Relato do Segundo Parto, há 3 anos.
Esta semana a operadora do caixa do supermercado, gravidissima de quase 9 meses, puxou papo comigo ao perceber que eu tinha filhos pequenos. Entre fraldas, lenços umedecidos, achocolatados e bisnaguinhas ela me fita e dispara “Só um filho que você tem?” eu, que já passei pela fase do constrangimento, depois do orgulho e agora eu simplesmente aceitei minha condição de mãe de três, respondo calmamente “ Não, eu tenho 3” e sem dar bola a cara de espanto daquela mãe do rosto inchado, continuo a saga de passar as compras. Alías, que droga essa de não ter mais sacolas á disposição. Entrar no ritmo está difícil, já tenho 50 sacolas retornáveis, estou até pensando em revende-las. Alguém se interessaria?
Retornando ao tema, ela sem esperar minhas perguntas emenda “ Este é o meu segundo, estou de 36 semanas e tenho certeza que semana que vem nasce, afinal minha 1ª nasceu de 39 semanas, o segundo é sempre mais rápido e fácil não é?”. Certa de que aquilo ali não era um questionamento e sim uma busca desesperada por uma confirmação , assenti com a cabeça e saí equilibrando minhas compras de um carrinho cheio em apenas 2 sacolas.
Querida Caixa do Extra: Não, não é, ou melhor, não há regras. Seu segundo pode ser tão mais difícil, demorado e complicado quanto o primeiro. Esta é verdade, mas ninguém quer ouvi-la.
Manú tinha acabado de completar 4 aninhos e eu estava 18 kilos mais gorda, com uma barriga tamanho extra GG, profissionalmente cheia de vontade e motivada e estava certa que teria um parto rápido, fácil e sem complicações, afinal era o segundo, minha experiência valeria de algo.
Fui expulsa do meu trabalho com 37 semanas, mesmo contrariada saí ,logo mais o João nasceria mesmo – assim pensei. Passou uma, passaram duas, três…quase 1 mês depois do inicio da minha licença, numa quarta-feira, acordei mais indisposta que o normal e sem paciência com o meu peso e minha enorme barriga digo á mim mesma “ O João nascerá hoje!”, mesmo porque minha médica iria marcar a cirurgia em 2 dias e a pressão familiar e de amigos já tinha me dominado. Resisti até onde pude.
Levei a Manú para a escola, limpei a casa, a geladeira, tomei banho, um café reforçado e lá fomos nós a caminho da maternidade e pela segunda vez, podem ter certeza ou confirmar, é sempre mais emocionante!
Sem avisar nada para a minha médica dei as caras no PS alegando MUITA dor (mentira) e as minhas quase 42 semanas era minha garantia que toda aquela dor era possível.
Para minha surpresa já estava com 4 dedos de dilatação e em trabalho de parto mesmo. Qual parte de entender o meu corpo, conhecer as fases de um trabalho de parto eu havia esquecido? Será que eu soube algum dia? E começamos a correria: liga pra mãe, chora ao telefone, dispara os torpedos, dá entrada na internação, avisa médica, chora, se despede do marido, chora, veste aquela roupa verde e se olha no espelho seminua, ao mesmo tempo que envolve os cabelos na touca e , naquele momento, tem consciência que é a ultima vez que verá aquele barrigão, que daqui a momentos conhecerá o rosto do seu filho e você chora aquele choro mais sincero que existe, no banheiro da maternidade. Fazemos parte da Criação e isto é mágico e incrível.
Estava pronta para o espetáculo, quando iria começar?
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Durmo na maca, pois o trabalho de parto havia estacionado. Acompanhávamos os batimentos do João e tudo estava normal e calmo, como não deveria ser. Cadê a adrenalina do trabalho de parto ativo? Nada acontecia…minha médica não chegava e seu marido, também obstetra veio na frente e ao dizer que faria um simples exame para avaliar a evolução, em gestos muito rápidos, quase como um ninja, ele rompe minha bolsa, descola o meu útero, força a passagem e me coloca na ocitocina.
