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CAPÍTULO 33.
ELLE EVANS.
31 de dezembro. Réveillon.
O céu já está ficando laranja-rosado no horizonte, o sol se despedindo devagar de 2025. a casa está aberta toda: portas de vidro pra piscina escancaradas, luzes brancas penduradas no jardim, mesa gigante montada no deck com toalha branca e velas baixas que ainda não acendemos porque o vento da noite está fresco.
Eu estou no quarto me arrumando na frente do espelho grande.
Escolhi um vestido prata curto, brilhante, decote profundo nas costas, alças finas, saia rodadinha que mal cobre o meio das coxas. salto alto prata, cabelo castanho solto com ondas perfeitas que passei a tarde fazendo, delineador preto puxadinho, gloss rosa claro nos lábios. o colar “D.K.” brilha no pescoço, como sempre. David viu o vestido mais cedo e só grunhiu baixo, os olhos escurecendo — eu sei o que isso significa pra mais tarde.
Desço as escadas e já ouço as vozes.
Todo mundo chegou.
Heather e Mark estão na cozinha com os meninos — o pequeno David Jr. dormindo no carrinho ao lado, os três mais velhos correndo com os filhotes de pitbull e rottweiler pelo gramado. Heather usa um vestido dourado que abraça o corpo pós-parto dela lindamente, cabelo castanho solto, sorrindo enquanto ajuda a arrumar as taças.
Joel e Hailey chegaram com Sarah e Ellie — as meninas já de biquíni por baixo dos vestidos leves, prontas pra pular na piscina quando der meia-noite. Hailey está linda de azul royal, Joel de camisa branca aberta no peito, barba grisalha perfeita, rindo alto de alguma piada do Mark.
Lara Jeans e Dan (Hondo) estão no deck com Darryl — Lara de vermelho justo, batom vinho, cabelo preto curto impecável, Dan todo de preto como David gosta, careca brilhando, Darryl ajudando a acender as luzes de led na piscina.
E tem mais gente que eu amo: Eddie Brock e Gwen Stacy chegaram há pouco. Eddie todo de preto (claro), jaqueta jeans por cima, barba áspera grande, olhos azuis escuros varrendo tudo como sempre. Gwen radiante num vestido verde esmeralda, cabelo loiro ondulado solto, abraçando Heather como se fossem irmãs de anos.
David está no meio de tudo, coordenando sem parecer que coordena — camisa preta social aberta nos primeiros botões, calça preta, sapatos pretos, barba grisalha perfeita, cabelo penteado pra trás. ele me vê descendo a escada e para. os olhos castanhos me comem inteira, devagar, da cabeça aos pés. eu sinto o corpo esquentar na hora.
Ele vem até mim, pega minha mão, beija os dedos devagar.
— Você está tentando me matar antes da meia-noite, Lolita? - sussurra rouco só pra mim.
Eu sorrio, mordo o lábio.
— Só quero que você lembre o ano inteiro quem é a sua menina, Papai.
Ele rosna baixo, aperta minha cintura com força por um segundo antes de me soltar — porque tem crianças por perto.
A noite vai caindo devagar.
A mesa fica cheia de comida: ceviche, finger foods, espumante gelando no balde, sucos pras crianças, frutas cortadas, doces que sobrar do Natal. os filhotes correm entre as pernas de todo mundo, pedindo carinho.
As crianças (e Darryl, que já é quase adolescente mas entra na brincadeira) fazem contagem regressiva falsa toda hora, rindo alto.
Heather vem me abraçar forte.
— Ano passado eu nem imaginava que ia passar o réveillon com meu pai. - sussurra no meu ouvido, olhos marejados.
Eu abraço ela de volta.
— Agora você vai passar todos com a gente — respondo, beijando a bochecha dela.
Quando o céu fica roxo-escuro, as luzes da casa e do jardim acendem todas. a música começa baixa — uma playlist que Lara e eu montamos juntas, coisas animadas mas não altas demais.
David me puxa pra perto da piscina, longe o suficiente das crianças, uma mão na minha cintura.
— Mais um ano com você, Lolita. - diz baixo, voz rouca de emoção verdadeira.
Eu encosto a testa na dele.
— O melhor ano da minha vida inteira. - sussurro. — e o próximo vai ser ainda melhor.
Ele beija minha boca devagar, profundo, sem ligar pra quem vê.
Ao fundo, as crianças começam a gritar “dez, nove, oito…”
Fogos começam a estourar no céu de Los Angeles.
Todo mundo grita “Feliz Ano Novo!”.
Eu me viro nos braços dele, vejo Heather abraçando Mark, os meninos pulando na piscina já, Lara beijando Hondo, Gwen rindo nos braços do Eddie, Hailey e Joel brindando com as filhas.
E eu, nos braços do meu David, com a família inteira ao redor, sinto as lágrimas de felicidade escorrerem.
2026 começa assim.
Com luzes no céu.
Com gente que eu amo.
Com ele me segurando forte.
E eu sei, no fundo da alma, que vai ser o ano mais feliz de todos.
Porque agora a gente está inteiro.
Porque agora a gente está junto.
Pra sempre.
•••
DAVID "DEACON" KAY.
31 de dezembro. Meia-noite se aproximando.
Eu estou de pé no deck da piscina, encostado na grade, olhando o céu de Los Angeles ficar cada vez mais escuro. a brisa da noite é fresca, mas não fria. a casa atrás de mim está iluminada, cheia de vozes, risadas, tilintar de taças. As luzes brancas que Elle e Lara penduraram no jardim refletem na água da piscina, fazendo tudo parecer um sonho.
Todo mundo que importa tá aqui.
Heather e Mark no sofá externo, ela com o bebê David Jr. no colo dormindo, ele com o braço em volta dela, os meninos mais velhos já de short correndo com os filhotes que não param quietos. Joel e Hailey dançando devagar numa música baixa que toca no som, Sarah e Ellie pulando na piscina com Darryl, gritando toda vez que um fogo de artifício estoura longe.
Lara Jeans e Hondo sentados na beira da piscina, pernas na água, rindo de alguma piada interna. Eddie Brock e Gwen Stacy chegaram há pouco — Eddie com uma cerveja na mão, Gwen abraçando Elle como se fossem irmãs de infância.
E Elle…
Minha Elle.
Ela está no meio da sala de vidro, rodopiando com Dylan no colo, o vestido prata brilhando cada vez que a luz bate. o cabelo castanho solto balançando, o sorriso mais lindo que eu já vi no rosto. ela é o centro de tudo. sempre foi.
