Episódio 5: A Becky não se lembra de mim . . .
Um pequeno excerto da série (da dobragem da RTP) recuperada graças a um projecto posto em prática por Hugo Costa no Youtube.
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Episódio 5: A Becky não se lembra de mim . . .
Um pequeno excerto da série (da dobragem da RTP) recuperada graças a um projecto posto em prática por Hugo Costa no Youtube.
#FanficTunnelVision LA- Justin Timberlake!
Três dias haviam se passado e eu não o vi mais. Nem um telefonema, um recado, uma visita rápida, NADA. Passei os dias no hotel esperando-o, indo trabalhar sem a mínima vontade... Algo tinha acontecido, era fato. Minha ansiedade estava no grau mil, tentando imaginar o porquê desse desaparecimento repentino. Talvez ele tenha se arrependido de tudo e se reconciliou com ela. Era uma hipótese bem provável até. Eu estava completamente desesperada, aflita, triste... (...)
Passei o sábado todo na cama, vendo TV. Ás 19h, comecei a me arrumar pro trabalho, havia mais um dia de casa fechada pra alguma festa e eu devia comparecer. Coloquei uma saia preta de couro, justa, blusa branca frente unica de seda, meia calça, scarpin, prendi o cabelo num rabo alto, brincos, pulseiras e saí ás 22h em ponto.
Cheguei à boate e fui encarregada do de sempre, recepcionar os convidados. O lugar estava lotado e como de costume, eu poderia aproveitar depois que terminasse meu trabalho!
Pouco depois da meia noite, vi Justin e Jessica chegando. Um soco em meu estomago! Mais uma vez, tive que engolir toda a minha decência e os cumprimentei amavelmente. Eu já não estava suportando mais vê-lo com ela e isso não era um bom sinal... Um passo em falso e eu colocaria tudo a perder. Não que fosse premeditado, uma trama, mas havia muito em jogo e eu sabia disso.
Não muito mais tarde, Nick me dispensou e me convidou pra irmos até o bar tomar uma bebida, Aceitei. Ficamos conversando e percebi que ele mostrava certo interesse em mim... Nick tinha a pele morena, alto, forte, olhos castanhos, boca fina, sorriso branco e perfeito. Era difícil não se sentir atraída por ele, fora que, ele tinha uma personalidade única: simpático, sensível e sempre de bem com a vida!
Olhei pro lado e vi que Justin e ela falavam, gesticulando muito. Pareciam estar... Brigando. Não pude deixar de olhar, tentando entender, quem sabe, o motivo de sua ausência em relação á mim... Ele tentava, em vão, acalma-la, tentando se aproximar dela enquanto ela se esquivava... Notei que ele estava com um copo de bebida na mão e estranhei. Nunca o tinha visto beber. Foi então que ele a beijou, agarrando-a pela cintura... Tive vontade de berrar, de desaparecer dali, de parar com toda a dor...
Sem pensar duas vezes, puxei Nick pela mão e o levei até a pista de dança, bem perto de onde eles estavam. Comecei a dançar e a me insinuar pra ele, colando nossos corpos, fazendo caras e bocas... Vi que Justin me olhava, perplexo. “Agora ele vai saber como me sinto”, penso. Nick me beija e eu retribuo, calorosamente, colocando minhas mãos em sua nuca... Olho de novo, mas eles não estão mais lá. Os vejo saindo, Jessica o seguindo a passos largos até a saída.
Nick me convida pra ir até seu apartamento, mas eu digo que não, que estou emocionalmente comprometida com alguém. Ele se chateia, mas não insiste. Uma hora depois me despeço de Nick, pego um taxi e volto pro hotel, alegando enxaqueca.
Entro no quarto e o vejo parado em frente á janela, as luzes apagadas. Sinto um calafrio me percorrer e sei que algo não está bem. Tenho medo. Sento na cama, cruzando as mãos e espero que ele diga alguma coisa... Não tenho coragem de me dirigir á ele. Como dois estranhos agora, sim. Afinal era isso o que éramos e eu temia, mais do que tudo, de que nenhum sentimento nos ligasse apenas o sexo casual em um quarto de hotel.
