ainda tinham momentos de felicidades naquela família. Bem, por enquanto. O alcoolismo de seu pai começou quando Belen estava crescendo, pois intensificava a possibilidade de atrair os monstros e foi o que aconteceu. Seu pai morreu, Belen e sua irmã foram atacadas e levadas para o acampamento, onde uma vida diferente iria começar. Mais perigosa e sofredora. Acampamento Meio-Sangue, um local que parecia perfeito para passar as férias, se não fosse o treinamento para uma luta constante contra os inimigos que queriam suas mortes. Naquele lugar, Belen fez amizades, inimizades e vivenciou romances que seguiram sua vida até o fim dela. Então, um fato importante acabou influenciando na sua decisão de se tornar uma das aprendizes de Circe quando completou seus dezessete anos. Foi um golpe para alguns de seus amigos, mas Belen sabia que necessitava se afastar para poder recuperar sua identidade e seu coração.
Seu tempo na ilha de Circe foi magnífico. É claro que não foi no mesmo local visitado por dois semideuses famosos, pois o lugar tinha sido destruído depois. Depois da destruição e da retomada de controle, mudaram-se para uma nova ilha onde poderiam viver em paz e treinar suas magias, como deveriam ter feito no passado. Belen se tornou uma aprendiz atenta. Concentrada durante várias horas para poder aperfeiçoar seus dons, mas também como forma de evitar que tivesse pensamentos sobre o passado. Ela nunca pensou que voltaria tão cedo para o continente, mas a queimada no seu local de sua adolescência acabou pedindo sua presença em um novo local.
Acampamento Júpiter deveria ser apenas um lugar temporário, mas Belen sentia-se bem-vinda naquele acampamento como aconteceu no original que vivia. Conheceu pessoas novas, e o passado resolveu também lhe visitar. Dor e felicidade, eram sentimentos que a filha de Hécate tinha quase todo dia o tempo todo. Ela tentava se aproximar de algumas pessoas que tinham perdido contato devido ao seu tempo longe, ao mesmo tempo, que queria se manter longe dos resquícios do passado. No entanto, parecia que nada funcionava, pois ela estava em volta de todo o caos outra vez.
Entretanto, como uma forma de escapar daquela realidade, o seu jogo favorito foi realizado: captura à bandeira. Fazia um bom tempo que Belen não participava daquela atividade e como ela estava com saudade daquilo. Lembrava da primeira vez que havia participado com Mason, Heidi e Rebecca na mesma equipe que acabou se encurralado com umas formigas de fogo. Se não fosse o espírito de equipe por meio de palavras corajosas, talvez Belen teria desistido naquele momento e se entregado para os monstros. Era uma adolescnete naquela época, então, foi bom ter companhia legal e essa companhia que influenciou na sua paixão em treinar. Então, a atividade no novo local foi bem recebida pela filha de Hécate. Mas, as coisas não terminaram como ela havia previsto. Belen queria a vitória e acabou ganhando costelas quebradas após uma luta feroz com o Minotauro. Ao lado de Amber, a amiga que ela protegeria com muitas forças, ela atacou contra o monstro em defesa à vida de ambas e ao acampamento. E, se não fosse a ajuda de Amber, Belen não saberia se estaria viva depois.
Os acontecimentos seguintes provocaram-lhe vários sentimentos diferentes, como se não soubesse como poderia se sentir nesse momento de guerra tão complicado. Além disso, sentiu um enfraquecimento de seus poderes, como se não pudesse conjurar algo bem avançado aprendido com sua mentora. Era desanimador, e Belen ficava cada vez mais frustrada a cada segundo. Então… A novidade chegou. Não uma, mas sim três de uma vez.
CAPÍTULO 2: Você não me procurou.