Eu não consigo tirar os olhos dela.
Há um ano, eu era um homem quebrado.
Achava que tinha perdido tudo que valia a pena.
Vivia no automático: trabalho, cães, silêncio.
Hoje eu tenho ela.
Tenho Heather de volta.
Tenho netos correndo na minha casa.
Tenho amigos que são família.
Tenho uma vida que eu nem sabia que merecia.
Elle me vê através do vidro.
Ela coloca Dylan no chão com cuidado, diz algo pra Gwen, e vem até mim.
Os saltos altos clicam no deck, o vestido prata refletindo as luzes como se ela fosse feita de estrelas.
Ela para na minha frente, as mãos pequenas indo pro meu peito por cima da camisa preta.
— Faltam dois minutos, Papai. - sussurra, olhos azuis brilhando mais que os fogos que já começam a estourar no horizonte.
Eu pego a cintura dela com as duas mãos, puxo ela contra mim.
— Dois minutos pra 2026 começar. - digo rouco, inclinando pra beijar o canto da boca dela. — e eu já sei que vai ser o melhor ano da minha vida.
Ela sorri, mordendo o lábio de leve.
— Porque a gente está junto. - completa ela, voz doce.
— Porque você está comigo. - corrijo, beijando a testa dela. — você me deu tudo de volta, Lolita. Tudo.
As crianças começam a gritar a contagem regressiva.
“Dez! Nove! Oito!”
Todo mundo se junta no deck. Heather ao meu lado, Mark com o braço nos ombros dela. Hondo levanta Darryl nos ombros. Eddie e Gwen de mãos dadas. Joel e Hailey com as filhas molhadas da piscina.
“Sete! Seis! Cinco!”
Elle se vira nos meus braços, as costas contra meu peito, minhas mãos na cintura dela.
“Quatro! Três! Dois! Um!”
O céu explode em fogos.
Gritos de “Feliz Ano Novo!” ecoam por todo o jardim.
Taças se chocam, abraços, beijos, risadas.
Eu baixo a cabeça e beijo o pescoço dela devagar, a barba arranhando a pele macia.
— Feliz Ano Novo, Lolita. - sussurro rouco no ouvido dela. — te amo pra caralho. Todo dia, todo ano, pra sempre.
Ela vira o rosto, os olhos marejados de felicidade, e me beija de verdade — profundo, lento, cheio de promessa.
— Feliz Ano Novo, Papai. te amo mais que tudo no mundo.
E ali, com fogos iluminando o céu, a família inteira ao redor, os filhotes latindo animados e Elle nos meus braços, eu sei que ganhei.
Ganhamos.
O passado ficou pra trás.
As cicatrizes viraram histórias.
As perdas viraram recomeços.
2026 começa com ela na minha vida.
E eu não preciso de mais nada.
Nunca mais.
•••
ELLE BEATRICE EVANS.
7 de janeiro de 2026.
David saiu cedo pra delegacia — plantão extra depois das festas de fim de ano. ele me beijou longamente na porta, a barba grisalha arranhando minha bochecha, murmurando “se comporta, Lolita” antes de entrar na picape preta. eu fiquei na cama mais um pouco, sentindo o cheiro dele no travesseiro, até que Heather ligou dizendo que ia passar aqui com o bebê David Jr. pra gente passar a tarde juntas.
Agora estamos as duas no sofá grande da sala, pernas dobradas, cobertor por cima, os filhotes dormindo espalhados no tapete. Heather amamenta o pequeno David com calma, o rostinho dele escondido no peito dela. na TV passa uma série boba de comédia que nenhuma de nós tá prestando atenção de verdade — a gente tá mais falando sobre nomes pros próximos filhos dela, sobre como o Mark tá aprendendo a trocar fralda mais rápido que o David, rindo baixinho pra não acordar o bebê.
De repente, a campainha toca.
Uma vez só. Curta.
Eu franzo a testa. não estamos esperando ninguém. David avisaria se mandasse entrega.
— Eu vou ver. - sussurro pra Heather, deixando o controle remoto na mesa de madeira.
Descalça, caminho pelo corredor até a porta da frente. os filhotes levantam a cabeça preguiçosamente, mas não latem — conhecem o lugar de cor.
Destranco a porta, abro devagar.
Não tem ninguém.
O corredor externo está vazio. nenhum carro estranho na rua. nenhum som.
Meu olhar desce.
No carpete cinza, bem na frente da porta, tem uma cesta pequena de vime, forrada com um cobertor azul claro. dentro, um bebê. muito pequeno. dormindo profundamente, enrolado num macacão branco, o rostinho rosado, cabelinho escuro fininho. uma mamadeira vazia ao lado, uma fralda limpa dobrada.
E um bilhete branco dobrado em cima do cobertor.
Meu coração dispara.
Eu me abaixo rápido, pego a cesta com as duas mãos — ela é leve, mas o peso de um bebê novo é diferente de tudo. fecho a porta com o pé, tranco de novo, o corpo inteiro em alerta.
Volto pra sala carregando a cesta com cuidado, como se fosse de vidro.
Heather já tá de pé, o bebê David Jr. no ombro, os olhos arregalados.
— Elle… que isso? - sussurra, voz assustada.
Eu coloco a cesta com delicadeza na mesa de centro, ao lado do controle remoto.
O bebê se mexe um pouco, faz um som baixinho de sono, mas não acorda.
Minhas mãos tremem quando pego o bilhete.
Abro devagar.
A letra é manuscrita, firme, mas apressada.
"Elle,
O nome dele é Noah.
Tem exatamente 15 dias.
O pai não quer saber. Eu não posso criar.
Sei que você e o Sargento Kay vão dar a ele o que eu não consigo.
Você já salvou tanta gente. Salve ele também.
Por favor.
Não me procurem.
Obrigada."
Não tem assinatura.
Abaixo, uma fotocópia simples da certidão de nascimento: Noah Evans Kay Landeweerd.
Meu sobrenome.
O sobrenome dele.
Meu coração para.
Heather cobre a boca com a mão, lágrimas já escorrendo.
— Elle… — ela sussurra, voz quebrada. — ele… ele tem o sobrenome de vocês…
Eu olho pro bebê.
Noah.
Quinze dias de vida.
Dormindo tranquilo, como se soubesse que chegou em casa.
Eu estendo o dedo devagar, toco a mãozinha minúscula dele. Ele segura meu dedo por instinto, apertando forte pra alguém tão pequeno.
