POV - Daniel Muller: Era para eu estar dormindo.
Do seu chalé de Somno/Hipnos, Daniel observava em silêncio uma pequena multidão se formando em torno de uma fogueira que parecia ser bastante acolhedora e quente. Embora tivesse a sensação de que deveria ir para lá devido à presença de alguns de seus amigos, ele sabia que também não se sentiria tão bem-vindo como gostaria. Ultimamente, Daniel estava se tornando mais fechado e recluso dentro do seu próprio quarto por causa de inúmeros motivos. Primeiro, foi sua briga com Aro, onde o rapaz estava bêbado e não conseguia controlar suas emoções fortemente. Depois, o beijo surpresa dado pela filha de Éris que influenciou numa fuga de Daniel na mesma hora, um ato incomum para o rapaz namorador. Era como se a presença de Heidi lhe provocasse coisas que ele não conseguia discernir propriamente… Em seguida, a briga também com sua ex, Rebecca, mostrando um lado seu quebrado que ele tentava esconder mandando-o para o fundo do baú.
Além disso, a chegada de uma deusa, considerada como inimiga pelo rapaz, com outras duas criaturas trouxe-lhe mais inquietações. Era como se ele não conseguisse se sentir bem num local que estava desde seu nascimento, literalmente. E era doloroso demais. Daniel apenas saía do seu quarto para poder fazer suas responsabilidades como centurião de sua coorte e passar com seu novo amigo. Na verdade, o único que estava aguentando o filho de Somnus. Soninho, o cachorro adotado pelo rapaz, era um bom animal bem esperto e acolhedor ajudando Muller a passar por esse momento tão complicado, pelo menos, para ele. Estava cansado e Soninho era o ser que ajudava-o a relaxar, por isso, Daniel sentou-se de volta em seu colchão após ter passado um bom tempo em pé encarando o lado de fora.
É claro que uma parte sua desejava sair daquele local que parecia estar se tornando mais chato e monótono para ele, mas, assim que pisasse do lado de fora, ele voltaria em menos de um segundo. Não sentia a mesma agitação que sempre sentiu pela sua vida, e isso era bem estranho pelo fato de estar fugindo do repertório de comportamentos padrões do garoto. Então, a sua escolha era ficar naquele local com a companhia de seu cachorro, o qual dava-lhe sensação de conforto… Deitado, agora, em sua cama, Daniel fazia carinho em meio as orelhas alheias, olhando fixamente para parede sem nenhum pensamento fixo rodando. Era como se sua concentração estivesse fluindo para todos os cantos sem conseguir parar em um canto só. Até que ele escutou um bater nas portas.
Soninho saiu correndo até lá latindo um pouco e Daniel seguiu-o abrindo, em seguida, a porta para encarar o filho de Febo. Rogério, quer dizer, Roger estava parado com o mesmo sorriso presunçoso que Daniel conhecia, porque era o mesmo que o filho de Somnus usava quando estava em algo, provavelmente, errado. Então, Daniel foi logo dizendo um não para qualquer plano alheio. É claro que não foi suficiente para o que vinha depois, ou seja, em menos de alguns segundos, Daniel estava todo vestido para uma noite na fogueira sendo arrastado pelo filho de Febo. Claro que seu cachorro veio junto todo brincalhão, enquanto, seu dono tinha uma expressão marrenta em seus traços faciais. No outro dia, Daniel havia prometido para Roger, iria fazer com que o filho de Febo pagasse de alguma maneira, pois ele tinha retirado o mais velho de seu refúgio. Por outro lado, ele não admitiria ao amigo, mas sentia-se feliz também por Roger ter aparecido em seu chalé.
Agora, Daniel estava do lado de fora no meio da paisagem que ele tinha observado minutos antes. Era estranho, ele admitia, pois não pensava que a fogueira e a animação alheia seriam tão acolhedores. Seu cachorro também se divertiu, passeando por meio de pequenos grupinhos e ganhando diversos carinhos também. Enquanto isso, Daniel estava com um copo de suco e uma bandeja de biscoito de chocolate comendo no seu canto. Ele tinha avistado vários seus amigos, mas não se sentia pronto ainda para falar com cada um. Era melhor, por enquanto, ficar entre as sombras. Essa sua decisão ficou ainda mais forte após ele ter avistado algumas carinhas de quem ele fugia: Heidi, Aro e Rebecca. Sabia como estava a relação com eles e não queria estragar a noite deles por causa que não conseguia controlar sua língua. Então, estava bem no seu canto escutando em silêncio as histórias aleatórias de alguns campistas.
No entanto, algo aconteceu. Daniel deveria ter previsto aquela situação. Toda vez que ele se juntava a um momento, algo de errado acontecia. Já tinha até se perguntado se era ele o pivô do caos e também, já considerava ser possível. Gritos, passos altos, barulhos de algo se quebrando começaram a ser ouvidos pelo rapaz. Ele levantou-se rápido e começou a procurar por seu amigo animal, chamando-o em meio aos gritos do acampamento. Então, algo explodiu perto dele (dado 11) jogando-o em direção a uma das coortes. Daniel estava acordado sem algum ferimento, apenas seu corpo estava sujo, levantando-se na mesma hora e vendo Vitus ao seu lado. Então, escutei a voz de Amélia também e sabia o que deveria fazer.
















