"O amor é um sentimento que toma conta"
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@prosaprosaica
"O amor é um sentimento que toma conta"
Acesse e leia o texto: http://amor.ano-zero.com/temposvirtuais
Tô um tanto desiludido com essa coisa toda que é o famoso pensamento binário. Ou Céu, ou Terra. Ou vida, ou morte. Ou concorda comigo, ou discorda. Ou isso, ou aquilo. Assim fica difícil entender melhor os detalhes que rondam as particularidades humanas, tentar compreender o que leva a gente a fazer muito do que não sente, num ímpeto só, daqueles bem fortes e estimulados, mas totalmente impensados, só pra gente sentir que tem razão e não é incompetente.
Talvez seja algo a ver com uma certa natureza humana essa coisa desumana. Sei lá, mas parece que a gente não tá muito preocupada em olhar pra si mesma e reconhecer os próprios erros. Apontar o dedo é tendência, apressada e cheia de incoerência, mas levada a sério com monte de vaidade, entendendo que muita mentira gera verdade.
Vou tentar evitar falar quando não souber o que é escutar. É isso que tá faltando nesse mundo ansioso e ganancioso e tendencioso, cheio de gente carente, ausente, indiferente e metida a onipotente. Gente como a gente.
Ela me pediu para falar de relacionamentos
Minha namorada me pediu para falar sobre relacionamentos. Na verdade, eu já suspeitava que isso aconteceria, já que eu havia pedido a ela que me desse um tema para falar hoje, aqui no blog.
Achei interessante, mas também previsível. É normal que, em relacionamentos, falemos sobre relacionamentos. Ou estou enganado?
Minha vida tem sido um tanto quanto problemática nesse assunto. Eu poderia dizer, sem "eira nem beira", que sempre fui um fracassado no que diz respeito ao contato com um ser próximo a mim. A troca de carinho, o olhar íntimo, a boca carnuda e molhada juntando lábios... tudo isso sempre tão presente, claro, mas dificilmente significativo.
É que as pessoas estão indispostas a mudarem seus hábitos, ainda mais quando são treinadas, desde cedo, a verem seus pares como meros objetos, meios para um fim. E falo isso porque, como qualquer um pode perceber, sou homem. Sou porque me identifico, além de ter nascido homem, como presumem identificar.
Na verdade, se Simone de Beauvoir diz que "não se nasce mulher, torna-se!", então o oposto também é verdadeiro. Afinal, cada conduta, cada achismo, cada noção de realidade tem a ver com o meio em que se convive. E eu convivo em um meio de extremo desrespeito entre gêneros. Sim, vivo em uma sociedade machista, na qual falar de relacionamentos pode me fazer ser visto como um tipo de opressor ou, então, um "mela-cueca". Afinal, é normal sofrer pelo que se é. E quando se é alguém tentando se expressar, se é um fácil alvo para críticas.
Não é verdade o que dizem a respeito de que não devemos mostrar fragilidade? Vivemos em uma selva. A partir de um ponto de vista, sou isso. A partir de seu extremo, aquilo. E, quando se está entre duas visões totalmente distintas, por que, mesmo assim, insistimos em depositar confiança em um terceiro ponto de vista, que se pretende mais íntimo e muito mais influenciador sobre nossa consciência e atitudes?
Para além de relacionamentos, há todo um contexto que possibilita sua existência. A existência de algo estranho a quem com isso não está acostumado. A existência de uma fonte de experiências que possibilitará tanto a sua amargura quanto a sua alegria mais tenra. A existência de fracassos e conquistas, de derrotas e vitórias. A existência de um "nós".
Mas estamos falando de relacionamento, e isso, na verdade, me assombra. Por que falarmos em algo que se pretende incrível mas que, no fundo de cada palavra sobre o assunto, demonstra uma insatisfação com a própria ideia de tentarmos o desconhecido, de tentarmos investir nessa coisa toda que é depositar todas as esperanças em quem um dia foi uma pessoa totalmente desconhecida?
