No meu peito não cabe um terço do que tem no teu
Eu ouviria Lana com uma faca na goela esperando a acusação
[Eu usei o cigarro como alternativa ao suicídio
Eu usei a vida como uma alternativa ao suicídio
Eu te usei como uma alternativa ao suicídio
Mas não usei o suicídio]:
Eu te amo com uma respiração aguda de: não me jogue no chão
- mesmo eu já vivendo por lá
No ‘’como seria se’’: chovesse
Dentro dos teus olhos como chove nos meus
- essa loucura aguda de quem leva dois corações em vez de um é uma bosta
-eu vejo a fumaça e sinto como se invadissem os meus olhos
Eu te vejo e sinto como se invadisse meu sangue
Como aqueles vírus que te mata aos poucos no meio da discussão:
-eu não fumo tem quase um mês (não que eu seja fumante, mas uma segunda vez cairia bem)
Eu paro na porta do banheiro e penso em como seria me afundar no vaso
Eu paro: como seria me afundar no vaso?
Eu vejo: eu já me afundei.
O golpe que se leva quando você percebe que está no fundo do poço é: sinta
-da próxima vez eu corro, jogo algo nos olhos e deixo o choro livre (de preso já basta o peito)
No teu peito não cabe um terço do que tem no meu
-a minha aflição dentro da solidão é o tamanho dela
Por que comigo foi diferente?
Diferente nos ângulos dos triângulos.
Pessoas a minha volta ficando frias por não receberem amor de quem eles amam e eu aqui - tendo uma overdose e obesidade de tanto amor.
Por que tanto pouco amor?
Te amo como nunca amei ninguém e nesse "nunca amei ninguém" inclui eu.
Porque até pra te amar direito eu tinha que me amar pelo menos um pouco.
Eles secando e eu enchendo.
Meu copo de amor tá extravasando, olha lá.
Fazer carinho em estranhos me faz bem agora.
Nenhum palavrão soa tão gostoso quanto o seu nome.
Essa história de amor é complicada quando você começa a usar drogas - o cigarro.
[as nuvens de fumaça não são tão lindas quanto as que víamos toda tarde, mas da no mesmo, mata do mesmo jeito.
Porém meu amor não se mata.
Ele vive se cortando e usando ataduras em cada listra de sangue.
Até o cigarro que você nem usou tem me matado.
Suicídio não mata, nem penso nele, diretamente não.
O vintage arrepio de tá no teu lado me fortifica(va?) como a água que eu bebo depois de uma boca seca d'um cigarro novo ou copo de álcool de novo.
E que esse estereotipo plagiador das décadas antigas estadunidenses continue me matando: Ah, Lana.