Belen não estava perto da entrada do acampamento para presenciar a chegada surpresa dos três personagens novos. Ela encontrava-se, na verdade, em seu chalé escrevendo as magias que lembravam devido à sensação de que seus poderes estavam enfraquecendo. Quando escutou alguém batendo em sua porta e, sem olhar, Bel apenas comentou pensando que fosse sua irmã:
— Becca, só estou terminando aqui e te dou atenção...—
— Acho que você está me confundindo, jovem Lopez. —
As mãos de Belen param de escrever na mesma hora, encarando quem estava na porta e notando que era Circe, sua mentora. Havia um misto de emoções no momento, pois, Belen não sabia se veria outra vez a feiticeira. Ela levantou assustada e aproximou-se devagar e, por um momento, considerou abraçá-la, mas lembrou de uma das regras que a feiticeira havia lhe ensinado: sem contato físico durante momentos importantes. Então, ela ajoelha em uma referência e encara a deusa em espanto ainda:
— Como? —
— Eu pensei que você estaria feliz em me ver, jovem Lopez. —
— É claro que estou! — Belen comenta em um tom de voz um pouco de tremorosa. — Mas, Lady Circe, não tivemos nenhuma notícia e tivemos que vir para cá. Então, estou surpresa. —
— É claro que não teve nenhuma notícia de mim… Você não me procurou. Nenhuma de vocês, pergunto-me o porquê… — O olhar de Circe era, ao mesmo tempo, sério e cruel. Ela não gostava de mistérios e deslealdade, então, caso visse algum dos dois… Digamos que as coisas não acabariam bem.
Enquanto isso, Belen tentava imaginar o motivo. Ela lembrava das aprendizes mais velhas dizendo que a ilha não era mais segura e não sabiam da identidade da feiticeira por causa do medo. Ela apenas seguiu a ordem devido à hierarquia que existia, mas, na verdade, ela desejava ter elaborado um plano para ir atrás de Circe. No entanto, foi covarde. Seus ombros curvaram-se em vergonha, assim como havia uma expressão envergonhada em sua face:
— Eu peço perdão, Lady Circe. Eu fiquei com medo. Todos nós ficamos quando não sabíamos mais sobre sua presença e, então, aconteceram os ataques e mandaram que viemos para cá. Eu... Sei que deveria ter ido atrás de você, mas, fui uma covarde. Peço perdão. — Belen encarava os olhos de Circe fixamente, pois, havia aprendido a nunca desviar o olhar quando estava em um momento crucial.
A feiticeira, embora tivesse achado o comportamento errado, não podia culpar aquelas pobres semideusas cujas vidas estavam por um fio o tempo todo. Então, apenas sorriu e esticou sua mão em direção ao rosto de Belen para acariciá-lo com suas unhas brilhantes de forma devagar:
— Jovem Lopez… Você está perdoada, apenas peço que tenha mais compromisso com suas irmãs e comigo! Nada de medo, pois ele te faz fraca e eu não aceito aprendizes fracas, entendeu? — Não havia um tom de raiva, embora o comportamento de Circe pudesse ser considerado passivo-agressivo.
— Sim, Lady Circe. Não se preocupe, não sentirei mais medo… —
— Muito bem… Agora, diga-me como anda aquela poção de amor… —
Um brilho de animação surgiu nos olhos de Belen assim como um sorriso divertido em seus lábios. Ela se afastou para pegar seu grimório e mostrou os detalhes para a feiticeira mestre:
— Oh, Lady Circe, o acampamento vai pegar fogo…
— É assim que eu gosto. — A feiticeira riu sendo acompanhada pela semideusa. Era algo que Belen adorava e estava trabalhando arduamente para aquilo dar certo.
CAPÍTULO 3: Sua mãe sabe mais.
A presença de Circe acabou afastando qualquer notícia sobre a chegada de sua mãe. Belen focou, ao lado de sua mentora, na construção da poção que estava preparando há um certo tempo na ilha. Seria uma forma de recuperar o tempo perdido ao lado de Circe. Passaram dois dias naquele esquema sem saber a história de Hécate, embora não existissem tentativas para contá-la. Belen só saia do seu chalé para comer e tomar banho, pois estava focada para terminar aquele projeto importante.