Sim, falo de relacionamentos. Falo, também, de nós. Nós dois. Eu e você, que estamos aqui, dialogando, embora eu não saiba quem é você e você possa saber quem sou eu. Não importa, na verdade. São as palavras que nos movem. Ok, é da esquerda para a direita (e às vezes para baixo), mas estamos indo a algum lugar, talvez a alguma conclusão.
Lembre-se que ali em cima eu falei sobre derrotas e vitórias? O que é uma vitória, para você? E o que seria uma derrota? Estamos falando de relacionamentos, lembre-se disso! Há como "derrotar" quando se está relacionando-se com alguém? Lembre-se, porém, que estão juntos para viverem bons momentos, acima de tudo. Por que, então, derrotas? Não deveriam ambos vencerem? E vitórias, como são vitórias em um relacionamento?
E se eu te disser que já pensei a respeito, você confiaria na minha singela conclusão? É, talvez não... vai ver eu e você não estejamos nos relacionando tão bem assim. Mas, venha cá, pega na minha mão, deixe-me te mostrar uma coisa... algo que se aprendi depois de tantos altos e baixos com pessoas que um dia foram as melhores na sua vida: "só vence quem não deixa vencidos".
Agora preciso ir nessa. Tenho um compromisso com a pessoa que me fez falar todas essas palavras. Pois é, relacionamento também é comprometimento, e são com laços de responsabilidade que criamos as formas pelas quais expressamos nosso amor por quem nos abraça de uma forma única e especial.
Por um bom tempo estive prestes a desistir, a me deixar levar pela sensação de que eu não poderia me tornar aquela pessoa que tanto eu quis ser. Por um bom tempo estive prestes a matar a mim mesmo, mas não fatidicamente, como ousam entender aqueles que pensam rapidamente na morte, e sim espiritualmente, como é de costume para uma alma desiludida.
E eu confesso já ter morrido algumas vezes, e todas essas vezes me serviram de lição para entender que, diante de fracassos, derrotas, vontades obstruídas e sensações intensamente repudiadas, eu podia mais do que imaginava.
Eu podia vencer meus medos, vencer meus anseios e, acima de tudo, vencer a mim mesmo. Era incrível como toda aquela sensação de desgosto e de desprezo em relação a mim mesmo só alavancava ainda mais a minha insistência em mudar de rumo, deixando os objetivos que até então eu impusera a mim mesmo.E passei a perceber que isso não era um problema, senão uma solução.
René Descartes diria que eu deveria seguir em frente em meio à floresta, para que pudesse achar um final que me levasse a algum lugar, independentemente do que eu pudesse querer ou não. Mas eu encontraria esse lugar, errando ou acertando.
A pequena Dori, de Procurando Nemo, também, mas com palavras mais simples, outras palavras, também singelas e de um cunho auto-ajuda, mas que ensinam o que eu muito custei a aprender: "continue a nadar...". Mesmo diante de uma mesma dica com palavras diferentes, eu sabia que nem sempre poderia superar os obstáculos que estavam no caminho pelo qual decidi perambular.
Eu sabia, mesmo, que minha falibilidade era presente, e que não poderia superar toda questão que se mostrava a meu ser. Por saber, e por ter percebido a tempo, de muitos caminhos desisti. Desisti, e isso não significou a perda de meu ser.
Algumas vezes, confesso, significou a perda de meu espírito. Mas assim como nossa pele e nossa consciência, nossos espíritos também são mutáveis. E mudam conforme aquilo o que nos dispomos enfrentar e aquilo que aprendemos diante da vida.
Aprendi, contudo, que não poderia mais dar conta de mim mesmo se insistisse em fracassos que não percebia obter bons resultados. Um fracasso atrás do outro era visível, e mais visível ainda eram as opções que se apresentavam a cada passo que eu dava.
Algo me dizia que eu não precisava e nem podia insistir em determinados pontos. Algo me dizia que eu podia (e ainda posso) tomar rumos que transcendam qualquer anterior expectativa e que mudem totalmente o foco de meus ideais.
Eu já não era o mesmo, afinal meu espírito também não era o mesmo. Dentro de mim habitava um outro ser, mais consciente, resistente e imanente. Mas, também, transcendente, pois agora eu flutuava para além de mim mesmo e percebia tudo de fora.