- Chegou cedo- ele diz, sem me olhar.
- Nick me dispensou- respondo rápido.
- Pensei que você estivesse se divertindo- ele alfineta.
- Não estava, eu... – não sei o que dizer. Lágrimas se formando em meus olhos.
- O que você pretende?!- ele diz olhando pra mim agora. Vejo decepção em seus olhos e isso me machuca feito fogo em meu peito.
- Nada, não pretendo nada, não sei o que você... - digo entre soluços.
- O QUE VOCÊ QUER DE MIM? HÃ?- ele me segura forte pelo braço- BEIJANDO AQUELE CARA, NA MINHA FRENTE... – sinto cheiro de álcool e percebo que ele está um pouco embriagado.
- Você estava com ela, você a levou lá e a beijou, na minha frente também... - digo baixo- Isso está me matando, está acabando comigo...- choro convulsivamente. Ele solta meu braço e senta no chão, perto da cama, com a cabeça baixa e as mãos sobre os joelhos.
(silencio)
- Senti ciúmes, sabia?- ele fala quase num sussurro- Você e ele, juntos...
- Senti o mesmo por você- me justifico. Uma onda de pavor e felicidade me consumindo, prestes a descobrir o que ele REALMENTE sentia em relação á TUDO.
- Não era pra acontecer, tentei de todas as formas, mas não pude. Não parei de pensar em você um segundo sequer durante esses três meses...
Me escoro na parede, chorando, feliz em saber que ele sentia o mesmo por mim. Vejo-o se levantar e parar em minha frente, me olhando nos olhos, bem fundo.
- Por mais louco que possa ser, por mais errado e egoísta, eu estou completamente apaixonado por você... Pelo seus olhos, sua boca, sua pele, seu corpo, seu caráter... – Justin diz rente á minha boca, nossos lábios quase se tocando.
- Justin...- sinto minhas pernas fraquejarem de emoção. Esperei 12 longos anos da minha vida pra ouvir aquilo, aquelas palavras que acalmavam meu coração, que me faziam ver como a vida valia a pena.
- Estou totalmente fodido, mas não dá mais pra esconder... Eu te amo pra caralho, Iasmin!- ele ri, não acreditando em suas próprias palavras.
- Como?- tento processar a informação, totalmente fora de mim.
- Eu te amo e quero ficar com você!- ele diz mais uma vez, suas mãos segurando firme meu rosto- Eu te amo... Amo!- ele repetia sem parar, lágrimas molhando meu rosto.
Agarrei seu pescoço e o abracei, o mais forte que pude. Ele não ia escapar de mim, não agora. Ele me beijou com certa violência, sedento por mim. Enlacei minhas pernas em seu quadril e o beijei com vontade, com toda a minha alma, com tudo de mim...
- Fica comigo... Pra sempre!- implorei em meio ao beijo e o vi assentir.
Escuto batidas na porta. Rápido, forte, incessante...
- EU SEI QUE VOCÊ ESTÁ AÍ!- uma voz conhecida gritava do outro lado.
Justin me soltou delicadamente, prestando atenção. Mas ele sabia e acho que até esperava por isso, que ELA, uma hora ou outra, fosse descobrir. Era óbvio demais.
- ABRA A PORTA! ABRA!- ela batia, chorando, histérica.
- O que a gente...?- tentei dizer, atônita, sem saber o que fazer. “Talvez eu possa me esconder embaixo da cama ou no banheiro”, penso. Mas minha atitude é infantil e mesquinha. EU havia causado tudo isso e tinha que enfrentar- Abra a porta!- digo.
- Não- ele rebate- Fica aqui. Isso é um assunto meu!- ele diz e abre a porta, seguro. Eu diria que ele sabia como agir, que já tinha pensado em tudo caso acontecesse.
- ME DEIXA ENTRAR! QUERO VER QUEM É ELA!- ela grita e consegue me ver pelo vão da porta enquanto ele a segura, fechando a porta com força em seguida.
Deito na cama e me sinto mal. Tenho vontade de chorar e me odeio por isso. Abraço o travesseiro contra o corpo e acabo dormindo (...).