As lágrimas caem no meu colo.
Eu sei quem fez isso.
Não tenho prova, mas sei.
Mas nesse momento… não importa.
O que importa é que ele tá aqui.
Seguro.
E eu já amo ele.
Com todo o coração.
•••
DAVID "DEACON" KAY.
7 de janeiro de 2026. fim de tarde.
O plantão foi longo — operação que deu certo, mas que deixou o corpo pesado e a cabeça cheia. Tudo que eu queria era chegar em casa, tirar as botas, abraçar minha menina e ouvir ela falando sobre o dia.
Estaciono a picape na garagem, pego a jaqueta no banco de trás, entro pela porta lateral que dá na cozinha. os filhotes vêm correndo como sempre, latindo baixinho, abanando o rabo. faço carinho rápido na cabeça de cada um, mas estranhei: normalmente a Elle já estaria aqui pra me receber com um beijo.
Ouço vozes baixas na sala de estar.
Heather falando algo suave, quase chorando.
Elle respondendo, voz doce, mas tremendo.
Eu largo a jaqueta na cadeira da cozinha e vou até lá.
Paro na entrada da sala.
Elle está sentada no sofá grande, de pernas cruzadas, um cobertor azul claro nos braços. ela balança devagar, com uma delicadeza que eu só vi quando ela segura o David Jr. da Heather. o rostinho de um bebê — muito pequeno, recém-nascido — aparece entre os paninhos. Elle olha pra ele como se fosse a coisa mais preciosa do universo, os olhos azuis marejados, um sorriso trêmulo nos lábios.
Heather está sentada ao lado, o próprio filho no colo, mas os olhos fixos no bebê que Elle segura.
Eu sinto o chão sumir por um segundo.
— Elle…? - minha voz sai rouca, mais baixa do que eu pretendia.
Ela levanta o rosto na hora. os olhos encontram os meus. Tem medo ali, mas também uma certeza absoluta.
— David… - sussurra, voz doce e firme ao mesmo tempo. — vem cá, por favor.
Eu dou os passos necessários até o sofá. meus joelhos quase cedem quando me sento ao lado dela.
Olho pro bebê.
Pele rosada, cabelinho escuro fininho, punho minúsculo fechado perto da boca. dormindo tranquilo, como se o mundo já fosse seguro pra ele.
— Quem… - começo, mas a garganta fecha.
Elle pega o bilhete dobrado na mesa de centro e me entrega sem falar nada.
Eu leio.
Uma vez.
Duas.
Noah Evans Kay Landeweerd.
Meu sobrenome.
O sobrenome dela.
Quinze dias de vida.
Alguém deixou ele na nossa porta.
Com o nosso nome.
Eu sinto o peito explodir — raiva, medo, proteção, amor, tudo ao mesmo tempo.
Olho pra Elle. Ela já tá chorando baixinho, mas segura o bebê como se nunca mais fosse soltar.
— Ele é nosso, David. - sussurra ela, voz quebrada de emoção. — alguém sabia que a gente ia cuidar dele. que a gente ia amar ele.
Eu estendo o braço devagar, com medo de quebrar o momento. toco a bochecha minúscula do Noah com a ponta do dedo indicador — o mesmo dedo que já puxou gatilho, que já segurou armas, que já marcou a pele da Elle de tantas formas.
Ele se mexe um pouco, faz um som baixinho, e segura meu dedo com a mão inteira. Apertado. Forte.
Eu perco o ar.
— Noah… - digo baixo, voz falhando pela primeira vez em anos.
Heather se levanta devagar, beija o topo da cabeça da Elle, depois a minha.
— Eu vou deixar vocês três sozinhos. - sussurra, sorrindo com lágrimas. — mas eu volto amanhã cedo pra ajudar com tudo.
Ela sai quietinha, fechando a porta da sala.
Fico só nós três.
Eu, Elle, e o bebê que o destino deixou na nossa porta.
Eu passo o braço em volta dos ombros dela, puxo os dois pro meu peito. Elle se aninha em mim, o bebê seguro entre nós.
— Ele é lindo, Papai… - Elle sussurra contra meu pescoço, voz molhada. — parece um anjinho.
Eu beijo a testa dela, depois a cabecinha do Noah.
— Ele é nosso agora, Lolita. - digo rouco, mas com uma certeza que vem do fundo da alma. — Ninguém tira ele da gente. eu juro.
Elle levanta o rosto, os olhos azuis brilhando.
— Nossa família cresceu de novo. - diz, sorrindo entre as lágrimas.
Eu sorrio de volta. pequeno. verdadeiro.
— Cresceu. - confirmo, beijando a boca dela devagar, com todo o cuidado do mundo pra não acordar o Noah.
E ali, no sofá da nossa casa, com os filhotes dormindo no tapete e o sol se pondo lá fora, eu entendo.
A vida não acabou de nos dar um bebê.
A vida acabou de nos dar um filho.
E eu vou proteger ele.
Como protejo ela.
Como protejo todos que são meus.
Com a vida.
•••
ELLE BEATRICE EVANS.
Outros dias se passaram.
A Páscoa chegou rápido, junto com a Semana Santa, e nossa casa se transformou novamente em um lugar cheio de vida, barulho e amor.
Noah já tinha quase um mês. ele era tão pequeno, tão perfeito. Cabelinho escuro começando a crescer mais, olhos que ainda não decidiam se iam ficar azuis ou castanhos como os do David. Ele dormia muito, chorava pouco, e quando acordava, olhava tudo com aquela carinha curiosa que derretia meu coração inteiro. David e eu nos revezávamos nas madrugadas — ele acordava pra trocar fralda e me trazer o bebê pra mamar (eu tinha começado a tirar leite pra ele também), e eu via nos olhos do meu homem um amor tão grande que às vezes ele ficava sem palavras.
Hoje era Domingo de Páscoa.
A casa estava cheia de novo.
Gwen e Eddie chegaram cedo com Dylan, que agora tinha 5 anos e meio e já se achava o “protetor oficial” do Noah. Dylan sentou no chão da sala com o bebê no colo (com muita supervisão), fazendo caretas pra ele rir. Gwen, linda num vestido floral leve, ajudava na cozinha com Verônica. Eddie, de jaqueta jeans preta e barba grande, conversava sério com David no deck sobre trabalho.
Verônica e Dean trouxeram um enorme ovo de chocolate caseiro e ficaram babando no Noah o tempo todo — Verônica dizia que ele era “a cara do David quando bebê”.
