Drink to remember, smoke to forget | Nate & Emma
Bares eram bons e acolhedores ambientes, isso era um fato. Para alguém cuja própria casa fora o maior pesadelo durante a vida toda, a possibilidade de sentar numa mesa de bar e nela ficar até ser o último cliente, era a única salvação possível. Desde a adolescência, Nate aprendeu as manhas dos bares de Londres. Trouxas ou bruxos, eles sempre o acolhiam muito bem, por quantas horas ele precisasse -- desde que seu bolso estivesse cheio, os copos continuavam vindo e a ilusão de um companheiro nos bartenders também. Muito jovem, antes mesmo de completar dezesseis anos, Nathaniel já conhecia mais de bebidas do que deveria. Afinal, eram elas que o poupavam de ter que viver o caos de sua casa e o deixavam num estado agradavelmente apático, o fazendo até esquecer de seu pai, sua mãe e até seus irmãos. Era seu momento. Mas, como tudo na vida, Nate nunca soube fazer nada em pequena quantidade. Era sempre demais, sempre em exagero. E não seria diferente com álcool. Esse comportamento perdurou por toda sua vida adolescente -- seus amigos ficavam sempre impressionados com a quantidade de bebida que Nate aguentava até cair mórbido em algum canto -- e seguiu-o até ali, os primeiros anos de sua vida adulta. E se a quantidade de porres que ele tomava aos dezesseis anos eram preocupantes, porém atribuídos a pouca idade, aos vinte e dois, agora representavam um grande problema. Não era mais um garoto, já tinha casa, trabalhava e tinha responsabilidades, que eram bastante afetadas pela sua desagradável tendência à vícios e exageros.
Já era tarde da noite, e havia apenas meia dúzia de gatos pingados no Caldeirão Furado. Incluindo Nate, é claro. Não era uma noite no Caldeirão se ele não estivesse praticamente fechando o bar ele mesmo. Sua consciência já estava bastante alterada, e sentia sua cabeça extremamente leve, mas seu corpo, pesado como uma pedra. Girava o copo de firewhisky entre os dedos, amaldiçoando os bruxos pela falta de variedade de bebidas alcóolicas. Havia tomado tanto firewhisky nos últimos anos que apenas o cheiro já o enjoava, mas não o suficiente para fazê-lo parar, é claro. O treino da manhã seguinte estava perdido em algum lugar profundo de suas memórias. Seu técnico, seus colegas e até mesmo seu próprio capitão já haviam dito que a única razão pela qual Nathaniel não conseguia a braçadeira de capitão de seu time era porque ninguém conseguia confiar em alguém instável e que praticamente batia cartão em todos os bares possíveis. Vez ou outra, a conversa aparecia em sua mente, como uma tentativa de sua mente de lembrá-lo que havia uma recompensa se ele tentasse ser melhor do que aquilo. Mas à medida que uma dose entrava, seus pensamentos iam saindo de cena, devagar, até darem espaço a uma mente completamente vazia e silenciosa.
-- Quer que chame alguém, Nate? -- Uma garçonete perguntou, colocando uma mão em seu ombro. Nathaniel rudemente balançou seu ombro, repelindo o toque educado da menina. Era raro, raríssimo que ele deixasse pessoas tocarem nele. Até os mais leves e gentis contatos físicos o incomodavam. Seu corpo era um grande campo minado, e bastava o menor estímulo para ativar memórias, boas ou ruins -- Não precisa. Tô legal -- Respondeu, com a voz levemente enrolada, mas tentando expressar um pouco mais de gentileza. Porém, estava bêbado demais para aparatar, e longe demais de Wimbourne para ir andando. Restava então ficar ali por mais algum tempo, e não seria esforço nenhum.