"Tunnel Vision"- Fanfic.
O show
Acordei no dia seguinte e o vi ao meu lado. Fiquei olhando o modo como ele dormia, tranquilamente, a visão mais linda desse mundo! Noto que o celular dele vibra em cima do criado mudo, uma, duas, três vezes, mas ele não desperta...
Estico minha mão e o pego. Olho no visor: Jessica! A vontade que eu tinha era atender e dizer que ele era meu, que estava ali, comigo, enquanto ela estava há milhares de quilômetros de distancia... Tive que fazer uma força sobre humana e me controlei.
- Telefone!- acordo-o beijando seu rosto. Ele me olha sem entender e de um salto sai da cama e vai até a sala atender. Não escuto a conversa entre eles. Sinto meus olhos arderem.
Logo em seguida, ele volta. Está sério. Enxugo uma lágrima que teimosa que escapa.
- Tudo bem?- ele me pergunta, mas já sabe a resposta.
- Não- digo apenas e me deito de lado, olhando através da janela.
Ele percebe a minha frustação e me beija no ombro, delicadamente.
- Vou sair, mas não demoro- me avisa- Vamos ter a tarde toda depois!- beija meu rosto e sai, me deixando.
Volto a dormir sabendo que tudo isso irá se desfazer em algumas horas, todos esses sentimentos, todo o tempo que passamos juntos, será somente uma lembrança...
“Sonho que Justin está na rua. Eu o grito incansavelmente, mas por mais que eu o faça, ele não ouve. Jessica está com ele. Eles se beijam. Grito com todas as minhas forças, mas é em vão...”.
Acordo novamente com pequenos barulhos no quarto. Abro os olhos e o vejo sorrindo pra mim. ‘Ele ainda está aqui’, penso. E isso me conforta, por hora.
- Trouxe o café pra gente!- ele me oferece um suco e se serve de chá.
- Não quero, eu... - começo a chorar.
- Não... - ele me abraça- Olha o que tenho pra você!- tenta me animar e me mostra um crachá- V.I.P, mas você tem que disfarçar e fingir ser alguém que trabalha comigo!- ele ri- E vai de carro com o pessoal da banda e tudo o mais!
- Obrigada!- seguro o crachá entre as mãos e o coloco em cima do criado- Não liga pra mim, to triste, mas vai passar... - me justifico.
- Eu sei- ele abaixa a cabeça e fita as próprias mãos- Não queria te ver assim...
- Tudo bem! Vamos falar de outra coisa- falo- Seria pedir demais pra entrarmos na jacuzzi?- pergunto á ele inocentemente.
Ele gargalha e vamos até lá. O lugar era coberto, mas dentro do quarto. Entrei apenas de calcinha e Justin de shorts e ele me olhou com uma cara safada.
- Você é linda, sabia?- ele me diz olhando pro meu corpo. Minhas bochechas coram.
- Não tão linda quanto a. - me calo quando ia dizer ‘sua mulher’- Esquece!
- Ciumenta!- ele diz tentando descontrair o clima e eu dou um sorriso forçado.
- Só de você!- rebato e ele finge espanto- Que horas são?
- Não se preocupa com isso! – ele me beija- Me deixa triste também!
O abraço e ficamos assim por um tempo. Logo saímos e fomos almoçar, no quarto mesmo. Quase não toquei na comida. Não tinha fome.
- Quero que você se divirta no show, mas precisa comer!- ele me indica a comida intocada no meu prato. Tento comer, mas dou só algumas colheradas. Tenho um nó no estomago.
Nos levantamos da mesa e ele saiu novamente quando ligaram pro quero dele. Certamente algum detalhe referente ao show. Esperei por mais de uma hora até que ele voltasse. Já eram 17h55.
Fui pro banheiro e tomei um banho pra tentar relaxar. Deixei que a água escorresse pelo meu corpo, afastando toda a tristeza e angustia que eu sentia. Eu ainda tinha um show pra ir e me divertir como nunca. Afinal, meu objetivo sempre foi esse, esperei por isso durante mais de dez anos... O que havia acontecido, não era parte do plano!