Heather e Mark vieram com toda a turma: os três meninos mais velhos correndo com os filhotes no jardim, e o pequeno David Jr. no carrinho. Heather estava radiante, cabelo castanho solto, vestido branco leve, e não parava de tirar fotos nossas.
Lara Jeans e Hondo apareceram com Darryl — Lara de short jeans e blusa cropped vermelha, toda animada, Hondo carregando uma cesta gigante de ovos de Páscoa pra todas as crianças (e pros “adultos grandes” também). Darryl já estava no chão brincando com os pitbulls e rottweilers.
Hailey e Joel trouxeram Sarah (13) e Ellie (15). as meninas estavam encantadas com Noah, pedindo pra segurar ele o tempo todo. Joel, com a barba grisalha desgrenhada, e Hailey de vestido azul claro, ajudavam a arrumar a mesa enorme no jardim.
Emily e Sam vieram com Ava e o marido dela, Hank Voight — o famoso detetive de Chicago que tinha vindo passar uns dias com a família. Hank era sério, mas sorria de canto quando via Noah nos meus braços.
A mesa no jardim estava linda: pernil assado, arroz com passas, salada colorida, ovos coloridos pintados pelas crianças, chocolates de todos os tipos, pães doces e uma enorme torta de limão que Verônica fez.
Eu estava com Noah no colo, enrolado num macacãozinho branco com coelhinho bordado que Heather tinha dado. David veio por trás, passou os braços grandes em volta de nós dois, o queixo apoiado no topo da minha cabeça.
— Olha só pra isso, Lolita. - murmurou rouco no meu ouvido, voz carregada de emoção. — nossa casa cheia. nossos filhos. nossa família.
Eu inclinei a cabeça pra trás, beijando a barba grisalha dele.
— Ele trouxe mais amor ainda. - sussurrei, olhando pro Noah que dormia tranquilo no meu peito. — Noah completou tudo.
As crianças corriam pelo jardim procurando ovos de Páscoa escondidos. Dylan gritava toda vez que achava um, Darryl ajudava Sarah e Ellie. os filhotes latiam animados, correndo atrás deles.
Heather veio até nós, abraçou minha cintura e beijou a cabecinha do Noah.
— Ele é tão lindo… - diz baixinho. — vocês vão ser os melhores pais do mundo pra ele.
David apertou nós três mais forte.
— Já somos. - respondeu, voz grave e segura. — porque ele chegou pra gente.
Mais tarde, quando o sol começou a baixar, todo mundo se reuniu na mesa. David fez uma oração curta, agradecendo pela família, pela saúde, pelos recomeços. quando terminou, todos disseram “amém” juntos.
Eu olhei ao redor: Gwen rindo com Lara, Eddie e Hondo conversando sobre trabalho, Verônica e Dean mimando o Noah, Hank Voight contando histórias antigas pra Joel, as crianças felizes, os cães deitados aos pés de todo mundo.
E David ao meu lado, uma mão grande na minha coxa por baixo da mesa, a outra segurando a minha.
Noah dormia no carrinho ao nosso lado, protegido por todos nós.
Eu sorri, sentindo o peito transbordar.
Depois de tanta dor, tanta perda, tanta escuridão…
A vida tinha nos dado um milagre chamado Noah.
E uma família que não parava de crescer.
Esse era o nosso melhor ano.
E eu sabia que viriam muitos outros assim.
Com ele.
Com nossos filhos.
Com todos que amamos.
Feliz Páscoa.
Feliz vida.
•••
DAVID "DEACON" KAY.
A casa finalmente ficou em silêncio.
Depois de um dia inteiro de Páscoa cheio de gente, risadas, crianças correndo, ovos de chocolate espalhados pelo jardim e os filhotes latindo sem parar, todo mundo foi embora. Heather e Mark foram os últimos, levando os meninos já dormindo no carro. A porta se fechou, o alarme foi ligado, e restou apenas o som baixo do vento lá fora e o barulhinho distante do monitor do bebê.
Noah estava dormindo profundamente no berço do nosso quarto. tinha mamado, tomado banho, e agora dormia como um anjinho, enroladinho no macacão branco com coelhinho. os filhotes também apagaram — exaustos de tanto brincar, espalhados no tapete da sala como uma pilha de pelo preto.
A casa estava vazia.
Só nós dois.
Eu estava na cozinha terminando de guardar as últimas coisas quando Elle apareceu na porta, descalça, vestindo apenas uma camisola branca curta e fina que mal cobria as coxas. o cabelo castanho solto caía bagunçado sobre os ombros, os olhos azuis brilhando com aquele olhar que eu conhecia muito bem.
Ela não precisou dizer nada.
Eu larguei o pano de prato, fui até ela e a peguei no colo sem esforço. Elle enroscou as pernas na minha cintura, os braços em volta do meu pescoço, e me beijou devagar, doce, como se tivéssemos todo o tempo do mundo.
Eu a carreguei até o quarto, fechei a porta com o pé, e a deitei na cama com cuidado.
— Hoje foi perfeito… - ela sussurrou contra minha boca, as mãos deslizando por baixo da minha camisa preta, tirando-a devagar. — mas eu precisava de você só pra mim.
Eu sorri contra os lábios dela, tirando a camisola fina pelo corpo dela, deixando-a completamente nua pra mim.
— Eu sempre sou seu, Lolita. - murmurei rouco, beijando o pescoço dela devagar, descendo pela clavícula, pelos seios ainda sensíveis.
Eu fiz amor com ela devagar.
Sem pressa.
Sem agressividade.
Só carinho puro, gostoso, profundo.
Entrei nela bem devagar, sentindo cada centímetro, pele com pele, quente e molhada. Elle gemeu baixinho no meu ouvido, as unhas arranhando minhas costas com delicadeza, as pernas enlaçando minha cintura pra me puxar mais fundo.
— David… -!ela suspirou meu nome como uma oração, os olhos semicerrados de prazer.
Eu me movi dentro dela com ritmo lento, mas intenso, cada estocada cheia de amor. Beijei sua boca, chupei os lábios dela, desci pro pescoço, mordi de leve a pele macia enquanto meus quadris rolavam contra os dela.
— Eu te amo tanto… - sussurrei no ouvido dela, a voz rouca e baixa. — você me deu uma família inteira… me deu o Noah… me deu tudo.
Elle choramingou de prazer, apertando mais as pernas em volta de mim, os quadris subindo pra encontrar os meus.
