Com 18kg a mais na balança, na última consulta ao obtetra antes do nascimento do João, viro para a minha médica, mãe de 2 e pergunto: “ Dra, no nascimento da Manú não consegui usar aquelas benditas cintas pós-parto, adianta se eu usar agora depois do nascimento do João?? E ela, com um olhar cheio de compreensão me volta a pergunta “ Pra que você quer usa-la?”
Sim, a obstetra dos meus 3 partos faz parte do grupo que diz NÃO a cinta pós parto e eu a segui. Segundo ela, cintas são necessárias após cirurgias plásticas, onde existe o descolamento de tecidos e etc, mas no parto não há, então pra que usa-las? E foi assim, não usei.
Hoje tenho uma barriga comparada a uma gestação de 4 meses. Tenho flacidez, carrego quilos a mais e as celulites invadiram meu corpo sem nenhuma cerimônia.
Durmo no máximo 5 horas por dia. Cozinho, passo, lavo, arrumo, dirijo, trabalho fora e como. O que? o que sobra nos pratos deles, o que eu belisco enquanto cozinho, o que tem no restaurante, na geladeira, nos armários. Faço algumas restrições como, por exemplo, os cadáveres de origem animal, não os como. O resto eu passo pra dentro, sem cerimônia, sem tempo.
Ah, por favor não me pergunte o que eu faço da meia-noite as 6h da manhã, mesmo porquê no meu caso é a pergunta correta é da 1hr as 5:30 da manhã. Resposta: Tento descansar, entre os “Mãe, tá escuro demais!”, “Mãe, cadê o meu pai? (neste caso, o sonâmbulo não percebe o pai sempre está lá ao seu lado)”, “Má,má,má…” , “ Tô com sede” e por aí segue a sinfonia da madrugada.
Isso tudo pra dizer que não me orgulho do meu corpo, da transformação que ele sofreu, mas o entendo e o aceito. Dias mais, dias menos, mas no fundo o aceito.
Logo mais entro na faixa dos entas, com 3 filhos no currículo e, trazendo desilusões aquelas que ainda separam a vida entre as QUE TIVERAM PARTO NORMAIS VS CESAREAS, todos os meus foram normais e “meu corpo não voltou mais rápido a formal anterior” (que tédio!), acrescente a essa receita a minha total falta de dedicação aeróbica ao longo dos anos.
Também não tenho no meu corpo um instrumento de trabalho. Não os empresto as grifes, marcas ou personagens. Se assim fosse, teria a obrigação de apresenta-lo de forma mais “ equilibrada” – adorei essa expressão!
Por isso, não me irrito e nem me comparo ás Deboras, podem ser as Seccos ou não. Nem as Fernandas, Gentis ou Grosseiras, nem as Falconis, pois somos todas Belas!
Ninguém tem a vida que eu tenho e nem carrega a carga genética que eu carrego. Como comparar?
Espero apenas que todas tenham PAZ, não de Paes, igual a Juliana. Apenas paz com os nossos corpos, com nossas vidas e com nossas escolhas e, principalmente, que entendamos o real sentido da maternidade.
E para aqueles dias do NÂO, onde não aceito minha barriga de eterna gestação de 4 meses, uso a calcinha ZERO BARRIGA por R$39,90 nas Lojas Marisa. Nem de longe me deixa com zero de barriga, só me provoca uma mistura de sentimentos onde me sinto uma trouxa por acreditar nisso e tão confiante quanto a Suzana, agora sim é com a própria Vieira!
Na madrugada do último domingo (4), a empregada doméstica Sandra Maria dos Santos Queiroz, 37, começou a sentir contrações.
Negra, nordestina, pobre, empregada domestica.
Veio para São Paulo, deixou seu filho com sua mãe.
Não estudou.
Lava privada que não é dela, lava e passa roupas que nunca poderá comprar, cozinha comidas que, talvez, nem saiba nomear.
Dorme em um casa que não é dela, lá nos fundos, depois da máquina de lavar.
Nunca mais viu o seu filho.
Os anos se passaram e mais um filho veio.
Pai? É dispensável, segundo ela. Foi o que aprendeu com a mãe, que a mãe aprendeu com a vaó, a avó com a bisa e assim segue o andar.
E, para tentar aliviar o peso dessa vida tão sem sentido, foi ao forró, no seu dia de folga.
Lá encontrou o Jota.
O Jota aprendeu com o pai, que aprendeu com o avô, que ouviu o bisavó falando que mulher, quando é fácil, não precisa de respeito.
E entre uma cerveja gelada e um forró bem arrochadinho, dançaram muito mais que isso e nem lembraram que seria bom, naquela hora, ter uma camisinha.
Meses depois da farra, descobre que está grávida.
Lá para a Bahia vai metade do seu salário, o seu filho que já está com 17 anos, precisa dele.
A filha que vive com ela, na casa da patroa, está com quase 3 anos e a outra metade do seu salário é para ela.
E esse filho do Jota? Com que fração ficará?
Não houve pré-natal.
Nenhuma consulta se quer.
Enjoo, dor nas costas, pés inchados, sonolência, azia e falta de ar, ela com certeza teve durante os longos 09 meses que escondeu sua gravidez de todos, enquanto cuidava da filha e de toda uma casa que não era dela.
E foi banheirinho dos fundos, quieta, sem gritar, que teve sua filha sozinha.
Limpou o chão, lavou os panos, limpou a bebezinha e a amamentou.
Escolheu uma sacola e rezando para que ela não chorasse, saiu sem rumo.
Escolheu uma arvore, deixou a sacola ao pé dela e ficou escondida esperando que alguém o acolhesse.
Foi o que aquele porteiro-anjo fez.
Depois disso, ela foi julgada, acusada, procurada, xingada e, se bobear, será linchada.
Sandra Maria dos Santos Queiroz, 37 anos, empregada doméstica de um condomínio de luxo na Rua Pernambuco em Higienopolis, foi presa na quarta-feira dia 07/10 por ter abandonada sua filha na rua.
Desde então eu penso nela, nos filhos dela, na filha dela, quase que continuamente.
Me sinto culpada, por aceitar com naturalidade a posição patroa-empregada, o quartinho dos fundos, o homem que não se importa por ter gerado uma vida, o filho de 17 anos que vive longe da mãe, a filha que cresce na casa da patroa, a carência, a ignorância, a falta de Fé.
Não a julgo, me entristeço.
“Desespero!” – e assim ela explicou.
Gostaria que ela voltasse para a Bahia, levando com ela dinheiro no bolso, a vontade de recomeçar, suas 2 filhas no colo e seu mais filho a lhe esperar.
Ela também tem 3.
