Equipe 1 - Dayse Paula e Laura Beatriz
— Filho, tome cuidado! Não aceite nada de estranhos, preste atenção ao atravessar a rua e volte para casa no horário combinado. — falou a minha mãe, me fazendo revirar os olhos.
— Oh, mãe, estou fazendo 16 anos. Eu sei me cuidar.
— Erik, você pode ter 50 anos, mas você ainda vai ser meu bebê. Nem estou acreditando que hoje você está fazendo dezesseis aninhos. Parece que foi ontem que… — Minha mãe até ia tentar contar a mesma história do dia que nasci, mas, graças a Deus, a campainha tocou e porta frente foi aberta.
— Boa noite, srª Christiansen. — Logan e Clementine falaram após cruzarem a porta. A intimidade era tanta que nem esperavam mais a campainha ser atendida.
— Oi, Logan e Tina. —Minha mãe cumprimentou-os. — Por favor, tomem conta do meu bebê. — Um sorriso de deboche surgiu na cara dos meus dois amigos. O Logan abriu a boca para fazer alguma piada as minhas custas, porém eu me pronunciei primeiro.
— Tá bom! Vamos logo, se não iremos nos atrasar. Tchau, mãe! — Dei um beijo na bochecha da minha progenitora e saí junto com meus amigos.
Ao chegarmos do lado de fora foi impossível impedir o Logan de começar com suas piadas idiotas
— Own, o bebê da minha mãe não sabe se cuidar sozinho. — Aproximou-se para apertar uma das minhas bochechas, porém eu dei um tapa na sua mão.
— Para de ser ridículo, nem no dia do meu aniversário você dá um pouco de paz. — Reclamei.
— É, Logan! Hoje é o aniversário do Erik, dá um trégua. — Falou a única do moça do grupo me defendendo.
Logan levantou os braços como um sinal de rendição.
— Obrigado, loirinha. — Falei passando um dos braços ao redor dos ombros dela. — E como hoje é meu aniversário, eu quero saber de uma coisa: cadê meus presentes? — perguntei.
— Seu presente é me ter ainda como amigo. — Disse o Logan. — Brincadeirinha! Amanhã eu te entrego porque esqueci de trazer.
— E o seu, Tina? — Interroguei.
— É claro que tenho um presente para você. Acredito que vai o melhor presente que você já ganhou durante toda a sua vida. — Enunciou de um modo muito convencido — . Porém, só irei entregar quando for a hora de voltar. —
Depois do que a Clementine falou, eu não conseguiria ficar totalmente focado na comemoração com meus amigos. Acho que nunca quis tanto que dê-se a hora do meu toque de recolher.
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Sair com meus amigos foi ótimo, mas eu só queria que o tempo passasse rápido. Mas, parece que quanto mais rápido que eu pedisse que fosse, mas lento passava. Primeiro passamos em numa lanchonete para encontrar com o resto do meus amigos. Depois fomos para um praça isolada e ficamos fazendo muita bagunça e barulho como qualquer outro típico adolescente faria.
Tentei prestar atenção nas conversas, afinal eu era o foco ali. Era obrigado a interagir com as pessoas, contudo meus pensamentos eram traiçoeiros e me fazia imaginar os mais diversos presentes que a Tina podia me dar. De vez em quando eu me pegava encarando-a. Ela era tão linda. Adorava o jeito que ela sorria, como ela tirava os fios loiros de seu rosto e como mordia os lábios. Me peguei imaginando se um dia seria eu o motivo do seu sorriso. Se um dia eu queria tiraria os fios de cabelo do seu rosto e tocaria sua pele macia. Se um dia eu poderia morder os seus lábios.
Meus devaneios me fizeram perder total noção do tempo. Só fui desperto quando a Tina surgiu na minha frente balançando a mão na minha frente com um sorriso no lábios e me falando que era a hora de irmos. Ao ouvir suas palavras meu coração acelerou, senti o sangue correr mais rápido nas minhas veias e meu estômago embrulhar. Oh, Erik Christiansen, isso não era de ficar com dor de barriga.
Eu, Logan e Clementine tomamos o rumo da minha casa. Quer dizer, eu achava que estávamos indo para minha casa, até a Tina dobrou numa esquina totalmente contrária ao destino.
— Espera, não vamos para casa do Erik? — Ok, o Logan também não sabia para onde estávamos indo. Oh, Céus, estávamos entregues a vontade da Clementine.
— Não! Eu tenho que entregar o presente do Erik. E ele está no celeiro da minha casa. — Respondeu sorrindo. Um sorriso enigmático.Um sorriso de tremer as pernas de qualquer pessoa. Um sorriso me fez meu estômago embrulhar mais ainda.
O que essa garota está aprontando?
— Então, vamos logo! Porque todos nós temos horário para chegar em casa. — Resmungou o Strauss.