— Eu te amo mais, Papai… - gemeu doce, os olhos marejados. — você é meu tudo.
Eu continuei devagar, profundo, sentindo ela apertar em volta de mim, o corpo dela tremendo de prazer. quando ela gozou, foi lindo — quietinho, intenso, o corpo arqueando contra o meu, um gemido longo e suave escapando dos lábios inchados.
Eu gozei logo depois, enterrado bem fundo nela, enchendo-a com tudo que eu tinha, abraçando ela forte contra o peito enquanto pulsava dentro dela.
Ficamos assim por longos minutos.
Eu ainda dentro dela, o corpo grande cobrindo o pequeno dela, os corações batendo juntos. eu fazia carinho no cabelo dela, beijava sua testa, suas pálpebras, a ponta do nariz.
— Obrigado por existir, Lolita. - murmurei contra a pele dela. — obrigado por me dar o Noah… por me dar essa vida.
Elle sorriu, os olhos brilhando de felicidade, e me beijou devagar.
— Essa é a nossa família agora. - sussurrou. — você, eu, Noah… e todos que a gente ama.
Eu rolei pra o lado, puxando ela pra cima de mim, ainda conectados. ela deitou a cabeça no meu peito, traçando círculos com o dedo nas minhas tatuagens.
A casa estava silenciosa.
Noah dormia tranquilo no berço.
Os filhotes roncavam na sala.
E eu, com minha menina nos braços, me sentia o homem mais completo do mundo.
Sexo carinhoso, gostoso, cheio de amor.
Exatamente como a gente merecia depois de tudo.
CAPÍTULO 32.
DAVID "DEACON" KAY.
Dois dias depois.
San Diego, uma tarde de sábado ensolarada demais pro meu gosto.
Estou parado na frente da casa deles – uma casa térrea simples, gramado bem cuidado, brinquedos espalhados no quintal, uma minivan estacionada na garagem. minha picape preta parece deslocada ali, grande demais, escura demais.
Elle está ao meu lado, a mão pequena entrelaçada na minha, apertando forte. ela usa um vestido leve azul claro que comprei pra ocasião, cabelo castanho solto com tranças laterais que ela mesma fez de manhã, nervosa. ela não precisou vir. eu disse que podia ir sozinho. mas ela respondeu que família é família, e ponto final.
Mark abre a porta antes mesmo de eu bater.
Ele assente pra mim, um meio abraço rápido, depois beija a bochecha da Elle.
— Ela está na sala. - diz baixo, voz firme mas emocionada. — os meninos estão na casa da avó. só nós hoje.
Eu respiro fundo.
Elle aperta minha mão mais uma vez.
Entramos.
E aí eu a vejo.
Heather está de pé no meio da sala, uma mão na barriga arredondada, a outra torcendo a bainha da blusa solta. cabelo castanho escuro longo e liso caindo pelos ombros, olhos… meus olhos. Castanhos avelã, grandes, nervosos. Ela está mais bonita do que nas fotos. Mais real.
O tempo para.
Eu sinto o peito rasgar de novo, mas dessa vez de algo que não é dor.
— Heather… - minha voz sai rouca, quase quebrada.
Ela me olha por um segundo longo.
Os olhos marejam na hora.
— Pai…? - sussurra, voz tremendo.
Eu dou um passo à frente. depois outro.
Elle solta minha mão devagar, ficando um pouco pra trás, me dando espaço.
Heather dá um passo também.
E então a gente se encontra no meio da sala.
Eu abraço minha filha pela primeira vez em treze anos.
Ela é alta, quase na minha altura com o salto baixo que usa, mas ainda cabe perfeita nos meus braços como quando era pequena. eu envolvo ela inteira, uma mão nas costas, a outra na nuca, sentindo o cabelo macio, o cheiro de shampoo e vida.
Ela chora no meu ombro, soluços altos, as mãos agarrando minha camisa como se eu pudesse sumir.
— Eu achei que você tinha morrido… - ela soluça. — A mamãe disse que você morreu em missão… que você era herói…
Eu fecho os olhos forte, as lágrimas escorrendo silenciosas pela minha cara, molhando o cabelo dela.
— Eu nunca morri, princesa. - sussurro rouco, voz falhando. — eu nunca te abandonei. eu enterrei um caixão vazio achando que tinha perdido você pra sempre. eu chorei todo dia por você.
Ela chora mais alto, o corpo tremendo.
— Eu sinto tanto a sua falta todos esses anos… eu desenhava você nos meus cadernos… eu sonhava com você…
Eu afasto ela um pouco, só pra olhar o rosto dela. limpo as lágrimas com os polegares, como fazia quando ela era bebê e caía do balanço.
— Você tá tão linda… - digo baixo, voz embargada. — tão adulta. e tá me dando netos… quatro netos…
Ela ri entre o choro, colocando minha mão na barriga dela.
— Sente. ele está chutando agora.
Eu sinto.
Um chutinho forte contra a palma da minha mão.
Eu rio também, um riso molhado, incrédulo.
— Um menino?
— Sim. - ela confirma, sorrindo de verdade agora. — vamos chamar de David, se você deixar.
Eu perco o ar de novo.
— Eu… eu ia amar isso.
Mark e Elle estão encostados na parede, nos dando espaço, os dois com os olhos marejados.
Eu puxo Heather pro sofá, sento com ela do meu lado, a mão dela na minha o tempo todo. conto tudo: as missões, os anos de dor, os outros filhos, como eu nunca parei de amar ela. ela conta sobre a vida dela, os meninos, o trabalho na doceria, como Mark a salvou de um momento ruim.
Horas passam.
Quando o sol começa a baixar, eu abraço ela de novo, mais forte.
— Eu não vou sumir de novo. - prometo no ouvido dela. — nunca mais. eu vou estar aqui pros seus partos, pros aniversários dos meninos, pra tudo. você é minha filha. sempre foi.
Ela assente contra meu peito.
— Eu te amo, pai.
Eu beijo a testa dela, como fazia quando ela era pequena.
— Eu te amo mais, Heather. mais que tudo.
Elle se aproxima devagar, e Heather abre o braço pra ela.
— Você deve ser a Elle. - diz, sorrindo com lágrimas. — meu pai falou de você o tempo todo no telefone.
Elle ri, abraçando as duas ao mesmo tempo.
— Prazer, mana — sussurra, voz doce.
E ali, no sofá daquela casa simples em San Diego, eu recupero o que Annie tentou roubar de mim.