“Ninguém é mais escravo do que aquele que se julga livre sem o ser.” J. Goethe
As gavetas, os brinquedos e os guarda-roupas foram arrumados? Tentei
Dormi até mais tarde? Iniciei
Os cinemas, museus, parques, FNACs e teatros durante a semana? Então…
Sessão da tarde? Uma vez
Pipoca, Bolo de Chocolate, Brigadeiro de Colher, Pastel da Feira e Sorvete de sobremesa? Nisso exagerei
Praia? Aconteceu
Protetor Solar, Repelentes, Fraldas, Remédios, Mamadeiras, Brinquedos, Filmes, Roupas de Calor, de Frio, de Muito Frio e de Geada, Papinhas, Comidas, Bolachas, Sucos, Frutas, Congelados, Bonés, Biquinis, Sungas, Calcinhas, Cuecas, Toalhas, Cobertores, Meias, Cremes, Pomadas, Sabonetes, Shampoos para Bebes, para meninos, para cabelos cacheados, para cabelos com química, para homens, desodorantes, absorventes. Cadê o leite?? Volta pra pegar o leite, volta pra pegar a pelúcia preferida e as escovas de dentes? 1, 2, 3, 4 e 5! Pasta de dente com flúor, sem flúor e com gel. Não peguei nenhum pente? Cadê as tiaras e as presilhas do cabelos das meninas? Ok, o Hulk do João. Tá, o Thor também. Tá, tá, tá pega todos eles o Homem de Ferro, Capitão America e o Ben10. Estou me preparando para uma guerra mesmo, talvez eles sejam úteis. A Barbie Sereia, a Peppa, a bola (e grito: É UMA SÓ! E boto ordem nessa zona) ?? SIM!! Peguei tudo e terminei as 3hrs da manhã!
E as chupetas? Para o carro!! Vacilei
Chegaram bem? Amém!
João chorou? Muito
Maria Fernanda comeu areia? Muito
Manuela desobedeceu? Muito
Enchi a cara com caipiroskas e cervejas? Longe disso. Muito caro, preferi gastar o dinheiro com baldinhos, pranchas, pipas, milhos, queijo coalhos, picolés, tatuagens, tererê, açaí, tapiocas, pasteis e tudo mais que vende na praia
Engordei? Depresão
Eles gostaram? Amaram
Descansei? Nem um segundo
Cansada? Exausta
Malas desfeitas? Sim. Roupas batendo na máquina e 90% do arsenal que levei, não foi usado e já estão em seus devidos lugares
Volto a trabalhar daqui algumas horas? Graças a Deus
Acabo de tomar as primeiras doses da consciência da maturidade. E ela veio a mim como forma de plenitude e serenidade no coração por me bastar, apenas por desfrutar momentos de total simplicidade ao lado da minha família.
Continuamos carregados de defeitos, de dividas e de desafios mas, eu tento escapar, na liberdade do meu pensamento e no repensar da existência, desse espírito do ter, do poder e me enquadrar, seja lá no que for.
Desejo que esse segundo semestre nos traga o que é bom e que saibamos enfrentar o ruim que vez ou outra aparecerá.
Suportaremos sem nos submeter e amaremos sem esperar.
Somos inquilinos de algo maior e estamos aqui não apenas para viver, mas para elaborar.
Elabore seu segundo semestre também na certeza de entregar o melhor que você puder fazer.
Mãe não tira férias, não espere por isso, ela faz as férias dos seus acontecer.
Esta semana a operadora do caixa do supermercado, gravidissima de quase 9 meses, puxou papo comigo ao perceber que eu tinha filhos pequenos. Entre fraldas, lenços umedecidos, achocolatados e bisnaguinhas ela me fita e dispara “Só um filho que você tem?” eu, que já passei pela fase do constrangimento, depois do orgulho e agora eu simplesmente aceitei minha condição de mãe de três, respondo calmamente “ Não, eu tenho 3” e sem dar bola a cara de espanto daquela mãe do rosto inchado, continuo a saga de passar as compras. Alías, que droga essa de não ter mais sacolas á disposição. Entrar no ritmo está difícil, já tenho 50 sacolas retornáveis, estou até pensando em revende-las. Alguém se interessaria?
Retornando ao tema, ela sem esperar minhas perguntas emenda “ Este é o meu segundo, estou de 36 semanas e tenho certeza que semana que vem nasce, afinal minha 1ª nasceu de 39 semanas, o segundo é sempre mais rápido e fácil não é?”. Certa de que aquilo ali não era um questionamento e sim uma busca desesperada por uma confirmação , assenti com a cabeça e saí equilibrando minhas compras de um carrinho cheio em apenas 2 sacolas.
Querida Caixa do Extra: Não, não é, ou melhor, não há regras. Seu segundo pode ser tão mais difícil, demorado e complicado quanto o primeiro. Esta é verdade, mas ninguém quer ouvi-la.
Manú tinha acabado de completar 4 aninhos e eu estava 18 kilos mais gorda, com uma barriga tamanho extra GG, profissionalmente cheia de vontade e motivada e estava certa que teria um parto rápido, fácil e sem complicações, afinal era o segundo, minha experiência valeria de algo.
Fui expulsa do meu trabalho com 37 semanas, mesmo contrariada saí ,logo mais o João nasceria mesmo – assim pensei. Passou uma, passaram duas, três…quase 1 mês depois do inicio da minha licença, numa quarta-feira, acordei mais indisposta que o normal e sem paciência com o meu peso e minha enorme barriga digo á mim mesma “ O João nascerá hoje!”, mesmo porque minha médica iria marcar a cirurgia em 2 dias e a pressão familiar e de amigos já tinha me dominado. Resisti até onde pude.
Levei a Manú para a escola, limpei a casa, a geladeira, tomei banho, um café reforçado e lá fomos nós a caminho da maternidade e pela segunda vez, podem ter certeza ou confirmar, é sempre mais emocionante!
Sem avisar nada para a minha médica dei as caras no PS alegando MUITA dor (mentira) e as minhas quase 42 semanas era minha garantia que toda aquela dor era possível.
Para minha surpresa já estava com 4 dedos de dilatação e em trabalho de parto mesmo. Qual parte de entender o meu corpo, conhecer as fases de um trabalho de parto eu havia esquecido? Será que eu soube algum dia? E começamos a correria: liga pra mãe, chora ao telefone, dispara os torpedos, dá entrada na internação, avisa médica, chora, se despede do marido, chora, veste aquela roupa verde e se olha no espelho seminua, ao mesmo tempo que envolve os cabelos na touca e , naquele momento, tem consciência que é a ultima vez que verá aquele barrigão, que daqui a momentos conhecerá o rosto do seu filho e você chora aquele choro mais sincero que existe, no banheiro da maternidade. Fazemos parte da Criação e isto é mágico e incrível.
Estava pronta para o espetáculo, quando iria começar?
……………………………
Durmo na maca, pois o trabalho de parto havia estacionado. Acompanhávamos os batimentos do João e tudo estava normal e calmo, como não deveria ser. Cadê a adrenalina do trabalho de parto ativo? Nada acontecia…minha médica não chegava e seu marido, também obstetra veio na frente e ao dizer que faria um simples exame para avaliar a evolução, em gestos muito rápidos, quase como um ninja, ele rompe minha bolsa, descola o meu útero, força a passagem e me coloca na ocitocina.
Pronto! Que abram as cortinas, o espetáculo começou!