No entanto, no terceiro dia, ao voltar para seu chalé, ela não esperava encontrar uma moça de cabelos ruivos encarando silenciosamente o seu dormitório. Belen chegou sem fazer nenhum barulho para não assustar a outra, mesmo possuindo uma expressão confusa em seus traços faciais. Não lembrava de ter visto aquela mulher no acampamento até aquele momento e, antes que pudesse abrir sua boca para falar alguma coisa, escuta o som vindo do outro lado da sala:
— Você tem os olhos do seu pai... — A deusa virou com um olhar aparentemente tímido para encarar sua filha que franzia o cenho com aquelas palavras.
— Você conhece o meu pai? —
— Claro… Olá, filha. Como você está? —
A pergunta causou-lhe um choque. Filha? Pensou Belen tentando entender aquela palavra. Mesmo sabendo quem fosse a deusa ali, não queria acreditar que realmente estava na frente de sua mãe, uma pessoa que Belen nunca teve contato nesses últimos dezenove anos. Além de que sabia que Hécate estava participando do outro lado da guerra, como uma inimiga, por isso Bel acabou assumindo uma postura mais defensiva colocando suas mãos na frente de seu corpo:
— N-n-n-ão se aproxime! Ou vou lhe atacar! O que está fazendo aqui? Planejado mais um ataque? —
A deusa riu um pouco, mas parou ao notar a expressão séria da garota: — Oh, você está falando sério… Vim falar com minha filha, e não, não estou planejando ataque algum. Eu… É complicado, mas, asseguro-lhe que não estou aqui para te atacar nem ao seu precioso acampamento. Pode confiar em mim? — Pediu-a com um olhar de compaixão estendendo a mão levemente em direção à mais nova.
Belen estava relutante. Não sabia quem era Hécate de verdade, apenas havia escutado boatos desde que era criança. Primeiro, com seu pai falando o fato dela ter se envolvido entre ele e o seu melhor amigo, um homem que Belen nunca viu em sua vida e duvidava que pudesse estar viva. Depois, quando chegou ao acampamento, descobriu que Hécate era uma deusa menor, um pouco afastada da situação até que a guerra começou para todos e, a partir desse fato, ela começou a escutar as palavras maldosas devido ao fato de que foi sua mãe que tinha libertado o deus do mal. Então, era plausível o motivo dela estar relutante. Tinha medo de ser a próxima vítima da deusa.
No entanto, ela queria aceitar que sua mãe era uma boa pessoa, principalmente por estar encarando-a frente a frente nos olhos. Belen poderia se enganar, caso confiasse na deusa? Sim. Mas também queria dar o benefício da dúvida a ela. Seu coração estava acelerado. Suas pernas se tremendo um pouco. Era uma decisão importante. Era sua mãe ali e poderia ter oportunidade de conhecê-la e criar um relacionamento materno, o que sempre desejou na sua vida. Então, com os olhos cheios de lágrimas, ela cedeu e correu até a deusa, abraçando-a fortemente.