Me sequei , coloquei minha roupa da noite anterior e fui até meu quarto me trocar. Jeans, tênis, cabelo preso e uma camiseta escrito “I sz JT”! Voltei pro quarto dele e fiquei esperando impaciente.
- Quase na hora, hein?!- ele fala todo empolgado- ‘I love JT’... Gostei!- ele pisca pra mim.
- Que hora vamos?- pergunto.
- Acho que daqui a pouco – ele sai em direção ao banheiro- Vou tomar um banho!
Ligo meu celular bem baixo e coloco suas músicas pra tocar num tipo de ‘esquenta’ antes do show! Ele não demora no banho e batem na porta em seguida. O segurança e a mulher loira o chamam. Ele fecha a porta diante deles.
- Preciso ir- ele diz- Vou descer e em seguida você desce. Tão te esperando no lobby. Te espero no camarim!- me dá um selinho rápido e sai.
Eu ia pro camarim dele, e com ele! Me animo. Esperei alguns minutos e saí também, pegando meu crachá e o colocando em meu pescoço. Desço e a mulher loira me espera e me conduz até a van com os dançarinos e músicos. Ninguém pergunta nada e passo quase que desapercebida. Fico sabendo que, eu era só uma fã que havia ganhado alguma promoção! O pessoal é bem legal! Chegamos na cidade do Rock e me levaram até o camarim. Entro e o vejo ouvindo suas próprias músicas, muito concentrado!
- Oi!- falo timidamente- É o máximo tá aqui!- sorrio.
- Você tem sorte!- ele pisca pra mim e sorri grande- O show é daqui á duas horas!
- To nervosa, sério!- torço as mãos em sinal de ansiedade.
- Vem, senta aqui comigo!- ele me pede batendo com as mãos em seus joelhos, me convidando. Obedeço!- Você vai ficar bem?- ele se preocupa.
- Acho que sim- tento demonstrar confiança á ele. Não era nada bom que ele se preocupasse com isso, por mais fofa que fosse sua atitude!
Bateram á porta e dei um pulo saindo de seu colo e ficando em pé. Disfarçamos. Eles conversaram algumas coisas sobre o show e logo foram embora...
- Andei pensando em duas coisas- ele me diz- Uma podemos resolver agora, a outra acredito que será mais complicado...
- O que é?- me intrigo.
- Não temos uma foto juntos pra você guardar e eu não sei o seu nome e nem a sua idade... - ele me encara.
Me posiciono ao lado dele, pego meu celular e bato a foto, como uma fã normal. As melhores lembranças ficariam apenas em minha mente...
- Não importa o meu nome e minha idade, importa?- digo- É só um nome e um numero e isso não vai mudar em nada. Quando você pensar em mim, quero que se lembre apenas de mim, apenas isso, de como fomos felizes...
Ele não me pede explicações e não tenta me fazer falar. Ele me serve um copo de suco e me sento ao seu lado no sofá. A hora não demora a passar. Tento focar meus pensamentos no show maravilhoso que eu teria pela frente!
Batem novamente á porta e o vejo sorrindo, animadamente.
- Tá na hora!- ele me diz- Você fica na grade, do lado de fora, bem no meio do palco...
- Tá certo! Vou indo então!- falo- Boa sorte, tenho certeza de que vai ser inesquecível!- dou um selinho rápido nele antes que alguém nos veja. Ele me abraça.
Saio e me direciono no meu lugar, esperando que ele entre. A multidão o espera ansiosamente... Ouço os primeiros acordes de ‘Like I love you’ e ele entra.... Meu coração dispara, ouço milhares de gritos ensurdecedores... Grito também! “Meu Deus, como eu te amo!”, penso.
Não sei o que fazer, apenas grito e enlouqueço. Há DOZE anos esperando por ele e enfim o temos! Mas não posso dar muito na cara, afinal, sou da ‘equipe’ dele. Me contenho.
O show prossegue lindamente, ele sabe como fazer, tem talento, ninguém fica parado... Movimentos pra lá de sexy e escuto algumas meninas gritar: “Fuck me!” e rio demais com isso.