Uivei, chorei, pedi pela minha mãe, pensei em suicídio, mortes e tragédias, quando as dores alucinantes das contrações me cortavam ao meio. Chorava e pedia pela analgesia e quando chegaram eu já não conseguia distinguir as pessoas, minha visão estava turva de tanta dor e próximo as 18 horas tomei a analgesia milagrosa.
Estava na sala de parto, o berço já estava lá, enfermeiras se acotovelavam preparando o material cirúrgico, escutei a voz do Zé falando ao longe com alguma enfermeira e minha mente viajou até a Manuela. Será que ela havia almoçado, dormido, chorado? Senti uma saudade tão grande dela, um vazio atravessou o meu peito, um medo de não conseguir dar conta e comecei a chorar de soluçar. Todos me perguntavam o que eu tinha, mas as palavras não saiam, apenas consegui dizer “ Vem uma contração e eu quero fazer força”. E todos tomaram os seus devidos lugares. Tentamos e nada, mais uma e nada, mais uma e nada…o João não descia, era esse o termo usado pelo médico. A enfermeira, com ajuda do anestesista se debruçaram sobre mim e começaram a forçar minha barrida para baixo, literalmente empurrando o João, e na contração seguinte, já sem forças e a beira de um mini desespero, sinto o Jõao saindo de mim “ Calma, gritou o Dr Tadeu, está todo enrolado no cordão…pronto, pode anotar que tinha 3 circulares de cordão” e na próxima contração ele nasceu.
Era o dia 25/04/2012, as 18:25 quando a enfermeira que o segurou para entregar ele aos meia braços exclamou “ Nossa, que meninão!” ele era mesmo, nasceu de parto normal, com quase 4 kilos, com 3 voltas do cordão nos pescoço, não chorou, estava com o rostinho roxo, as mãos abertas e logo quis mamar.
Meu menino. O João Carlos.
Corinthiano, adora o Cássio, está na fase amante do Hulk e que odeia qualquer tipo de comida. Menino mimado por todos e amado ainda mais.
Apaixonado pela irmã mais velha, tolera, as vezes, a mais nova, idolatra o pai e, fazer o que? Aceita essa mãe babona aqui.
João é o cara, gente boa, cuca fresca. Sentará conosco e ficará horas conversando sobre a faculdade, a viagem, a namorada. Tirará sarro das irmãs, sentará no meu colo, me chamará de velha e irá sentar ao lado do pai para assistir ao jogo do Corinthians.
Terá namoradas apaixonadas e cuidadosas. As tratará com respeito e dedicação.
Terá amigos verdadeiros que se encontrarão aqui em casa.
Será musico.
Viajará o mundo e sempre voltará para casa, pois aqui ele reconhece como sendo o seu lar.
Será reconhecido em sua profissão.
Apoiará suas irmãs e as ajudará sob quaisquer circunstâncias, pois é assim que elas também o tratarão.
Será feliz e saudável. Será Grato á Deus e aos seus paisp>
Tomará uns porres de vez em quando, roubará a chave do carro, fará algum tipo de transgressão e se arrependerá depois.
Ajudará alguém, alguns, sempre, pra sempre.
Não tolerará maus tratos a si, aos seus, ao próximo
Ouvirá bastante rock’n roll
Casará, terá filhos, e os trará aqui em casa, no almoço de domingo.
E quando o ver fracassar, entristecer, chorar e se decepcionar, o pegarei no colo, não importa a idade e sempre lembrarei da voz daquela enfermeira que me entregou ele nos meus braços e me disse “ Que Meninão!” E contarei essa história pra ele, assim ele saberá que sempre foi forte e assim permanecerá. p>
O Meu Menino
O Meu João
Que assim seja!
Que os anjos digam amém e que DEUS abençoe seus 3 aninhos.
Obrigada por ter me escolhido para transformar esse mundo sob os meus cuidados, por ter me escolhido como mãe.
Campanha anti aborto. Fui desafiada esta semana e não entrei na onda.
Há aproximadamente 2 semanas a campanha #TodasContraOAborto percorreu as redes sociais. A mecânica da campanha é a mulher manifestar sua oposição ao aborto postando fotos grávidas e desafiando algumas amigas.
Campanha adorável do ponto de vista visual, porém rasa e superficial sob o ponto que mais importa: a descriminalização ou não do aborto.
Ninguém sabe quando ou por quem essa campanha teve inicio, porém é muito provável que a declaração do recém-eleito presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) onde ele diz que “aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver”, deve ter aquecido a campanha.
O que, pra mim, desqualifica ainda mais tal manifestação civil, pois esse senhor não pode ser porta-voz e nem líder de nenhuma ideia coletiva que eleve a sociedade a um patamar acima.
De qualquer maneira a campanha está aí, as fotos são postadas e o tema principal é posto de lado.
Sou a favor da descriminalização do aborto e muito longe de ser a favor do aborto como forma de solução de uma gravidez indesejada. Porém, acredito que o Estado, neste caso, precisa se apresentar não como decisor de um escolha particular do individuo, mas como o agente da sociedade que apresenta novos caminhos, apoiando e fortalecendo a ação individual.
A gestante que não deseja manter sua gravidez, poderia procurar a rede pública e, ao manifestar sua vontade de interrupção, seria levada a uma equipe de psicólogos, médicos, assistentes sociais e etc, que teriam como objetivo acolher essa mulher, através de aconselhamentos e entendimento dos motivos que a levaram a decisão e, talvez, trazer a discussão de novas soluções.
Talvez esse trabalho não poderia ser realizado em paralelo com a equipe da Vara da Infância e da Juventude que recebe os pedidos de adoção? Talvez a mãe que desistisse do aborto e decidisse por entregar seu filho á adoção, não teria o apoio financeiro, médico e psicológico coberto pelo casal que iria adotar essa criança?
Todos processos possíveis de serem implantados, bastando apenas, como sempre, vontade política e apreciação correta e séria da sociedade.
Tenho plena convicção que todas nós conhecemos pelo menos uma mulher que já praticou um aborto em sua vida. Afinal está no conhecimento coletivo o nome do remédio CYTOTEC, ou não está? Sua tia, sua mãe, avó, colega de trabalho, professora, recepcionista do dentista, motorista da van, pouco importa. Todas elas interromperam. Tomaram chás, remédios controlados, foram á clinicas clandestina, onde açougueiros ou torturadores medievais enriquecem enquanto mulheres despreparadas e desesperadas entregam suas vidas e esses carniceiros, sonegadores de impostos, anti-éticos e espertões.
Tenho ojeriza a esta quadrilha, não as mulheres que recorreram á ela por entenderem que não haviam mais opções.
Mostrar meu barrigão sob a hastag #soucontraoaborto ou qualquer coisa que o valha, só me faria atestar minha insensibilidade por questões que tornam nossa sociedade melhor, mais justa, humana e, acima de tudo, pensante. Não compactuo com isso.
Sou a favor da vida, refletida e pensante, por isso sou a favor da descriminalização do aborto.