A deusa, ficou em choque no primeiro momento. Mas, então, retribuiu o abraço com um sentimento amoroso, podendo estar nascendo… E, se não fosse sua filha, tinha atacado na hora. Era estranho estar abraçando uma de suas crias, pois não era uma deusa presente (como os outros) na vida deles nem mesmo amorosa. Mas, o comportamento de Belen parecia estar lhe provocando sentimentos diferentes por causa de uma situação diferente. Enquanto isso, a morena estava com seu rosto molhado pelas lágrimas que haviam escapado de seus olhos, tentando não mostrar que realmente estava chorando. Era sua mãe ali e isso lhe dava um conforto ao seu coração tão machucado. Nada mais importava…
Afastou-se com um pequeno sorriso limpando seu rosto para poder olhar direito a deusa: — Por que? O motivo de estar aqui. —
Hécate colocou uma mecha do cabelo de sua filha atrás da orelha da mesma e sorriu docilmente: — Eu tomei uma decisão de nova por amor, Belen. O amor… É algo importante, pois também te faz repensar nas decisões de sua vida. Você tem amor em sua vida, Belen? —
A menina hesitou um pouco para lembrar das pessoas que ela tinha um sentimento de amor e sorriu de volta: — Sim, eu tenho amor… Ajuda-me nos momentos difíceis… —
— E é o que ele deve fazer. Afrodite tem razão, amor é importante… e misterioso. Estou aqui para amar você, me deixa amar você? —
— Sim, mamãe, eu deixo. —
— Que bom… Porque sua mãe sabe mais…—
Hécate e Belen começaram a conversar depois sobre toda a situação. Falaram também da vida de Belen: os amores, sua irmã, seu pai, seus amigos, o acampamento… Foi um resto de dia tranquilo, por enquanto. De qualquer maneira, Belen estava feliz de ter sua mãe ali e esperava que não fosse a única, pois não queria que a chance de conhecer Hécate fosse estragada.
P.O.V - Ariel Smith: A culpa é deles. Somente deles. - Capítulo único.
Ariel vivia em um conflito. Por um lado, elu gostava do que a vida de semideusu tinha lhe proporcionando, um exemplo disso eram os amigos que tinham feito durante sua vida, mesmo com todas as dificuldades que podem surgir. No entanto, por outro, sentia-se com raiva por estar no meio de uma guerra que não deveria existir, pois eram os mortais que acabam sofrendo as consequências das habilidades mágicas daqueles poderosos e Ariel estava cansade de sofrer ou perder alguém importante. Por causa de um deus, Ariel tinha perdido sua mãe e sua dignidade. Elu tinha acreditado nas palavras de um… E, bem, seu coração foi esmagado pelas mentiras. Entretanto, a prole de Cupido não mostrava aquele seu lado para ninguém, pois sabia que não poderia ter confiança em ninguém… Nem meus àqueles que eram íntimos à elu.
Assim, elu colocava uma máscara em seu rosto, mostrando que tudo parecia estar correndo bem. Mas, era uma grande mentira. Apenas seu travesseiro conhecia suas lágrimas, enquanto, o seu caderninho de anotações possuía os desabafos dos sentimentos que guardava dentro do seu coração. Era melhor assim, dizia elu para si mesmu ao se ver no espelho todo dia. Se confesassse para alguém, poderia levantar suspeitas de traição e, mesmo odiando os deuses, nunca seria capaz de trair seus colegas. Ariel era leal aos campistas do acampamento, somente. Não se importava com as brigas, consideradas infantis por elu, entre os deuses, pois achava que falta do que fazer. Enquanto os semideuses sofriam com os monstros e outras dificuldades, os deuses estavam no seu palácio fazendo… absolutamente nada. E elu sabia que nada daquilo mudaria tão cedo.
O dia a dia de Ariel era uma rotina . Acordava às cinco da manhã para que pudesse dar uma corrida nos Campos de Marte, depois seguia para o refeitório e para o banho para que pudesse passar a manhã estudando e trabalhando no Senado para que pudesse passar a tarde realizando tanto as atividades do acampamento quanto os pedidos de sua firma e, durante a noite, Ariel observava o céu e pensava em sua mãe para adormecer em seguida. Essa parte de sua vida era tranquila para que a outra pudesse ser mais agitada e, assim, diriam que existia um equilíbrio. Mas, Ariel não acreditava nisso. Odiava a outra parte, pois só queria paz e sossego, os quais eram sentimentos difíceis de ter de verdade.
