Marginais (Trans)Temporais Performances Simultâneas do Núcleo Experimental de Butô na Praça Coronel Fernando Prestes - 08/04/17 “Revitalizar uma energia subversiva própria do Kabuki pré-moderno significava, então, de alguma forma, trazer novamente para a cena o lado escuro do ser humano e da sociedade, as suas contradições, a sua crueldade discriminante e excludente, a monstruosidade de seus dogmas e de suas criaturas, incorporando os aspectos da vida humana que violavam a esfera da moralidade e do tabu. Significava protagonizar o papel de mediador entre mundos, (re)apresentando e jogando na face de uma sociedade civilizada os seres que encarnavam os subprodutos de seus sistema, os marginalizados “transtemporais”, que não correspondem somente a uma determinada época ou cultura específicas, mas que figuram, reincidentemente, à margem em quase todos os tempos e sociedades: crianças, deficientes, velhos, prostitutas, homossexuais, doentes, refugiados e nativos. Assumindo essas personagens como matrizes poéticas de suas experimentações artísticas, a dança Butō também compartilha da “intenção de converter aquilo que não deveria ser admitido em algo a ser afirmado”, acolhendo, assim, em um plano estético, uma “beleza da crueldade” (zankokubi), isto é, uma “beleza do negativo”, ou uma “beleza invertida”.”
(Éden Peretta - O Soldado Nu: Raízes da Dança Butô)
(Des)orientação: Thiago Abel