Há 7 anos... Relato de um parto. De 39 semanas e 5 dias no finalzinho do dia 1 de fevereiro de 2008, sexta de carnaval, eu comecei a me sentir mal. Na verdade eu já não me sentia bem há semanas. O calor era insuportável, a barriga era enorme, os pés inchados e o que era aquela dor lombar que me acompanhava dia e noite? Meu Deus! Como poderia saber que estava entrando em trabalho de parto? Óbvio que não soube.
Lavei a louça e fui dormir, logo passaria esse mal estar, pensei. Por volta da 1:30h acordei assustada. Ainda não tinha certeza, mas achava que alguma dor havia me acordado. “Se for contração preciso contar", pensei, e peguei meu celular na esperança de fazer conforme orientado. Uma hora depois disso acordei novamente assustada. Não havia contado nada! adormeci com o celular nas mãos e já era quase 3h da manhã! Certa que estava acontecendo algo comigo que ultrapassava a explicação do cansaço do final da gestação, acordei o Zé e recebo como resposta o apoio necessário “ então vamos contar!” e nos dois dormimos bem antes da próxima contração. Adormeci, um sonho agitado, onde meu cérebro continuava registrando minha intenção “de 5 em 5 minutos, vamos para a maternidade...” e ainda segurando o bendito celular, peguei num sono profundo. Quando acordei por volta das 5 da manhã, não havia mais dúvidas, a dor que eu sentia, uma mistura de cólica bem forte com uma facada, anunciava que era hora de ir para maternidade. Mas para isso eu precisava tomar banho, lavar os cabelos e escova-los, é óbvio! Não dava para ter um filho nasquelas condições estéticas em que eu me encontrava. E foi assim, nos intervalos das contrações, ligava para minha mãe, minha médica e ligava o secador...só consegui secar a franja, desisti, sem saber que por esse motivo, mais tarde, eu iria levar uma bronca da enfermeira “Cabelo molhado mãe?? Não pode!”... pois é Dona Enfermeira, eu tentei... Passei na casa da minha mãe, para buscá-la, uivando de dor e foi lá que peguei a toalha do lavado que fui mordendo, na tentativa de aliviar aquela dor, a caminho da maternidade. Até aquele momento eu não havia contado o intervalo das contrações, minha bolsa não havia rompido e minhas costas não ardiam, ou seja, não estava seguindo o roteiro que eu havia lido e relido do trabalho de parto e que minha médica tão calmamente me explicava. Se aquela dor que eu estava sentindo era só o início de um trabalho de parto, não havia a mínima chance dessa pessoa, eu, chegar viva ao final, sendo assim, quando as contrações iam embora e eu conseguia reencontrar minha consciência, imaginava que a cesárea era a única solução que me tiraria daquele sofrimento. Não quis agendar nada antecipadamente, achava e ainda acho que meus filhos deveriam nascer no momento que eles, Ele, o Cosmo, o Universo decidirem por isso. Resignei-me como sendo apenas um veículo desse processo e me deixei ser guiada, conduzida. A forma, cesárea ou normal, seria decidida na hora, foi assim que minha médica e eu combinamos. Se bem que só de imaginar o processo cirúrgico da cesárea, meu cérebro paralisava de medo. Esquecendo de tudo que minha médica havia me orientado e não me importando com o meu medo da cesárea, estava decidida em faze-la. Aquelas dores me enlouqueciam e, nesse ambiente que tramitava entre loucura e sanidade, quando alternava as contrações, após ser examinada pela primeira vez, fui informada que eu já estava com quase 8 dedos de dilatação. “Temos que nos apressar”, disse aquela enfermeira, a mesma que me deu a bronca pelo meu cabelo molhado “ Seu bebê nascerá daqui alguns instantes!” Tudo correu muito rápido, a despedida emocionada da minha mãe, o rosto aflito do Zé, a troca de roupas, a analgesia, minha médica chegando e quando dei por mim escutei a voz dela me dizendo “ Empurra agora” ... e foi o que eu fiz, duas vezes apenas e naquele momento eu me tornei mãe. Manuela nasceu as 7:55h do dia 02/02/2008, sábado de carnaval, silenciosa, com o semblante calmo, de olhos fechados e posição ainda fetal, daquele mesmo jeitinho que a gente vê no ultrassom. Não chorou, o que provocou em mim um desespero imediato e logo minha médica disparou “ Ela está bem, só tão cansada quanto você.” Ouviu seu choro quando a equipe neonatal a limpava e passados exatos 7 anos, eu ainda consigo ouvi-lo, quando fecho os meus olhos e me transporto para aquela sala. Essa menina de 7 anos não gosta de beijos ao ser cumprimentada, ela dá a cabeça ao invés da bochecha. Não puxará papo com você aliás, caso eu não a obrigue, ela nem te cumprimentará. Ela é uma neo-tímida, afinal não sei como defini-la. Em casa, com os seus, no ambiente dela, ela é eletrizante, discorre sobre tudo e todos com desenvoltura impressionante. Já com desconhecidos, pessoas sem intimidade, você nem perceberá a presença dela. Agradeço a DEUS pela oportunidade de ter estreado como mãe com ela. Alma nobre, sábia e velha. Menina responsável, cuidadosa com os irmãos e, o que eu mais gosto nela, de posições fortes e de olhar dominador, mas longe, muito longe de não ter compaixão. Quando relato sobre o parto dela sempre escuto frases como “ que sorte”, “foi fácil” e é verdade, foi mais fácil do que eu imaginava. Tive o apoio da minha médica e da minha família, que souberem respeitar a minha decisão e eu tive escolha. O debate sobre parto está acalorado desde o início do ano, quando a resolução normativa 368/2015, proposta pela ANS, tenta reduzir os altos índices de partos cirúrgicos, que atingem quase 85% dos partos na rede privada. A medida de não poder mais agendar partos entrará em vigor em 6 de julho. Eu acho louvável, pois joga luz, traz informação, desmitifica todos os lados, pois dou valor a todo e qualquer debate. Como escolher sem informação? Como escolher um candidato, um namorado, um emprego, uma casa, um bairro, uma escola, um restaurante, sem conhecer as opções? E para aquelas que não tiverem escolha, aqui vai o meu respeito e admiração. E para a minha primogênita, aqui fica o minha homenagem e o meu agradecimento. Manú, que DEUS lhe conceda uma vida longa e saudável e que você saiba aproveita-la sabendo ser feliz. Com amor, sua mãe
In.co.e.rên.cia: sf 1 Falta de coerência 2 Discordância, contradição. Para mim, incoerência é quando eu tive que pagar essa semana $3,50 num bilhete de metrô e lembrei que não paramos SP por $0,50, mas por $0,20 sim. E por falar em SP, incoerência é morar numa das cidades mais caras do mundo e, mesmo assim, ser obrigada a voltar para casa atravessando enchentes e trânsito inexplicável e por quê mesmo? ah, porque não há investimento público ano após ano. Mas nos gabamos em ser a cidade e estado em não ter reeleito a Dilmona.Bravo pra nós. E por falar em cidade e por falar em enchente, incoerência pode ser o fato de você ter sobrevivido bravamente, ao volante do carro, a maior tempestade que essa cidade já teve. Aí, ao chegar trêmula e agradecida por estar viva na casa da sua mãe, para buscar os seus filhos e, para se acalmar, tenta tomar um copo de agua e descobre que o filtro está seco e que as crianças passaram o dia sem se refrescar, porque há falta de água. Mas não há racionamento e a mãe reclama do aumento na conta de água. Incoerência, pode ser representada no fato que na empresa que eu trabalho não posso mais falar que sou vendedora, mas sim "Consultora", entretanto me cobram produtividade diária. Aí quando, naquele pouco tempo diário que me resta com os meus filhos, eu quero aproveitar a companhia deles, ao mesmo tempo que eu torço para que eles durmam cedo, viram pra mim e me chamam de Incoerente, faço o que? Apenas digo "Seja bem-vindo!" As vezes, simplesmente, abaixo a cabeça e sigo a manada. #seguindoamanada #seguindopadroes #tenhoincoerencia #tenhoconsciencia #tenho3
Hoje eu escuto mães com voz trêmulas, respiração ofegante e tom de voz alterado me perguntando “ O que você vai fazer com eles nas férias?!”