Reconhecia que não poderia ir além, mas também percebia que aquele peixinho não desprezava cada decisão que eu tomava. Foi assim, então, que aprendi a continuar a nadar...
O ser humano é o típico animal que busca a satisfação pessoal e plena na vida. E é uma busca constante. Eu diria, inclusive, que é eterna.
Foi levando em conta que o ser humano almeja um mundo perfeito que tantos teóricos e filósofos renomados acabaram por aceitar que "os fins justificam os meios". A barbárie se instaura a partir do momento em que alguém tem desculpas para fazer qualquer coisa em nome de um fim absoluto e pleno. E é pior ainda quando essa desculpa é fundamentada teoricamente, em nome de "um bem maior".
Tudo tão utópico, tudo tão bonito, tudo desejando o melhor pra todo mundo. Mas a utopia é como Eduardo Galeano descreve: só serve para caminhar. E isso não significa e nunca significou que vá resultar em algo, principalmente em algo bom.
"Um mundo melhor" acontece no aqui e no agora, na ação política, na prática de uma visão abrangente de mundo, que saiba dialogar e permita o diálogo entre contraditórios. "Um mundo melhor" é democrático, é dialético e por vezes analítico. É o contraditório vivido e administrado.
"Um mundo melhor" está no amanhã, mas começa agora. Um mundo melhor, desta vez sem aspas, é Ano Zero.
Uma vida por outra
Aos braços de seu amor Dessabor Ao som do gemido dormente Gozo quente Às dores do forçado parto Suspiro trincado À noite, logo ao nascer Lágrima a escorrer Sentindo-se desesperada Desamparada, assustada Solta ao nada Aguentou até seu último suspiro Infinito, calado e aflito Para o bem de seu menino
Desamor, dessabor
Somos pessoas preocupadas com todo o tipo de coisa, mas uma que se sobressai é justamente essa vontade insana de ter alguém que nos ame e nos acompanhe no dia-a-dia.
Se você perguntar a qualquer pessoa solteira que esteja vagando por este mundão, ela vai te dizer que adoraria estar com alguém com quem pudesse contar. Essa pessoa te diria que ama e que quer amar. Mas essa pessoa também te diria que nem tudo depende dela, que as coisas não são como gostaria que fossem.
E o mesmo acontece com cada um de nós. Queremos amar, porém simplesmente amar não parece o suficiente. O outro lado tem que compartilhar do mesmo sentimento, e muitas vezes só achamos que vale a pena se o sentimento for tão intenso quanto o nosso.
Mas a verdade é que pessoas amam de formas diferentes, em intensidades diferentes. Exigir que alguém te trate da mesma forma que você a trata é tirar a humanidade dessa pessoa, é forçar a barra e ser egoísta, dar valor mais a si mesmo que àquela pessoa que você diz amar.
Mas o que é o amor, afinal? Falamos tanto nisso, sem nem nos preocupar em dizer exatamente o que é. Eu arriscaria vários palpites sobre o que seja o amor, mas isso tiraria minha humildade. Porém, posso dizer o que o amor não é. E, se tem uma coisa que não é o amor, essa coisa é "amar" esperando que o outro faça o mesmo.
Meus dias começaram a ficar mais intoleráveis, assim que descobri a minha incapacidade de lidar com os obstáculos que surgem a cada passo. Minha autoconfiança passou a ficar abalada, ao perceber a ineficácia do raciocínio, da ponderação comedida, sobre o que me impede de seguir em frente.
Lidar com a ausência de escolhas seguras na vida te faz colocar a morte do outro lado da balança, esperando que a sua precisão te ajude a optar pelo lado menos pesado.
E já não era a hora adequada para elaborar mais desculpas. Tudo o que havia de ser dito não se resumia a palavras. Atitudes demonstravam o que não se podia mais dizer.
Simples assim, tudo tão mais fácil de lidar quando o destino se encarrega de contar aquilo o que você nunca foi capaz de admitir.
As pétalas da rosa do amor cultivada pareciam agora murchar, tudo por conta de uma intempérie que, mesmo não fazendo parte das piores expectativas, fazia-se suficiente para desmoronar os alicerces do frágil e corruptível ser humano.