Minha filha.
Minha família inteira.
E pela primeira vez em muito tempo, eu me sinto completo.
•••
ELLE EVANS.
Alguns meses depois.
Véspera de Natal.
A casa inteira cheira a pinheiro fresco, canela, chocolate quente e peru assando no forno. as luzes da árvore gigante piscam devagar no canto da sala, refletindo nas janelas blindadas que David insiste em manter mesmo em noites como essa. oa filhotes — agora bem maiores, mas ainda achando que são de colo — correm de um lado pro outro, latindo animados com tantos cheiros novos e tantas mãos fazendo carinho neles.
Tudo finalmente parece… em paz.
Minha mãe conseguiu a guarda total dos meus irmãos. William foi preso depois de tentar fugir pra México — gritou até o fim que era inocente, que “só queria proteger a família”, que tinha internado minha mãe “pro bem dela”. Ninguém acreditou. As provas que David juntou foram demais. Ele tá preso esperando julgamento, e eu nunca me senti tão leve.
Annie, a ex do David, também foi pega no aeroporto tentando embarcar pra Europa com nome falso. acabou algemada no meio do terminal. David nem comemorou alto — só me abraçou forte e disse “acabou, baby”.
E agora estamos aqui.
Todos nós.
Eu uso o vestido branco com flores vermelhas que David escolheu pra mim: decote longo que deixa o colar “D.K.” bem visível, tecido leve que roça nas coxas, salto alto vermelho que faz minhas pernas parecerem mais longas. cabelo castanho solto e penteado com ondas suaves, delineador fino, rímel, gloss brilhando nos lábios. me sinto bonita. e. me sinto amada.
A casa está cheia de vozes, risadas, tilintar de taças.
Verônica chega primeiro, deslumbrante num vestido preto justo com decote profundo, cabelo preto curto impecável, olhos castanhos brilhando, salto alto perfeito. Dean ao lado dela, jaqueta verde escura, camisa cinza, barba bem aparada, olhos verdes claros cheios de orgulho quando olha pra mulher.
Gwen vem em seguida, num vestido vermelho sangue que abraça as curvas, cabelo loiro ondulado solto, gloss nos lábios, olhos verdes claros sorrindo pra todo mundo. Eddie do lado, todo de preto como sempre — jaqueta jeans, camisa preta, barba áspera desgrenhada e grande, cabelo castanho bagunçado. O filhinho deles, Dylan, de 5 anos, segura a mão da mãe: camisa preta com detalhes vermelho e branco, calça preta, tênis preto, olhos azuis escuros iguais aos do pai, cabelo igual ao do Eddie e da Gwen. Gwen tenta convencer ele a brincar com as outras crianças, mas ele faz biquinho e se agarra na perna dela.
— Ele tá numa fase muito carente. - ela suspira, rindo, bagunçando o cabelo do menino.
Heather chega radiante, o vestido branco com flores rosas abraçando a barriga que já não está mais grávida — o pequeno David Jr. nasceu há duas semanas, saudável e barulhento. cabelo castanho longo solto, olhos castanhos com toque de verde brilhando de felicidade, gloss nos lábios. Mark ao lado, jaqueta preta, camisa branca, todo protetor como sempre. os três meninos mais velhos deles — quietinhos, educados — devoram os salgadinhos e fazem festa com os filhotes de pitbull e rottweiler, que lambem os rostinhos deles sem parar.
Lara Jeans aparece com o cabelo preto curto impecável, batom vinho, blusa curta preta com decote, calça jeans rasgada, salto alto preto. Hondo do lado, camisa azul escura, barba preta escura, careca brilhando, sorrindo largo. o sobrinho adotivo deles, Darryl, de 10 anos, segura um pacotinho de presente pros cães e já tá no chão brincando com Thor.
Hailey chega linda num vestido azul claro com decote, cabelo loiro ondulado com franja, olhos azuis claros, batom suave. Joel ao lado, jaqueta bege, camisa verde, barba grisalha áspera e grande, cabelo grisalho bagunçado. as filhas deles, Sarah de 13 e Ellie de 15, já correndo pra abraçar Heather e ver fotos do bebê novo.
Emily e Sam, Verônica e Dean, Gwen e Eddie… todos os filhos do David que puderam vir estão aqui, misturados com a equipe da SWAT como uma família só.
E David…
David está todo de preto.
Camisa social preta aberta no primeiro botão, calça preta sob medida, sapatos pretos brilhando, jaqueta de couro preta por cima. a barba grisalha perfeita, cabelo grisalho penteado pra trás, olhos castanhos escuros varrendo a sala inteira, certificando-se de que todo mundo está bem. de que eu estou bem.
Ele para atrás de mim na cozinha, mãos grandes na minha cintura, queixo apoiado no topo da minha cabeça.
— Está feliz, Lolita? - sussurra rouco no meu ouvido.
Eu viro o rosto, beijo a barba dele.
— Mais do que nunca, Papai.
Ele sorri — aquele sorriso raro, verdadeiro, que só eu e agora a família toda conseguimos tirar dele.
A casa está cheia de gente que a gente ama.
Presentes empilhados embaixo da árvore — muitos pros filhotes, que já rasgaram duas caixas de biscoitos caninos.
Sobremesas em cima de todas as mesas: pavê da minha mãe, torta de morango da Heather, brownies da Lara.
Eu olho pra tudo isso e sinto o peito explodir.
Família.
A minha.
A dele.
A nossa.
E amanhã é Natal.
O primeiro de muitos que vamos passar assim: juntos, inteiros, livres das sombras do passado.
Eu pego a mão do David, entrelaço nossos dedos.
E sorrio.
Porque finalmente… tudo está no lugar certo.
•••
DAVID "DEACON" KAY.
Eu fico encostado na parede da sala, braços cruzados, só observando.
A casa nunca esteve tão cheia, tão viva. o cheiro de pernil assado há horas toma tudo, misturado com farofa crocante, salpicão de frango geladinho, salada de macarrão, arroz grego com passas e castanhas que Elle insistiu em fazer porque “é tradição da mãe dela”. os pães artesanais quentinhos estão na cesta no centro da mesa, desaparecendo rápido.
Todo mundo já atacou o buffet. Pratos cheios, risadas altas, crianças correndo entre as pernas dos adultos com os filhotes atrás. os pitbulls e rottweilers viraram o centro das atenções — os meninos da Heather e Mark não largam o Thor e a Luna, Dylan finalmente saiu do colo da Gwen pra brincar com a Hera, até o Darryl do Hondo tá no chão rolando com eles.
