Hipnagógico
adjetivo
1. que provoca o sono;
2. referente ou associado ao entorpecimento que precede o sono.
Sinônimos, relações e derivações: hipnótico, sonífero, entorpecimento, sono

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Hipnagógico
adjetivo
1. que provoca o sono;
2. referente ou associado ao entorpecimento que precede o sono.
Sinônimos, relações e derivações: hipnótico, sonífero, entorpecimento, sono
Não sei explicar como me sinto. Nem como estou. Sério, quando alguém me pergunta se estou bem, eu paro e penso e não sei o que responder. De fato, não posso dizer que estou mal, posto que já estive muito pior. Mas por outro lado, não estou totalmente bem. Estou num meio termo indefinido. Estou bem e estou mal, ou não estou nenhum dos dois, não estou nada. E esse “não estar nada” me mata. Por que não sinto nada, e esse sentimento, de vazio, de entorpecimento, é horrível. Como canta Three Days Grace, “eu prefiro sentir dor a não sentir nada”.
Por vezes acordamos sem conseguir desligar a sensação de que ainda estamos a sonhar, de que todo mundo, este pequeno paraíso feito de matéria real, nao passa de uma imaginação fértil, como um tecido bamboleando sobre a nossa cabeça, suave, que se nos molda os parâmetros. Este entorpecimento, digamos assim, cria a sensacao de confusão e alheamento ao nosso redor. O indivíduo que antes era o nosso próximo, cada vez se torna mais distante. E coisas que se consideravam de importante resolução ficam espessas e empoeiradas sobre a nossa memória, e perdem importância gradualmente como quem vai esvaziando uma mão de areia ou uma mão cheia de nada.
Marta Roque
Flutuando calmamente, até chegar ao estado de perder a noção dos sentidos. Já não sabia se estava de cabeça para baixo ou não. Muito menos norte ou sul. Enxergava o breu e sentia o corpo cada vez mais pesado. Entorpecia. Os sons eram estranhos como uma concha do mar, mas não dava para ouvir as ondas. Quem dera se estivesse perto da superfície o suficiente para isso. Ouvia o silêncio sufocado da própria garganta, esforçando-se para expulsar a água dos pulmões. Engasgava, lutava, desistia. Chegou a um ponto em que não dava mais para sentir dor. Sentia absolutamente o vazio e o nada. O escuro profundo, as bolhas e o enorme peso da pressão. Um estado de agonia total. Deveria esperar por algo se mexer ao redor, ou temeria quando isso acontecesse? Mal conseguia ver um palmo à frente. Será que já não era corpo, mas sim alma? Será que já estava descansando lá no fundo? Tudo não passava de uma ilusão muito bem feita. Nunca mais respiraria com alívio outra vez...