Eu dormia até mais tarde, bem mais tarde.
Pulava o café da manhã e ia direto pro almoço, às vezes nem almoço existia.
Assistia, desenhava, brincava, pintava, brigava com as minhas irmãs.
Tomava banho tarde, muito tarde. Os pés sempre sujos, a cabeça fedia a suor e a roupa sempre surrada.
Queria puxar o Sol, queria comer as nuvens e encontrar todas as minhocas dos vasos de plantas da minha mãe.
Não ia para a Disney, nem para a praia, nem para acampamento e nunca, juro por DEUS, nunca tentei me jogar de um prédio por isso, ou pensei em comprar uma metralhadora para matar uns desconhecidos por aí. Curtia a minha casa, as minhas coisas e até hoje eu gosto disso.
Hoje eu escuto mães com voz trêmulas, respiração ofegante e tom de voz alterado me perguntando “ O que você vai fazer com eles nas férias?!”
Oras, estava pensando em apenas deixa-los de férias. Precisa mais?
Não, eu não organizo programações especiais, nem viagens (sempre tão caras nessa época), nem passeios, nem acampamentos, nada, nadinha.
Quando foi mesmo que começamos a ter medo das férias escolares? Foi quando começamos a temer o simples fato de ter nossas crianças em tempo integral em casa? Foi quando decidimos que precisamos administrar tudo, até as brincadeiras deles, é isso?
Confesso que teve um ano que caí nessa armadilha, uma amiga virou pra mim, meio em pânico e me disse “ E aí, a Manú entra de férias quando? Vamos fazer o que?” , percebi que não havia pensando em nada, não havia me preocupado com isso e me cobrei. Tentei matricula-la em curso de culinária, pintura, futebol, capoeira, costureira. Me ferrei. Esses cursos não foram feitos em horários para mães que trabalham fora. A logística fica impossível. Chegava para busca-la na minha mãe e questionava “ o que ela fez hoje?” e minha mãe, sempre tão em posse da sua sabedoria, dava com os ombros em tom de deboche e falava “ué, nada! A menina não está de férias?” e eu não entendia e me cobrava “ Meu DEUS! Minha filha passou o dia todo, no alto dos seus 3,4 anos sem fazer NADA?! Que tipo de mãe eu sou?”
Passou.
Sei que o contexto da infância mudou. Mudaram os cenários, as influências, as trajetórias, mas tem uma coisa que permanece inalterada: a criança.
Criança foi, é e sempre será criança.
Ei, chega mais perto, vou te contar um segredo: Acreditem neles, eles sabem se divertir.
Os meus estão na vó com as primas, babá e, por enquanto, com uma das Tias. Acordam quando querem, assistem até enjoarem da Peppa (é possível?), brincam, brigam, brigam, brincam, brigam. Do que? Sei lá do que! De tudo, de nada, com tudo que não podem e deixam de lado tudo que podiam. São crianças e isso basta. Confio que eles possuem competência para serem o que são. Não interfiro.
Se estivessem em casa comigo, como estivemos nas férias de julho, seria igual. Adoro passar o dia com eles na minha casa, na casa deles.
É certo que não acharia nada ruim de estar com todos em Nova York ou Fortaleza, mas não trato aqui da condição financeira de fazer e sim da cobrança em ter que fazer e do medo de ter que ficar.
Eu sinceramente desejo que os meus gastem o tempo deles tentando puxar o sol, tentando comer as nuvens e que não cavem nos vasos da minha mãe!!! Por favor!!
Eu fiquei brava, muita puta da vida, é verdade! Me chamar para uma reunião, mesmo ainda estando de licença é muita falta de respeito, pensei, afinal dia 1° estou de volta, custavam esperar?
Movi montanhas hoje, ainda mais que não teve aula pra Manú e pro João, mal consegui dormir a noite passada com o fantasma do “e se?” me atormentando. E se não der certo? E se eles sofrerem? E se não me quiserem?
Ah, essa culpa….
Comecei a me arrumar e entre uma passada de rímel, a escolha do brinco e a procura do crachá fui me reencontrando.
Já mencionei isso aqui, dilema só existe pra quem tem escolha. Eu não tenho.
Me livrei do peso da culpa e fui para minha reunião mais leve e tranquila do que havia imaginado.
Aceito com alegria a minha condição. Não sou uma mãe em tempo integral, isso é fato e meus filhos não são meus por acaso.
Se for para ficar em casa cuidando deles, eu fico e ficarei muito feliz. Se for para sair e ir trabalhar, vou e ficarei feliz também.
Óbvio que terão dias dificeis, que terei vontade de ficar, de cuidar. A Manú vai ligar, o João vai chorar e a Maria Fernanda vai sofrer.
Que esses dias sejam raros e breves e que eu saiba conduzir minha familia, mesmo com pouco tempo que terei, no caminho do bem.
Eba! Hoje é dia de festa!! Esta bebê sorridente está completando 6 meses de vida.
Muito mais de acumular meses, ter 2 dentes, ter aprendido a sentar, rolar e se comunicar tão bem com a sua família, hoje celebramos 1 semestre de muito aprendizado. Como pudemos viver sem ela?
Mas quero me concentrar em outra coisa que esses 6 meses me mostraram: meu corpo não será mais o mesmo. Mesmo que eu vire marombeira, mesmo que eu decida ir para a faca, afim de me livrar desse excesso de pele abdominal e ter um belo par de peitões duros e redondos apontando para o céu. Mesmo assim, não irei me reencontrar com aquele corpo que um dia já foi meu.
Abriguei, num intervalo de 6 anos, 3 bebês. Cresceram e se alimentaram de mim, das minhas vitaminas, células e oxigênio - tenho a impressão que ainda hoje, mesmo estando aqui fora, continuam se alimentam disso.Difícil sair sem marcas desse percurso.