Eu estou todo de preto, como sempre em ocasiões especiais — camisa social preta, calça preta, sapatos pretos. só tirei a jaqueta de couro. A barba grisalha aparada, cabelo penteado pra trás. Elle diz que assim eu fico “intimidantemente bonito”. eu só sei que não consigo tirar os olhos dela.
Ela circula pela sala como se tivesse nascido pra isso: vestido branco com flores vermelhas abraçando o corpo pequeno, decote longo mostrando o colar que nunca tira, salto alto fazendo as pernas parecerem infinitas. o cabelo castanho solto balança a cada passo, gloss brilhando cada vez que ela sorri. Ela para pra abraçar minha mãe (Verônica), pra ajudar Lara a servir refrigerante pras meninas de Joel, pra pegar Dylan no colo quando ele quer atenção de novo.
Eu sinto o peito apertar de um jeito bom.
Essa é a minha família.
A que eu construí com sangue, suor e muita dor.
E a que Elle trouxe de volta pra luz.
— Hora dos presentes! - Elle anuncia de repente, batendo palminhas como uma criança grande.
Todo mundo migra pra perto da árvore. Os pacotes estão empilhados altos — muitos com nome dos cães, porque aparentemente todo mundo resolveu mimar os filhotes.
Eu sento no braço do sofá, puxo Elle pra entre minhas pernas, as costas dela contra meu peito, braços em volta da cintura dela. ela se aninha naturalmente, a mão dela cobrindo a minha.
Um a um, os presentes vão sendo abertos.
Heather ganha um relógio delicado de prata da Elle — “pra lembrar que o tempo perdido a gente recupera agora”. ela chora, me olha, eu assinto orgulhoso da minha menina.
Mark ganha uma garrafa de uísque caro de mim. Ele ri, sabe que é pra comemorar a paz entre nós.
Lara e Hondo trocam olhares cúmplices quando abrem o pacote conjunto que Elle preparou — ingressos pra um fim de semana só deles. Lara grita e abraça Elle forte.
Dylan ganha um kit de policial mirim completo — distintivo, algemas de brinquedo, walkie-talkie. Ele olha pra mim com olhos arregalados, como se eu fosse o super-herói da vida real. Eu bagunço o cabelo dele.
Meus outros filhos — os que vieram de longe — ganham coisas pessoais que Elle ajudou a escolher: uma foto emoldurada nossa com Heather e os netos, camisas da SWAT personalizadas, joias pra esposas.
E eu…
Elle se vira no meu colo, pega um pacote pequeno embrulhado em papel vermelho escuro.
— Esse é meu pra você, Papai. - sussurra só pra mim, os olhos azuis brilhando.
Eu abro devagar.
Dentro tem uma corrente de prata grossa, masculina, com um pingente redondo. Abro o pingente — é uma foto minúscula: eu, Elle, Heather, Mark e os netos, todos juntos no dia do reencontro. do outro lado, gravado: “você nos salvou. nós te salvamos. para sempre.”
Eu sinto o peito fechar.
Olho pra ela. ela já está chorando baixinho.
Eu puxo ela pra um beijo lento, profundo, sem ligar pra quem tá olhando. quando afasto, encosto a testa na dela.
— Você é meu maior presente, Lolita. todo dia.
Ela sorri, lágrimas escorrendo.
Depois vem a parte das sobremesas.
A mesa vira um festival: rabanada quentinha com canela, pavê de chocolate branco que Elle fez com a mãe por videochamada, torta de cookie recheada que Gwen trouxe, torta de Oreo que Lara arrasou, bombom de uva na travessa que Heather jurou que era “fácil de fazer com uma mão só segurando bebê”.
Vinho tinto, guaraná, Coca-Cola gelada e Fanta laranja pras crianças e pra Elle (ela ainda prefere refrigerante).
Eu fico olhando tudo isso — as conversas cruzadas, os pratos passando de mão em mão, os filhotes roubando pedaços caídos no chão, Elle rindo alto de alguma piada do Hondo.
Eu perdi muita coisa na vida.
Perdi anos com Heather.
Perdi noites de sono com fantasmas.
Perdi a capacidade de acreditar em finais felizes.
Mas hoje, nessa véspera de Natal, com a casa cheia de gente que eu amo e que me ama de volta, com minha menina no colo e minha filha me chamando de “pai” de novo…
Eu ganhei tudo de volta.
E mais um pouco.
Eu beijo o ombro da Elle, aperto ela contra mim.
— Feliz Natal, Lolita. - sussurro rouco no ouvido dela.
Ela vira o rosto, beija minha barba.
— Feliz Natal, Papai. O melhor de todos.
E é.
O melhor de todos.
•••
ELLE EVANS.
A casa finalmente ficou em silêncio.
Todo mundo já foi embora há quase uma hora. eles ajudaram com tudo: louça lavada e guardada, sobras na geladeira, copos enxugados, chão varrido. Heather deu beijo na minha bochecha e disse “obrigada por me trazer meu pai de volta”. Lara e Hondo levaram as crianças mais novas dormindo no colo. Gwen e Eddie foram os últimos, com Dylan já apagado no ombro do pai.
A porta se fechou, o alarme foi ligado, as luzes da sala apagadas.
Só ficou o abajur do corredor e a luzinha da árvore de Natal piscando devagar.
Os filhotes estão todos dormindo no canto da sala, empilhados uns nos outros como uma montanha de pelo preto: Luna ronca baixinho, Thor com a cabeça em cima da Hera, os outros três encolhidos juntos. exaustos de tanto brincar.
Eu estou na cozinha, tirando os saltos altos devagar, descalça no piso frio. O vestido branco com flores vermelhas ainda no corpo, o decote longo um pouco amassado de tanto abraço. O cabelo solto caindo nas costas, o gloss quase todo sumido de tanto beijar bochechas e conversar.
Eu ouço os passos dele antes de ver.
David entra na cozinha sem fazer barulho, mas eu sinto a presença dele como sempre — grande, intensa, tomando todo o espaço. ele está sem a camisa social agora, só a regata preta justa marcando os músculos do peito e dos braços, calça preta ainda posta, pés descalços. A barba grisalha brilha um pouco com a luz baixa, os olhos castanhos escuros cravados em mim.
Ele não fala nada.
Só me encara.
E eu sei.
Eu sei exatamente o que ele quer.
