Se 2016 fosse uma pessoa...
Se 2016 fosse uma pessoa, provavelmente já estaria bloqueado no Facebook, no Instagram, no Twitter, no meu telefone e marcado como spam na minha caixa de correio. Não que tenha sido má pessoa, porque não foi, e cada um é livre de ser e de agir conforme as suas intenções e preferências, mas é daquelas pessoas chatas, pah! Sem sentido de oportunidade. Sempre com a piada errada na hora errada, cheia de sarcasmos que quase nunca percebia se estava a falar a sério ou se estava a gozar com a minha cara.
Contam-se pelos dedos de uma mão as palavras carinhosas, os jantares à luz das velas, os passeios à chuva, as massagens nos pés e as viagens que passaram as fronteiras da região de Lisboa e Vale do Tejo. Note-se que os jantares à luz das velas só aconteceram porque alguém (eu) se esqueceu de pagar a conta da EDP e as palavras carinhosas foram da médica das urgências, quando as minhas amígdalas decidiram iniciar uma manifestação contra a minha liberdade de expressão.
Tantas foram as piadas secas e de mau-gosto que fizeste, que me recusava a sair de casa sem pelo menos consultar seis horóscopos diferentes, na esperança de evitar alguma desgraça. Graças a ti, hoje sou um especialista em astrologia, taromacia, numerologia e orishás, tanto que comecei a ler previsões para 2017 em Junho do ano passado.
Obviamente que houve coisas boas e muito boas desta minha relação contigo mas infelizmente não pude aproveitá-las ao máximo ou porque estava demasiado ocupado a resolver as tuas asneiras, ou porque estava a desfazer-me em fluídos nasais e a gastar um ordenado em lenços, ou por e simplesmente porque estava na casa-de-banho e não havia papel.
A verdade é que não posso deixar de dizer que gostei de te ter por perto. Não somos amigos, e isso que fique bem claro, mas obrigaste-me a ver as coisas de uma outra perspectiva: de pernas para o ar, para ser concreto. É verdade que foste uma pessoa teimosa e por vezes inacessível, no entanto não deixaste de me ensinar a tua lição. Isto porque eu acredito que todas as pessoas entram e saem da nossa vida por uma razão e, 2016, se tu fosses uma pessoa, provavelmente terias levado dois tabefes mas não iria deixar de te agradecer pelas coisas que me ensinaste.
A coisa mais importante que descobri contigo é que sofro de um grave problema de insatisfação crónica, mas descobri também que é isso mesmo que me caracteriza. É chato? É. Dá para fazer enxoval? Não. Dá para prever a semana que vem? Não, mas o que importa realmente é que me sinta feliz com isso e aprenda sobretudo a lidar com esta patologia: a do não conformismo. No entanto, meu querido 2016, isso não te tira o mérito de teres sido uma grande e imensurável BESTA!
Falemos do teu primo: 2017.
O Novo Ano acabou de chegar e eu já estou a fazer o oposto daquilo que me tinha prometido: guardar a minha opinião para mim e só a dar quando for solicitada. E é já com esta infração que começo o ano, não só me comprometo a dar minha opinião como a dá-la ao longo de todo este ano! Porquê?
1º - É mais barato do que ir ao ginásio;
2ª – Custa menos do que ir a Fátima a pé;
3ª – Deixar de fumar não estava na lista deste ano.
Posto isto (e agora que 2016 já lá vai bem longe), Ano Novo, vida nova e sejam bem-vindos ao “É ou não é?” um blog sobre tudo e mais um par de botas.
JSotero















