TW: sangue, morte, gore
Não gostava da situação em que estava, não gostava desde que fora transformado, na verdade. Chansol nunca gostou de ser um vampiro, mas após quinze anos vivendo assim, já estava acostumado. Matar para acabar com sua sede não era mais algo penoso a se fazer, e sim cotidiano. Não é como se tivesse muitos pudores agora, como um dia já teve, ou já tentou ter. Agora já se enxergava como um monstro, e seria hipócrita de sua parte não fazer o que seriam consideradas monstruosidades, não é? Não era humano, não tinha que ter dó dos humanos. Mesmo que sentisse falta de ser um.
A lua estava especialmente bonita naquela noite, porém Chan não estava do lado de fora para apreciá-la, nem de longe. Escondido em um beco, os olhos vermelhos do rapaz brilhavam levemente. Não ao ponto de fazer sua próxima vítima perceber sua presença lá, não mesmo. A mulher que passava sozinha parecia assustada o suficiente, estava fácil demais. Chansol já passava a língua pelas presas afiadas, na expectativa. Porém, era paciente, e diferente do que fizeram consigo, ele gostava de se certificar que não teria ninguém por perto para impedi-lo. Não queria que mais ninguém passasse pela experiência de ser transformado contra a vontade. Não, se fosse se alimentar, iria até o fim, até que o pessoa estivesse morta.
E foi numa dessas de se certificar que sentiu o cheiro de sangue. Não era algo comum, estava muito mais forte para ser algo rotineiro. Franziu as sobrancelhas e aprumou os sentidos, cuidadosamente seguindo o perfume tão conhecido do líquido vermelho que tanto lhe apetecia. Sorte da mulher, que ia viver mais alguns dias aí.
Estava certo quando pensou que não era algo normal. O cheiro o levou até um clube onde alguns jovens deveriam estar se divertindo e bebendo, mas agora quem parecia estar fazendo a festa era outro de sua espécie. Alguns corpos estavam jogados no chão, talvez tivesse uma ou outra pessoa viva tentando fugir, mas o vampiro era rápido e forte. O chão estava pintado de vermelho, e o cheiro era espetacular. Por alguns segundos, Chansol apenas o observou em ação, respirando fundo para absorver o perfume, mas logo se juntou a ele. Ao aproximar-se, é claro que o outro pensaria errado de si; Chansol também era rápido, então conseguiu desviar do ataque que vinha.
❝— Shh, não to aqui pra te impedir, bebê.❞ Contou perto do ouvido do outro vampiro, agora que estava atrás dele. Chansol contava com um sorriso de lado no rosto, e segurava os pulsos do rapaz. Ele era bonito, muito bonito. E ficava ainda mais atraente sujo de sangue daquele jeito. ❝— Só estava com sede, assim como você.❞ Confidenciou ao soltá-lo os braços, mas agora puxando os cabelos castanhos para trás. ❝— Mas talvez agora eu esteja com outro tipo de sede.❞ Riu, passando a língua pelas gotas de sangue que enfeitavam o pescoço alheio. @myboyspslots