Porque eu quero a mesma coisa.
O ar fica pesado na hora. meu coração acelera, o corpo inteiro reage antes mesmo dele tocar em mim. eu mordo o lábio de leve, sentindo o calor subir pelo pescoço, pelas bochechas.
Ele dá um passo à frente. depois outro.
Para bem na minha frente, alto, imponente, o cheiro dele — perfume amadeirado, vinho do jantar, calor de homem — me envolvendo inteira.
Uma mão grande vai pra minha cintura, apertando o tecido do vestido, me puxando devagar contra o peito dele.
— Todo mundo foi embora, Lolita. - ele murmura rouco, voz baixa e perigosa, o polegar roçando a pele nua do meu decote. — agora a casa é só nossa.
Eu arfo baixinho, as mãos subindo automaticamente pro peito dele, sentindo os músculos firmes debaixo da regata.
— Eu sei, Papai… - sussurro doce, olhando pra ele por baixo dos cílios. — eu estou esperando você me foder desde que a Heather saiu pela porta.
Os olhos dele escurecem na hora. Um rosnado baixo sai da garganta dele.
Ele não espera mais.
Me pega no colo com facilidade, uma mão debaixo das minhas coxas, a outra nas costas, me carregando como se eu não pesasse nada. eu enrolo as pernas na cintura dele, os braços no pescoço, beijando a barba grisalha com fome.
Ele me leva pro quarto, chutando a porta pra fechar.
Me joga na cama com cuidado, mas firme.
O vestido sobe até a cintura, mostrando que eu não estou usando nada por baixo — fiz de propósito. sabia que ia acabar assim.
Ele para na beira da cama, só me olhando, o peito subindo e descendo pesado.
— Minha menina safada… - rosna baixo, tirando a regata num movimento só, jogando no chão. — sem calcinha no Natal inteiro… esperando o Papai te comer na frente da árvore se eu quisesse.
Eu abro as pernas devagar, mordendo o lábio, as mãos subindo pros seios por cima do vestido.
— Só pra você, Papai… sempre só pra você.
Ele sobe na cama, grande, dominante, cobrindo meu corpo com o dele.
E então me fode.
Forte, fundo, sem pressa agora que estamos sozinhos.
Como só ele sabe fazer.
Como só ele pode fazer.
Porque eu sou dele.
E nessa noite de Natal, com a casa em silêncio e o mundo lá fora esquecido, eu me entrego inteira.
Mais uma vez.
Pra sempre.
•••
DAVID "DEACON" KAY.
A casa está em silêncio absoluto.
Os filhotes dormem. a árvore de Natal ainda pisca devagar no canto da sala. a porta do quarto está trancada.
Elle está debaixo de mim na cama king size, o vestido branco com flores vermelhas já amontoado na cintura, as pernas abertas em volta dos meus quadris, os saltos altos ainda nos pés porque eu não deixei ela tirar. o cabelo castanho espalhado no travesseiro como uma auréola, os olhos azuis vidrados nos meus, a boca inchada dos beijos brutos que já dei.
Eu estou nu em cima dela, o corpo grande cobrindo o pequeno dela inteira, o meu pau grosso já enterrado fundo, sem camisinha — nunca tem, nunca vai ter. ela é minha pra marcar por dentro também.
Eu saio quase todo e bato de volta com força, fundo, fazendo a cabeceira da cama bater na parede. ela geme alto, as unhas vermelhas cravando nas minhas costas, arranhando a pele.
— Papai… mais forte… - ela implora, voz doce e quebrada, arqueando o corpo pra mim.
Eu rosno baixo, uma mão grande agarrando o pescoço dela com pressão suficiente pra sentir o pulso acelerado, a outra segurando a coxa dela aberta, abrindo mais.
Eu meto agressivo, rápido, sem dó, cada estocada fazendo os seios dela balançarem por baixo do vestido levantado. o decote longo deixou tudo à mostra — os seios maiores agora, cheios, os mamilos rosados duros e inchados. eu sei por quê. ela começou a tomar aqueles comprimidos que induzem lactação há umas semanas. pra mim. só pra mim.
Eu baixo a cabeça e mordo o pescoço dela de leve, os dentes marcando a pele branca logo abaixo do colar “D.K.”, chupo forte pra deixar roxo. ela geme mais alto, o corpo se contorcendo debaixo do meu.
— Minha… toda minha… - rosno contra a pele, lambendo a marca antes de morder de novo, um pouco mais forte.
Ela choraminga, as mãos puxando meu cabelo grisalho com força.
Eu desço a boca pros seios dela, pego um mamilo entre os dentes e puxo de leve antes de chupar forte. O leite doce, quente, escorre na mesma hora. eu gemo rouco contra a pele, chupando com fome, bebendo dela, sentindo o gosto único que é só meu.
— Porra, Elle… - murmuro, voz grave e perdida, trocando pro outro seio, chupando mais forte enquanto continuo metendo fundo, os quadris batendo nos dela sem parar.
Ela goza primeiro, o corpo convulsionando, apertando meu pau como um torno, gritinho abafado contra o ombro dela mesma pra não acordar os cães. o leite escorre mais, molhando meu queixo, o peito dela.
Eu não paro. continuo fodendo ela através do orgasmo, prolongando tudo, até sentir meu próprio gozo subir.
— Toma… toma tudo, Lolita… - rosno, enterrando fundo uma última vez e gozando quente, forte, enchendo ela até escorrer pelas coxas.
Eu desabo em cima dela por um segundo, ofegante, a boca ainda no seio dela, chupando devagar agora, mais leite descendo. ela acaricia meu cabelo grisalho, as pernas tremendo em volta de mim.
— Eu te amo, Papai… — sussurra, voz mole de prazer.
Eu levanto o rosto, beijo a boca dela devagar, deixando ela provar o próprio leite nos meus lábios.
— Eu te amo mais, baby. você é tudo pra mim. Tudo.
Fico dentro dela, abraçando forte, o corpo dela colado no meu.
Nessa noite de Natal, com ela nos meus braços, leite doce ainda na boca e o coração dela batendo contra o meu, eu sei que não preciso de mais nada no mundo.
Ela é meu presente.
Meu tudo.
Pra sempre.
FANFIC DARK ROMANCE 18+ AGEPAG.
SEGREDO SOB PROTEÇÃO
ELLE EVANS ICONS.
FILME: A BARRACA DO BEIJO DE 2018.
ELLE EVANS ICONS.
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