É muita Angélica, Gisele, Juliana e Grazi para me ditarem o modelo que tenho que seguir. Esqueço-as. Deixo de lado o Hickmann e tento seguir só com a Ana, a Ana que sou.
Tento aceitar, a cada olhada no espelho, o corpo que me apresento. O corpo que é meu e sinto a cada dia a tal da entrega que todos dizem que a maternidade nos provoca, nos obriga.
Não tenho pressa, sou dona do meu momento e de uma bunda flácida, mas de uma vida , por mim, examinada.
Modelo? Padrão? Eu sigo sim! Sigo o meu, o que faz á mim e aos meus filhos felizes.
Mas continuo desejando o corpão da Sabrina Sato. O que? Ela não é mãe? Ufa! menos mal então, tá explicado porque ela tem aquele corpão! #sqn
Parabéns Maria Fernanda, que DEUS continue conservando sua saúde e sua alegria. Amo-te.
Hoje eu tenho mais quilos que gostaria de carregar
Mais dívidas que poderia acumular
Mais flacidez, rugas e cabelos brancos para me enfeiar
Mais filhos que pude sonhar
Mais amigos para compartilhar
Mais dúvidas, inquietações e temores para me impulsionar
Mais noites insones para me desesperar
Mais, mais, mais, mais e muito mais coisas para reconhecer, agradecer e celebrar
Mais motivos para sonhar e planejar
E 3 grandes razões para continuar e confiar.
Os 38 chegaram e é bem verdade que grandes transformações não há.
Permaneço na luta em conquistar lucidez, relativa sabedoria e sensato otimismo para conduzir os 4 - eu e eles - no caminho que escolhi, do bem.
Não quero parecer nem mais jovem e nem mais velha que sou, quero apenas ser dona do meu tempo.
Me falam “ ensino meu filho a respeitar o próximo”, mas publica e vocifera ofensas e frases preconceituosas contra os eleitores do outro candidato.
Me falam “quero que meu filho seja uma pessoa de bem”, mas não os ensina a se colocarem no lugar do outro, da maioria.
Me falam “meus filhos não tem preconceito, tem até uma amiguinha da escola que é pretinha”, pois é, além de ensinarem á eles julgamentos como ‘vagabundos”, “não trabalham”, “elite egoísta”, sem ao menos conhecer a história dos julgados.
Me falam “ensino ao meus filhos a melhor forma de viver e conviver”, mas não tolera a diversidade de opiniões e não os ensina regras mínimas de cidadania.
Não existe voto certo ou voto errado, cada um escolhe seu candidato sentindo-se mais representado e menos ameaçado, com base em valores pessoais. Um desses valores pode ser “me possibilitaram maior acesso”, ao contrário do “não gostam de trabalhar!”, um outro valor pode ser “meu poder de compra, de consumo, diminuiu drasticamente, ou estagnou há anos!”, ao invés da “classe burguesa reclamando de barriga cheia!”
Nossos filhos não nos escuta, ele nos observa.
Entre Dilma e Aécio, eu prefiro pão com ovo, mas como cidadã eu fiz a minha escolha e ponto.
Ganhe quem ganhar, que os próximos 4 anos sejam, em sua maioria, de homens do bem liderando para as pessoas igualmente do bem.
(“…estou farta de semideuses, onde há gente no mundo?” Álvaro de Campos)
Nos anos 70: Eu tive primeiro filho com 19. O segundo com 21 e o terceiro com 26.
Nos anos 80: Eu tive meus filhos com 23 e 25.
Nos anos 90: Eu tive meu filho depois dos 30.
Hoje em dia: Eu quero ter filhos depois dos 35.
Com quantos anos você teve seu primeiro filho? Ou pretende engravidar?
Já repararam como as mulheres estão deixando para cada vez mais tarde a possibilidade de serem mães? É muito comum hoje em dia encontrarmos mulheres que viveram a experiência da maternidade perto dos 40. Ou tiveram seu primeiro filho depois dos 35 para ter o segundo aos 40 ou mais. Conheço mães que tiveram os filhos depois dos 40 mesmo. Essa tendência tem se consolidado como uma opção para mulheres que ocupam cargos de responsabilidade, que não querem abrir mão de projetos de vida nos quais filhos não combinariam, ou mesmo porque a opção “casar e ter filhos” depende de uma relação estável que não aconteceu ainda.
Vamos pensar em algumas causas para esse fenômeno:
1-Hoje em dia a adolescência tem se estendido muito além dos 20 e poucos anos, tanto para homens quanto para mulheres, o que é um fator que contribui para que o jovem não se emancipe cedo, para que continue na casa dos pais e consequentemente, não forme sua casa e sua família antes dos 30. As pessoas entre 18 e 30 anos mais ou menos, querem investir na formação, viajar, se capitalizar e aproveitar sua liberdade econômica sem a responsabilidade que uma família representa. Muito bem, algo perfeitamente esperado para jovens com tantas possibilidades diferentes de há 30, 40 anos.
2-Outro fator contribuinte é justamente a ascensão da mulher no mercado de trabalho. As mulheres simplesmente não podem abrir mão de suas carreiras porque casaram e agora é hora de ter filhos; nem “dar um tempo” na MBA para ficar 6 meses em casa amamentando; nem pedir aos clientes que aguardem até o filho começar a frequentar o berçário... Portanto, a solução mais lógica é: adiar a maternidade. Mas ao que parece, os projetos na carreira nunca deixam de existir, e a maternidade vai sendo adiada cada vez mais.
Esses dois fatores, juntos são um grande empecilho para qualquer mulher que pretenda ser mãe antes dos 35. Ah, sim... Ia me esquecendo do fator idade.
3- Parece que há um complô da natureza para nos tornar mães mais cedo! Isso porque, o organismo da mulher está pronto para gestar a partir da primeira menstruação, mas só a partir dos 20 anos é que está maduro para formar um bebê sem tantos riscos para o feto e para a mãe. E essa fase se estende até os 35 anos, quando os óvulos começam a envelhecer e a perder a qualidade. Há estudos que comprovam que os riscos de doenças congênitas e má formação aumentam conforme a idade da mãe é mais avançada. Mas tudo isso não é regra e há outros fatores que influem nesse aspecto.
Voltando à idade da mãe, após os 35 anos torna-se gradativamente mais difícil engravidar e as chances de uma gravidez de risco aumentam. Instintivamente há muitas mulheres que enlouquecem para engravidar nessa faixa entre os 30/35 anos, justamente porque os hormônios femininos e o emocional fazem uma “pressão” nesse sentido. E há ainda as cobranças sociais, do tipo: “Você já passou dos 30, não vai casar?” Ou: “Agora que casou, quando vem o bebê?”. Ou: “E quando vem o segundo”?
A decisão de se ter um filho, nunca é perfeitamente de acordo com o esperado. Ninguém engravida porque fez 34 anos e daqui a alguns meses os óvulos vão começar a perder a qualidade, ou porque os pais querem muito ter um netinho. Não conseguimos prever qual será o momento certo.