Sendo humano
Entre o vento que sopra E a brisa que gela Há linhas tênues e tortas Caracterizando a quimera
Dela acentua-se a semelhança Nos dando ares de bondade Mas é na percepção da diferença Que subsiste toda a verdade
Tal como as cartas do mágico Que nos povoam de sensação Ou de pensamento lógico
O ser humano, então É um estado antropológico Ou uma ação?
Sobre deixar rolar e forçar
Eu sempre tive o hábito de forçar, pois estava acostumado àquela velha ideia de que "se eu não conseguir, outro conseguirá". Mas isso é pensamento imposto, é a tal da competitividade. E eu acredito que não seja um pensamento digno de ser usado para a vida pessoal. A pessoa com a qual queremos ter algo não deve ser comparada a uma taça. Embora geralmente tratados como meios para se adquirir um fim, somos mais que isso. Temos subjetividades, e é o eterno "processo de sedução" que faz com que elas sejam relevadas, dada a cada qual o seu valor.
Logo, hoje entendo que a ansiedade que me faz "forçar a barra" não passa de "excesso de futuro", algo que está apenas em minha mente mas não contempla o que está na mente da pessoa com a qual se pretende compartilhar a vida. Há que antes conquistar empatia, e é no processo de "deixar rolar" que podemos adquirir a tal reciprocidade de que tanto falamos quando almejamos o amor.
Penhasco
Espero aos poucos o vento que me leva E deixo o fluxo da corrente penetrar em meu sangue
A preço de que sou mais um mero marginal Centralizado no topo de uma montanha íngreme e umbral
Mal súbito me espera ordenando minhas atitudes À beira do colapso em que cabelos grisalhos se enegrecem
Feito sonho de criança Pesadelos entre esperanças Desejos incontroláveis de dias melhores Me esperam
É uma vida num penhasco
Sonhei contigo.
Sonhei contigo. Neste sonho tu esperavas algo de mim. E havia uma barreira que te inclinava a não me perceber. Mas tu continuavas a olhar. E me percebias como quem, de modo indiferente, não dava tanto valor à barreira imposta. Mas tu nada fazias.
E esperavas de mim uma atitude. E esperavas que essa atitude pusesse fim à tal barreira. A barreira, além de tentar cortar nosso vínculo ocular (pois bem nos víamos e com certa paixão escancarada o era), tinha poder suficiente para me fazer repensar o que sinto.
Sim, eu sei que de nada adianta pensar e repensar o que sentimos, pois quando abstraímos já não mais experimentamos, mas o sentimento decresce, reprime-se, desloca-se e busca por terras mais férteis e seguras.
E, vendo que a única expectativa que permanece diante do abalo e da insegurança é justo a reflexão, então eu reflito. E anseio por deixar de experimentar para pôr no lugar a abstração. E do sonho, d'onde tu esperavas de mim uma atitude, parto para a vida real, ausente de fantasias e imaginações que nossa mente arbitrariamente nos impõe. E então opto por aquilo o que tu já não esperavas de mim: a inação.
Sonhos e sentimentos, se pensados, são em vão.
Beckett-We
É sábado pela manhã, continuação de uma madrugada fria, regrada na ansiedade do retorno, da rotina que não se sente e da vontade de ir além sempre presente.
Seres vivos, ativos e animados, exalando vivacidade dentre as paredes da sala incólume da qual já fazem parte. Abertos ao novo e pelo novo, buscando, artística e humanamente, seu autorreconhecimento, a própria auto-transcendência.
Na ausência de roteiros, a presença é de propostas. E, sendo estopim desta jornada a receptividade calorosa com a qual nos defrontamos - uma receptividade de um por todos e vice-versa -, é por meio dela que temos o início do nosso melhor dia da semana e a imagem legítima do amor de uma família que, por mais não-co-sanguínea que seja, não se limita a rótulos. É assim que você pode sentir-se na casa da qual ninguém é dono mas todos são anfitriões.
