Sonhei contigo.
Sonhei contigo. Neste sonho tu esperavas algo de mim. E havia uma barreira que te inclinava a não me perceber. Mas tu continuavas a olhar. E me percebias como quem, de modo indiferente, não dava tanto valor à barreira imposta. Mas tu nada fazias.
E esperavas de mim uma atitude. E esperavas que essa atitude pusesse fim à tal barreira. A barreira, além de tentar cortar nosso vínculo ocular (pois bem nos víamos e com certa paixão escancarada o era), tinha poder suficiente para me fazer repensar o que sinto.
Sim, eu sei que de nada adianta pensar e repensar o que sentimos, pois quando abstraímos já não mais experimentamos, mas o sentimento decresce, reprime-se, desloca-se e busca por terras mais férteis e seguras.
E, vendo que a única expectativa que permanece diante do abalo e da insegurança é justo a reflexão, então eu reflito. E anseio por deixar de experimentar para pôr no lugar a abstração. E do sonho, d'onde tu esperavas de mim uma atitude, parto para a vida real, ausente de fantasias e imaginações que nossa mente arbitrariamente nos impõe. E então opto por aquilo o que tu já não esperavas de mim: a inação.
Sonhos e sentimentos, se pensados, são em vão.













