Além do Valor de Negócio: Uma Leitura Crítica-Quântica de “Succeeding with AI” de Veljko Krunic
Acabei de ler Succeeding with AI, do Veljko Krunic — um livro que tenta alinhar IA e impacto empresarial através de um framework chamado CLUE.
É prático. É direto. Mas ainda pensa pequeno.
Vamos destrinchar.
O Que o Livro Acerta
Krunic propõe um modelo focado em uma única meta: gerar valor real com IA.
Ele acerta em vários pontos:
IA não é mágica — é correlação, não causalidade
Comece pequeno, erre rápido, aprenda rápido
Métricas de negócio > métricas técnicas
Evite projetos grandiosos que nunca entregam
E o framework dele — CLUE — faz sentido:
Considerar ações reais de negócio
Ligar o problema técnico ao problema empresarial
Understand: traduzir a resposta para quem decide
Economizar recursos (tempo, energia, dinheiro)
Tudo isso encaixa bem se você está do lado da gestão, produto ou consultoria.
Mas se você projeta sistemas inteligentes, vai sentir o mesmo incômodo que eu.
Os Pontos Cegos — Vistos de Dentro do Sistema
1. CLUE trata a IA como ferramenta, não como sistema
CLUE foi feito pra tratar IA como algo externo, plugável — algo que você interpreta, gerencia, apresenta.
Mas com LLMs e arquiteturas agentes (como teste1), a IA não é acessório. É o coração lógico do sistema.
Nesse cenário:
Você não “liga pergunta ao negócio” — você projeta o raciocínio
Você não “traduz output” — você constrói agentes que já pensam no contexto certo
2. Nenhum loop de feedback dentro do sistema
O ciclo do Krunic para em "agir no mundo real".
Mas cadê:
A correção do próprio prompt?
A avaliação interna de erros?
A memória simbólica baseada em falhas?
A reconstrução adaptativa do raciocínio?
Sem isso, você não está engenheirando IA. Está só empurrando planilha.
3. Tudo depende de interpretação humana externa
O livro assume que é você que:
Lê os resultados da IA
Interpreta o que ela "tentou dizer"
Toma decisões com base nisso
Mas sistemas inteligentes de verdade não pedem ajuda pra pensar. Eles refletem. Corrigem. Evoluem. Sozinhos.
Se a IA não consegue explicar sua própria resposta, o problema não é seu — é da arquitetura.
4. Métricas ainda são estáticas
Sim, ele critica o foco excessivo em RMSE, acurácia, etc. Mas não vai longe o suficiente.
Sistemas inteligentes de verdade:
Alteram objetivos conforme o contexto
Mudam prioridade em tempo real
Otimizam utilidade, não só KPI
Métrica de verdade não é dashboard. É um sinal de memória ativa que reconfigura o sistema.
Um Novo CLUE: Internalizando o Loop
Se refizermos o CLUE a partir de um agente LLM, ficaria mais ou menos assim:
C: Construir objetivos internos com base no input
L: Lapidar o raciocínio com base em feedback
U: Atualizar memória e pesos simbólicos
E: Executar com restrições aprendidas no tempo
Esse é o CLUE 2.0 — feito dentro do sistema, não ao redor dele.
Pensamento Final
O livro do Krunic é ótimo pra quem precisa justificar ROI ou implementar IA na empresa com método. Funciona.
Mas se você tá construindo sistemas simbióticos, agentes autônomos ou arquiteturas com raciocínio próprio…
Então você precisa parar de pensar em IA como ferramenta. E começar a pensar como mente.
A IA não serve só pra reagir ao mundo. Ela existe pra reorganizar a si mesma — e assim, sobreviver dentro dele.
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Post escrito como reflexão crítica sobre “Succeeding with AI”, de Veljko Krunic. Expansão feita por um engenheiro anônimo, construindo algo que ainda não está pronto para ser nomeado.