Precisamos primeiro olhar com sinceridade para nosso desejo de ser mãe. Ele realmente existe? Eu quero ser mãe e abrir mão de muitas possibilidades em prol de outra vida? Eu quero acordar para dar de mamar de madrugada, ter estrias na barriga, gastar metade do salário com itens de bebê, ajudar nos deveres de casa, levar à natação 2 vezes por semana, comprar todos os produtos da Peppa Pig, gastar rios de dinheiro com um pediatra que pode não aceitar convênios, viajar só para hotéis que tenham recreação infantil? E isso é só a ponta do iceberg!
É uma decisão que tem que ser conjunta, o casal precisa querer ser pai e mãe e pelo menos intuir o que essa decisão significa. Ser mãe mais tarde tem algo de muito positivo, que é a maturidade. A mulher que amadureceu, tende a tornar-se uma mãe mais tranquila, que prioriza mais os momentos com o filho. A imaturidade de uma mãe mais jovem também pode trazer consequências na educação de um filho, por isso, nesse aspecto, mulheres mais velhas tendem a ser mais maduras e seguras.
Mas, há mulheres que simplesmente decidiram que não querem ter filhos. Pois é, atualmente a mulher pode assumir seus desejos sem que seja considerada fora dos padrões sociais. Se essa decisão a faz feliz, que assim seja. Talvez ela seja uma tia, uma madrinha ou uma prima muito mais legal que muita mãe por aí. Não há nada de errado em não querer ser mãe, e sim em ser mãe sem querer ter sido.
Amor de mãe para filho, esse sim, não depende de qualidade de óvulos, de idade ou de nada que a ciência possa resolver com a genética. Ele surge como uma semente, bem antes da mulher casar ou mesmo imaginar-se mãe. Essa semente é passada com a convivência que tivemos com nossas mães e avós, com os exemplos de afeto que experimentamos e repetimos com nossas bonecas. Depois, essa semente torna-se um desejo, que cresce e torna-se uma possibilidade concreta quando nos unimos a um homem que tem o mesmo desejo. E finalmente, ao termos nossos filhos, podemos vivenciar esse amor como a comprovação de que amadurecemos e precisamos passar adiante essa semente.
*Daniela Murgel Bertoncini, 39 anos, casada, psicóloga, mãe do Bruno de 6 anos e de Maya com 4 patas
Ah, por favor, não seja um Pai Pateta! Ou melhor, um Paiteta.
Não espere a mãe dos seus filhos te pedir o favor de você cuidar dos seus filhos.
Esteja pronto para atender seus filhos, não aos pedidos da mãe.
Todo mundo sabe que gravidez não é doença, mas pra você, pai, trate como se fosse.
Eu sei, eu sei, nós queremos mostrar auto-suficiência “tudo bem Mor, não precisa Mor, eu consigo Mor”. Faça-se surdo, por favor.
Dirija, carregue as sacolas, empurre os carrinhos. Dê sua opinião sobre o papel de parede, o kit berço e o lustre do quarto do bebê, mas saiba que a decisão é nossa, sempre. Respeite, reitere, elogie e cala-se, por favor.
Apoie nossa decisão do parto, mas saiba que decidir, significa mudar de opinião a cada semana.
Cuidado, muito cuidado com sua opinião, lembre-se: não é você que carrega um barrigão, não é você que está praticamente sem pulmão, com taquicardia a todo momento, com azia a tomar um inocente copo d’agua, que acorda de madrugada com câimbras nas panturrilhas, que está com os tornozelos inchados a, ainda por cima, é casada com um cara que não é capaz de pendurar os quadros no quarto do bebê antes da gente parir!
Ah, na maternidade, não seja Paiteta de encher o frigobar de cerveja e fazer do quarto uma balada. Livre-se daqueles seus amigos chatos, baladeiros e sem filhos que querem defumar o ambiente com aqueles charutos fedidos.
Eu sei que vocês não têm peitos mas, mesmo assim, pegue seu filho no berço quando ele chorar e entregue para a mãe amamenta-lo. Esteja pronto par atender seu filho, lembra-se? não a mãe…e depois faça-o arrotar.
Só os Paitetas não sabem os que os filhos comem, que dia que é a consulta do pediatra, a reunião da escola, onde ficam os pijamas.
Por favor, não nos ajude, não nos auxilie, não nos apoie nos cuidados e na educação de nossos filhos. Somos uma equipe sem definição hierárquica. Os filhos não são nossa propriedade e vocês não são os trainees da empresa. Estamos os dois, na direção, no comando dessa empreitada.
Acredito que filhos que possuem pai e mãe envolvidos na educação, serão pessoas mais flexíveis, com menos preconceitos e com maior respeito ao próximo.
Já os filhos dos Paitetas explorarão a mãe até a pobre sucumbir. Explorarão a estagiária, a emprega…
E naquele dia que você chegar em casa e presenciar um cenário de campo de batalha e ainda perceber que o jantar nem não foi iniciado, não seja Paiteta de perguntar “ e aí, o que vamos comer?”, já venha com a solução, pergunte diretamente para as crianças qual o sabor da pizza que elas vão querer ou coloque a água do macarrão para ferver.
É, a vida de vocês não nada fácil, ou é, não sei. Nunca fui pai, não tenho como saber. Como vocês nunca foram mãe, também não terão como saber como é ser mãe. Mas tem uma coisa que nós dois fomos/somos: filhos. Sob essa perspectiva, sabemos o que os filhos querem, precisam e necessitam, sendo assim o Paiteta espera, o Pai de verdade se prontifica, antecipa, toma pra si, é Rei como diz a letra da linda música Heroes do David Bowie. Um trechinho dela eu coloco aqui, mas eu peço que você a escute inteirinha, dá um googleada aí!
Chega de Paitetas, nossas crianças precisam de pais de verdade!
Heroes, D. Bowie.
“I, I Will be King
And you, you will be queen
Though nothing will drive them away
We can beat them, just for one day
We can be heroes, just for one day”
“ Eu, eu serei Rei
E você, você será a rainha
Embora nada, nada os levará para longe
Nós podemos derrota-los, só por um dia
Nós podemos ser heróis, só por um dia”
p *Respondendo: O Zé já foi paiteta, mas hoje ele é um Paizão, um Pai Rei, com direito a umas recaídas de paitetas muito de vez em quando.
Ensinaram-me que não podia adora-la. Não só a ela, mas á todas as outras imagens. Isso é pecado menina! Era isso o que eu ouvia.
Não adiantou, ela sempre me atraiu.
Como ignorar seu olhar sempre tão sincero e acolhedor? Ela não poderia ser apenas uma de nós.
Imagino como teria sido para uma menina com menos de 15 anos ter concebido um filho depois de uma visita de um anjo e sua Anunciação?
Grávida, teve que fugir para salvar este filho que carregava no ventre e o teve de maneira tão precária, quase solitária.
Naquele momento nasceu Jesus e a MÃE de todos nós.
Imagino o sofrimento dela diante da calúnia e da perseguição ao seu filho. Imagino sua dor percorrendo o que hoje chamamos de Via Dolorosa, vendo seu filho sendo humilhado e maltratado.
