eu poderia ficar aqui escrevendo um milhão de coisas mas prometi pra mim que não faria um texto gigantesco. mas eu precisava escrever sobre você.
é que eu tenho tanto pra dizer e faz tanto tempo que não escrevo que as palavras jorram como uma cachoeira, fria e contínua. eu só queria dizer tudo. deixar escapar cada uma delas sem pensar em cada sílaba e nas consequências depois de dizê-las.
talvez tu abraçasse a ideia de ir embora porque ela nunca tinha te parecido tão macia e acolhedora. talvez tu admita que já nem estava aqui mesmo, era só uma ilusão que eu criei pra me segurar. talvez tu me solte de vez, perca a vontade de carregar um peso além do teu. consegue sentir? já parou alguma vez no meio do caminho e se deu conta de quão gigantesco você é? te amar requer força, altura, grandeza.
e eu nunca me senti tão grande quanto quando eu me dei conta de que isso era amor. e que era correspondido. era.
eu sempre pensei que um dia você falaria de mim pras pessoas, e que nós seríamos lembrados nas reuniões de amigos quando começasse o assunto sobre relacionamentos antigos e naquele momento nós seríamos reafirmados. existentes. teríamos um rótulo e tudo bem. os amigos dos nossos amigos saberiam de nós. aquela moça que trabalhou comigo saberia de nós. tua mãe perguntaria de mim e tuas irmãs me mandariam audios engraçados.
mas agora, olhando de perto e sentindo de longe, sei que não vai acontecer. teus amigos te diriam pra me deixar pra lá, tua mãe e tuas irmãs não entenderiam como alguém de longe conseguiu te conquistar e ganhar teu coração.
te contar que nem eu entendo.
odeio me sentir precisando reafirmar algo mas eu só queria, de coração, uma certeza. não consigo nadar nessa coisa rasa que a gente chama de
eu nem sei como chamamos isso...
em alguma esquina dessas, algo se perdeu. alguma coisa em nós mudou e agora tá tão frio aqui. e eu que nunca gostei muito do calor, vivo sentindo falta do sol.
eclodir. p/almd.