Pronto! Que abram as cortinas, o espetáculo começou!
Uivei, chorei, pedi pela minha mãe, pensei em suicídio, mortes e tragédias, quando as dores alucinantes das contrações me cortavam ao meio. Chorava e pedia pela analgesia e quando chegaram eu já não conseguia distinguir as pessoas, minha visão estava turva de tanta dor e próximo as 18 horas tomei a analgesia milagrosa.
Estava na sala de parto, o berço já estava lá, enfermeiras se acotovelavam preparando o material cirúrgico, escutei a voz do Zé falando ao longe com alguma enfermeira e minha mente viajou até a Manuela. Será que ela havia almoçado, dormido, chorado? Senti uma saudade tão grande dela, um vazio atravessou o meu peito, um medo de não conseguir dar conta e comecei a chorar de soluçar. Todos me perguntavam o que eu tinha, mas as palavras não saiam, apenas consegui dizer “ Vem uma contração e eu quero fazer força”. E todos tomaram os seus devidos lugares. Tentamos e nada, mais uma e nada, mais uma e nada…o João não descia, era esse o termo usado pelo médico. A enfermeira, com ajuda do anestesista se debruçaram sobre mim e começaram a forçar minha barrida para baixo, literalmente empurrando o João, e na contração seguinte, já sem forças e a beira de um mini desespero, sinto o Jõao saindo de mim “ Calma, gritou o Dr Tadeu, está todo enrolado no cordão…pronto, pode anotar que tinha 3 circulares de cordão” e na próxima contração ele nasceu.
Era o dia 25/04/2012, as 18:25 quando a enfermeira que o segurou para entregar ele aos meia braços exclamou “ Nossa, que meninão!” ele era mesmo, nasceu de parto normal, com quase 4 kilos, com 3 voltas do cordão nos pescoço, não chorou, estava com o rostinho roxo, as mãos abertas e logo quis mamar.
Meu menino. O João Carlos.
Corinthiano, adora o Cássio, está na fase amante do Hulk e que odeia qualquer tipo de comida. Menino mimado por todos e amado ainda mais.
Apaixonado pela irmã mais velha, tolera, as vezes, a mais nova, idolatra o pai e, fazer o que? Aceita essa mãe babona aqui.
João é o cara, gente boa, cuca fresca. Sentará conosco e ficará horas conversando sobre a faculdade, a viagem, a namorada. Tirará sarro das irmãs, sentará no meu colo, me chamará de velha e irá sentar ao lado do pai para assistir ao jogo do Corinthians.
Terá namoradas apaixonadas e cuidadosas. As tratará com respeito e dedicação.
Terá amigos verdadeiros que se encontrarão aqui em casa.
Será musico.
Viajará o mundo e sempre voltará para casa, pois aqui ele reconhece como sendo o seu lar.
Será reconhecido em sua profissão.
Apoiará suas irmãs e as ajudará sob quaisquer circunstâncias, pois é assim que elas também o tratarão.
Será feliz e saudável. Será Grato á Deus e aos seus paisp>
Tomará uns porres de vez em quando, roubará a chave do carro, fará algum tipo de transgressão e se arrependerá depois.
Ajudará alguém, alguns, sempre, pra sempre.
Não tolerará maus tratos a si, aos seus, ao próximo
Ouvirá bastante rock’n roll
Casará, terá filhos, e os trará aqui em casa, no almoço de domingo.
E quando o ver fracassar, entristecer, chorar e se decepcionar, o pegarei no colo, não importa a idade e sempre lembrarei da voz daquela enfermeira que me entregou ele nos meus braços e me disse “ Que Meninão!” E contarei essa história pra ele, assim ele saberá que sempre foi forte e assim permanecerá. p>
O Meu Menino
O Meu João
Que assim seja!
Que os anjos digam amém e que DEUS abençoe seus 3 aninhos.
Obrigada por ter me escolhido para transformar esse mundo sob os meus cuidados, por ter me escolhido como mãe.
Dedico a minha vida á você, vocês, meus 3.
Como amor, Sua Mãe.
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