É nas mãos dela que Jesus se apoia quando lhe faltam as forças ao carregar a cruz.
E no momento da crucificação ela estava lá, aos pés do filho.
Contam que sua alma e seu corpo foram levados ao céu, para o encontro de seu filho, enquanto ela dormia. Gosto muito dessa versão e acho que todas as mães deveriam partir assim.
Penso nas mães que atravessam adversidades tamanhas, que precisam mover montanhas para manter-se grávida. Lembro-me de Maria.
Penso nas mães adolescentes que têm os seus filhos sem nenhuma informação, de forma quase solitária e desprovidas de tudo. Lembro-me de Maria.
Penso nas mães que acompanham o calvário dos seus filhos, seja pelo caminho das drogas, no leito de hospitais, na criminalidade. Lembro-me de Maria.
No nascimento dos meus, naquele momento que a dor levava embora minha lucidez e eu estava a ponto de desistir, era nela que eu procurava forças para continuar.
Quando estou com ela me sinto mais próxima ao seu filho e assim formamos uma família.
Interceda por mim, é assim que eu peço.
Sou grata, Minha Mãe, por estar com os meus filhos, onde eu não posso estar, por leva-los pelas mãos, quando eu não posso acompanhar, por ser os meus olhos, quando eu não possa enxergar, por me ajudar na tentativa de conservar os corações deles na pureza e no amor. Que Seu Filho esteja presente em nosso espírito e com o seu manto sagrado afasta, minha Mãe, os perigos e as doenças. Que assim seja e assim eu faço diariamente.
Ela entende o meu coração, os meus desejos, pois é Mãe. Ela sabe que minha única vontade é que meus filhos e todos aqueles que eu amo, saibam ser felizes praticando o bem.
Gandhi dizia que não existe um caminho para a felicidade, que a felicidade é o próprio caminho, por isso Maria, eu peço que você acompanhe sempre o nosso caminhar.
Não por um acaso hoje comemoramos o Dia das Crianças também, assim consigo ter a certeza que você olha por eles.
Minha busca pela manifestação da minha fé iniciou-se em igrejas evangélicas, passou pelo Kardecismo, Cabala, Budismo, esoterismo, estudei Tarô, Numerologia, Astrologia e Filosofia. Fui á igrejas, á centros, á templos e só depois eu descobri que não precisava de nada disso, pois é aqui dentro, no meu EU mais profundo(e mais sincero) que está a chama, onde DEUS se manifesta. Religião pra mim, a partir daqui, deixou de ser importante.
Nessa minha trajetória, nunca cruzei o caminho do catolicismo, onde a figura da Virgem Maria possui local de grande destaque, isso não fez diferença nenhuma, pois eu lhe dou a devida importância.
Fui estuda-la e à medida que eu a conhecia, mais eu a admirava.
A Fé, aquele sentimento que nos conforta, nos acalma e torna tudo possível, não está ligada a nenhum credo, a nenhuma religião. Ainda bem.
Acredito que “ A FÉ é a certeza de que vamos receber as coisas que esperamos e a prova de que existem coisas que não podemos ver” Hebreus 11:1
Não sou originalmente daqui, sou da terra onde João de Santo Cristo foi ganhar $100mil por mês.
Meus pais também não são daqui, são daquela terra onde o nome virou uma charadinha popular – qual é o estado brasileiro com 10 letras e nenhuma se repetem?
Desceram em busca de uma vida melhor, depois de mais de 40 anos a busca ainda não terminou.
Sou casada com um filho de pais que também desceram para buscarem a mesma coisa e, vejam que coincidência, também continuam buscando.
Eles ainda não encontraram porque erraram de perspectiva. Desceram imbuídos de uma certeza “ eles são bons e eu sou sub, aceito.”
A certeza dos imigrantes que atravessaram o oceano no inicio do século era “eles não são bons o bastante e farei deles os subs, ordeno.”
Faço esse paralelo, porque, pra mim, são versões da mesma história.
Ambas turmas estavam tão convictas em suas certezas que fizeram delas histórias concretas.
Claro que as exceções existem e exemplos há aos milhares, mas tento tratar aqui da essência, daquele sentimento invisível que moldam padrões de pensamento e comportamento.
Tios e tias, primos e primas, avós e avôs, primeira, segunda, terceira geração, todos eles são cabeça chata, são paraíba, são Nordestinos.
Somos Nordestinos e disso eu não me orgulho.
Como não me orgulharia em ser espanhola, coreana ou americana.
Como não me orgulharia em ser preta, amarela ou indígena.
Como não me orgulharia em ser gay, ser trans, ser bi.
Como não me orgulharia em ser católica, judia ou macumbeira.
Me chamo Ana Claudia, tenho 37 anos, moro em SP, sou pobre, sou escorpiana, corinthiana, contabilista, bancária, blogueira, branca, caçula, tia, heterossexual, ovo-lacto vegetariana e, da única coisa da qual eu me orgulho: Sou mãe, mãe de 3.
E aqui me dirijo muito respeitosamente àquelas que não são mães porque não quiserem ou puderam.
Orgulho-me em ser mãe porque é a ÚNICA coisa, dentro de todas que eu falei e de outras tantas que existem, que me torna em uma pessoa melhor.
Quero ensinar aos meus filhos que orgulhar-se, satisfazer-se, em ter uma determinada característica, objeto ou atributo é acrescentar lenha na fogueira do preconceito.
E sim, respondo sua pergunta, já fui vitima de PRÉ-Conceito. Pobre, filha de nordestinos semi analfabetos, criada sem pai, moradora da periferia e sem nenhum grande atributo físico feminimo, fez de mim um presa fácil do preconceito.
Me chateie, as vezes, mas nunca deixei isso fazer uma cicatriz em mim e não sei ao certo porquê. Fecho os olhos tentando buscar essa resposta e a única memória que me vem é da minha mãe, trabalhando obstinada e nos falando para seguir sempre em frente. Talvez esteja aqui a resposta.
Caminho livre da obrigação de defender ideologias rasas e não levanto bandeiras a troco de um passado que, pasmem, já passou.
Como cuscuz com margarina, como minha vó ensinou e escuto Bob Marley acompanhada das crianças, e assim as ensino que o cuscuz tem que estar quente para a margarina derreter ao mesmo tempo que cantarolamos “ these songs of freedom...redemption songs.”
Como bem disse Santo Agostinho;
“ O orgulho é a fonte de todas as fraquezas, por que á a fonte de todos os vícios.”
**Inicie escrevendo esse texto para tentar responder de forma coletiva as inúmeras perguntas que fazem sobre mim, 'você é jornalista?" "mora em sp?", "trabalha em que?", acontece que a escrita tem vida própria e de repente o texto foi tomando forma e falando sobre algo que vem me incomodando já faz tempo e tomou força nas últimas semanas com a história do "Sexo e as Negas do Falabela", com a filha trans do Marcelo Tas, com a Miss cearense...enfim...Prazer, essa sou eu