Ele canta “What goes around, comes around” e diz: “Essa é a cidade do amor, não?!”. Congelo! Sim, do amor, porque foi aqui que nos encontramos...
Ouço aquelas palavras “I know you like , I know you like”… Minha mente repassa todas as imagens, um filme… Cenas de nós dois me deixam á beira do choro. Não me contenho mais e choro convulsivamente...
Justin me olha algumas vezes e tenho ABSOLUTA certeza de que está cantando novamente pra mim. Pra mim, entre mais de 80 mil pessoas! “Nossa música”, ele me disse. O olho diversas vezes e sorrio em sua direção. Era sensacional ter o privilégio de acompanhar tudo tão de perto!
O show termina com ‘Sexy back”, a multidão enlouquece, surta, grita, pula.... É INIMAGINÁVEL! Ele agradece, se despede e sai do palco.
Eu estou em estado de graça. Totalmente extasiada! Espero alguns minutos e vou até a porta do camarim. Há muitas pessoas ali, espero. Vejo o pessoal da banda saindo e os sigo. Entro na van e volto pro hotel, sem vê-lo.
O titanic bate no iceberg
Para vocês terem uma leve ideia do que eu estou falando, certa vez me interressei por uma área da química bem bacaninha chamada orgânica, que trata das substâncias que formam a matéria viva. Fiquei fascinado com aquelas cadeias enormes de carbono que compunham figuras das mais exóticas no quadro-negro.
De um a quatro carbonos, se não me falha a memória, eram gases; de cinco para cima se liquefaziam e, depois, se solidificavam pouco a pouco, até chegarem no carvão propriamente dito. Só sei que, lá no meio, tinha o petróleo, uma espécie de lama negra que jorrava dos poços, como tinha visto várias vezes nos filmes americanos.
Pois bem, fiquei tão entusiasmado com aquele mundo cavernoso que provinha da fermentação de fósseis de animais enterrados a milhões de anos que pesquisei por conta própria durante um tempão. Até me esquecia de ir às aulas. Marcava ponto quase diariamente na biblioteca pública, pegava livros e enciclopédias e armava teorias a respeito do assunto. Delirava, sonhava com aquilo, me tornei um expert.
Num belo dia, cheio de idéias, rascunhos, resumos e carregado de apostilas, fui à aula para conversar com o professor sobre a íntima relação da química orgânica com a biologia, o que, para mim, nada mais era do que a resposta ao princípio da vida na Terra. Afinal, quando a matéria inanimada ganha vida, há algo aí para se discutir com maior profundidade. Teria descoberto algum segredo milenar? Estaria Deus metido na química orgânica de uma forma ou outra?
Entretanto, minha tentativa ruiu de vez quando o professor, chegando devagar, me olhou de cima a baixo e disse:
-Eric, você faltou em cinco aulas. Pode se considerar de recuperação!
-Mas, mestre - retruquei -, eu estava estudando.
-Não enteressa, você deveria estar aqui!
Exato, pensei, deveria estar lá só para marcar presença, bater cartão como um burocrata qualquer, só pra ensebar, enrolando e fingindo como os outros.
Naquele dia, aprendi mais algumas coisas: a sociedade é hipócrita; somos todos personagens de uma grande peça; a honestidade é uma faca de dois gumes, nem sempre ela é bem aceita. Na escola, como na vida, é preferível que você não seja transparente. Para ser considerado um bom aluno, é necessário estudar e se movimentar freneticamente, passando a ideia de um cara curioso, esforçado. Se você sabe o que a experiência química demonstra, se conhece o objetivo e o resultado, é apenas um meio aluno. O aluno por inteiro tem que mostrar serviço, fazer marketing pessoal, ser um ator completo.
O Titanic tinha batido no iceberg e naufragado, levando para o fundo do mar algumas das minhas esperanças e ilusões mais caras da juventude.
Por outro lado, esse episódio me revelara a importância mágica da ficção na vida real. Ainda bem que eu gostava muito de ler e escrever pequenos contos; tinha até ganhado o concurso de um jornal e me preparava para ingressar naquele fulgante mundo de mentira.