Tudo começou quando nasceu. Perdera sua mãe, uma prole de Deméter, para ser deixada por seu pai, Cupido, no acampamento meio-sangue. Durante seu crescimento, mesmo com o apoio de seus familiares do chalé de Deméter e de Eros, elu parecia perdide dentro de si. Não sabia quem era nem conhecia sobre seu passado. Então, fugiu e foi ali que encontrou Cupido, e após aquele episódio, toda a raiva contra os deuses surgiu. Em seguida, perdeu seu acampamento por ataques de monstros mandados por um deus egoísta (Ariel tinha feito uma promessa que se encontrasse quem mandou, iria voar com o ser para cima e depois jogar contra uma pedra)... Agora, vivendo no acampamento romano, o qual elu tinha ido depois de ter conhecido Cupido, Ariel torcia para que as coisas não acontecessem… Bem, a esperança é a última que morre, certo? Certo. Mesmo que existisse seu sentimento de ódio, elu ainda tinha a fé de que a situação melhoraria de alguma maneira.
Só não esperava estar tão enganade. Tinha escutado que o jogo de captura à bandeira havia começado tranquilo, embora Ariel tenha decidido que não iria participar pelo fato de que atrapalhava sua noite para dedicar a sua mãe. Mas, quando ouviu sobre semideuses sendo atacados, elu não se conteve e correu em direção à floresta segurando o cabo de sua arma com força. Estava determinade para enfrentar qualquer perigo, então, quando encontrou um ciclope na hora que adentrou ao local, foi em sua direção e atacou-o. Mas, o monstro foi mais rápido para desviar de sua lâmina (dado 6), atacando-lhe de volta (dado 2). No entanto, Ariel conseguiu desviar do ataque voando para cima com suas asas que já haviam sido abertas e era sua vez, mas o vento acabou não sendo bondoso levando Ariel longe demais do ciclope no momento em que elu tentou disparar um golpe (dado 3). Estava cansade de errar tanto, então, desceu dos céus e correu de volta com sua arma em punho. O ciclope acabou sendo mais rápido e tentou atacar-lhe (dado 6), mas acabou errando e Ariel resolveu usar aquele erro para mostrar o seu poder e atacou-o duas vezes (dado 8 e dado 11), vendo-o virar pó na sua frente. E a batalha continuou…
Após o conflito, Ariel descansou um pouco na enfermaria e voltou para sua rotina até que um dia sentiu-se fracu, como se uma parte sua tivesse sido retirada sem nenhuma piedade. Ariel não conseguia mais voar e isso era uma das piores partes, perguntava-se quem poderia ser culpado, embora soubesse a verdade. A chegada da deusa Selene parecia ajudar, mas não estava sendo suficiente e isso aumentava sua raiva cada vez mais. Já era perigoso com os poderes que já tinha, e agora as coisas pareciam estar piores. O que fazer? Elu não sabia.
Então, a cereja do bolo apareceu. A deusa da magia que havia traído todo mundo estava no acampamento e Ariel não acreditava em nenhum pouco nas palavras alheias, principalmente ao ver que com ela, vinha Circe e Bianca (uma feiticeira e uma caçadora faecida. Para elu, aquilo era um golpe e alguns de seus amigos pareciam cair como patinhos na armadilha da deusa. É claro que elu não contou para ninguém, a menos que alguém citasse durante uma conversa, pois elu não queria criar mais problemas onde já tinham diversos. E, por causa disso, Ariel estava mais afastade focando apenas em suas coisas que não fossem perto daquela deusa. Elu sentia-se estranhe e usava uma máscara para esconder aquilo. Sem perguntas, pelo menos, por enquanto. Por isso, elu se encontrava no campo de girassóis plantando suas semenets mágias para fazer seus produtos falando consigo mesmu:
— Cuidado. É o que eu preciso, antes que as coisas piorem. Mas… se isso acontecer, a culpa é somente deles. Aqueles seres imortais que acham ser donos do mundo... — Suspirou levemente encolhendo seus ombros olhando para o céu com um olhar triste. — Era assim na sua época, mãe? Queria tanto que tivesse aqui para me ajudar… — Uma lágrima escorreu de seus olhos voltando a plantar porque o dia já estava terminando.