Nesta casa onde nossos esforços são cedidos à "coisa" toda, neste dia em especial, a frase "tudo é possível" já não fazia mais sentido. Tente alcançar o nada por meio de atitudes, tente fazer nada, e perceberá que fazer nada não passa de uma ideia que não só em nossos atos como também em nossas mentes nos parece impossível. Não precisa pensar muito para perceber que só o fato de tentar fazer nada já é fazer algo. É, como tudo o minimamente perceptível em nossas vidas, o sublime, o paradoxo existencial, a contradição em termos, o trágico fundido ao cômico, a expressão da própria condição humana.
Nesta sala, havia um espelho. E nele se podia reconhecer os atos falhos, as tentativas fracassadas de uma proposta impossível. Também era possível perceber a assimetria de cada indivíduo, e de cada olhar de cada indivíduo.
E havia um olhar em especial, atraente e afetivo. Atraente, pois era magnético e me fazia sentir como um ímã sujeito à sua força de atração. Afetivo, pois me afetou como qualquer força abrupta que altera o estado natural das coisas.
E percebi tudo de frente não para o alvo de minha visão, mas para o seu oposto: seu reflexo. E então pude entender que a própria condição humana também pode ser explicada analogamente a um espelho: o que você vê nele não é a realidade, o que você pensa e sente ao olhar nele não é a realidade - a realidade é todo o inverso, todo o contrário do que você acredita ter visto.
Da tentativa de fazer nada à atitude de defrontar-se com um espelho, só podemos admitir que, no plano real, o que você imagina estar acontecendo é apenas isso: imaginação.
Antes de tentarmos fazer nada, que tal invertermos os parâmetros e nada fazer? Não tentar pode ser a saída.
Fazer valer
E como que avaliando os rumores que recaíram sobre nós, e também aos olhares que nos fitaram, pensei e decidi. Se era pra amar, que o fosse com clareza, absurdez ao senso-comum e de forma escancarada, atirando para longe todo o pessimismo que sempre tentou se fazer presente, anulando todas as nossas discórdias e evitando ao máximo a criação de novas.
Todo o mérito que tínhamos em tão pouco tempo se foi. Agora, estando nosso saldo zerado, só tenho a dizer que não sou um soldado que desiste no front de batalha.
Meus respeitados inimigos, meus fantasmas e demônios, serão derrotados. Vencerei esta guerra na qual meu maior obstáculo sou eu mesmo. O objetivo? Nada mais que fazer valer o que sinto.
Te persisto
É com pesar que em ti penso Com espesso apreço Me derreto
E por tal motivo me levo Até ti e te enveredo Àquilo que sei...
No escaldo do conluio entre Marido e amante, gente Nada distante
Te levando simplesmente a crer Que o que a ti ocorrer Foi por merecer E ele te mostra o bem querendo-te o mal Seu próximo sorriso pode ser fatal O que é meu medo, afinal
Tu mal sabes da apunhalada Que é amar sem dizer nada E sofrer por de muito saber
Se pudesse voltaria no tempo Faria de outro jeito Ah, que dor no peito
Perde-se quem depois ama com facilidade Mas não aceito que possa ser verdade Que isso não é lá uma novidade
Contigo errei sem perceber Covarde fui sem saber Nos esperei adoecer
Dói me as costas de tanto peso Sobrecarreguei o sentimento Mais puro que por ti tenho
Então peço-te que saibas desde já Que contigo ele não merece estar Que lembre-se de mim...
Já fomos mais unidos, mais juntos Apaixonados lá nos fundos Da casa do tio Gerúndio
Ah, como ríamos por quase nada Melhor de tudo era tua gargalhada Que vinha sem muitas palavras
Bastava o olhar, que é uma atitude simples Para vermos que éramos livres Mas agora com outro tu vives
Está neste mundo submissa e trancafiada, No começo eram amores, agora é aprisionada Pelo que agora te significa nada
Nada, nada, nada Nada somos agora Tudo éramos outrora
Com este extenso depoimento que te mando Admito que desde o princípio tento te avisar Que desde aquela época não deixei de te amar
Sem mais delongas eu repito Que quando estou saindo atrasado e te fito Insisto, persisto e existo...
E você nunca mais retornou Com aquele olhar de quem Uma vez já amou