Meu cérebro não conseguia processar mais nada. Parece que meus pés chumbados no chão. Eles voltaram a andar, mas eu não conseguia sair do lugar. A Tina percebeu que fiquei trás e voltou para me puxar pela mão.
— Hmmmm, acho que o bebê Christiansen está nervoso. — Mais uma vez, sou protagonista das piadas do Logan.
Outra vez, minha mente foi sugado pelos meus devaneios e só voltei a realidade quando entramos no celeiro. Finalmente, era o fim de todo o suspense e início da minha morte.
— Então, Tina, entrega logo o presente dele. Olha, o coitado já está todo vermelho.
— Bem, não foi fácil decidir o que te dar. Então, ultimamente, eu vejo como você nos olha, eu e o Logan, se beijando. E acredito que você nunca tenha dado um beijo igual, então meu presente para você, será um beijo... porém, com uma condição. — Se antes eu achava que meu cérebro tinha parado de processar informações, agora eu tinha certeza.
— Hã? Que? Qual condição? — Perguntei.
— Você tem beijar o Logan. — Ela falou com uma calma invejável.
— O que? — Gritamos eu e o Logan juntos. Era inquestionável Clementine Moreau tinha enlouquecido.
— Você pirou de vez. Olha, Clementine, eu e o Logan caímos muito nas suas brincadeiras, mas, dessa vez, não vai rolar.
— Então, você não quer me beijar?
— Eu não falei isso. — respondi, rapidamente.
— Ora, então beija o Logan. — Como se isso fosse muito simples? Qual era o problema daquela garota? — Logan, você aceita beijar o Erik? — Meu coração acelerou mais ainda. Meus olhos quando saíram das órbitas. O Logan iria aceitar? — Deixando claro que tem um beijo sincero e tem durar, no mínimo, sete segundos.
— Tina, você está falando sério? — indagou o Logan com um tom muito sério.
— É, claro que estou. Por que iria brincar com uma coisa? Logan aceita. O Erik já sei pelo olhar dele que já concordou. — Pelo meu olhar? Oi? O que está acontecendo aqui? Clementinha juntou as mãos e fez aquele olhar irrestível. Ela sabia que sempre conseguia com nós dois quando nos olhava assim.
— Ok, eu aceito. — respondeu num tom de voz cansado. Deus, eu e o Logan íamos no beijar!
Tina se sentou em dos fardos da palha pronta para apreciar o show de camarote.
— Podem começar! — Disse animada e batendo palmas.
— Olha, deixando claro que isso não pode sair daqui. — falei e o Logan concordou.
Clementine balançou as mãos num sinal de desdém e mandou a gente se apressar. Logan se virou para mim com os olhos mirando o chão. Apesar de ser um ano mais novo, o Strauus tinha a mesma altura que eu. Dei um passo e, dessa forma, quase colando nossos corpos. Strauss encaixou seus olhos nos meus, finalmente. Eu não sabia o que era isso que estava sentido, só sabia que essas sensações me davam medo. Quando senti sua mão na minha cintura parece que chão desapareceu. Eu não aguentava mais aquela tensão que pairava entre nós, então coloquei as minhas mãos na sua nuca. E me preparei para o meu primeiro beijo.
A sensação dos nossos lábios era surreal. Eu não sabia o que fazer, o nervosismo chegou com força. O Logan percebeu claramente meu nervosismo e tomou o controle do beijo. Lentamente, os lábios começaram a se mover. Eu estaria mentindo se dissesse que não estava gostando. Oh, isso era muito bom, porém, será que era certo? Espantei esses pensamentos e voltei a concentrar no beijo. Puxei mais o seu rosto e deslizei minha mão para o seu cabelo. E foi quando senti a língua sorrateira do Logan entrando da minha boca. Eu achava que não podia ficar melhor, mas o Strauss destruiu minhas expectativas. Os movimentos da sua língua na minha boca eram tão bons. Sua língua era levemente áspera, mas ainda gostosa. Eu só sabia que não queria parar.
Quando as coisas iam evoluir para outro patamar, ouvimos a porta do celeiro abrir e, rapidamente, eu e o Logan nos afastamos. Nada mais, nada menos que o Pastor Moreau entrou no celeiro. Ah, Cristo, eu vou pro inferno.
— O que vocês três estão fazendo aqui? — perguntou o pai da Tina.
— Ah, papai, estávamos comemorando o aniversário do Erik. Eu te falei. — disse a Tina, assumindo uma postura totalmente oposta à anterior. Quem imaginaria que minutos antes ela estaria tentando convencer dois rapazes a se beijar.
— Ah, é mesmo. Mas, já está tarde. Hora de todo mundo ir para casa.
O que? Pera, e meu beijo com a Clementine?! Não me diga que fiz tudo isso em vão. O meu mundo nesse momento caiu.
O Pastor Moreau mandou a Tina se despedir de nós. Ela veio toda sorridente nos abraçar e dei um beijo na bochecha de cada um. Fiquei com medo de ficar só com o Logan, porém, assim que Tina saiu, ele correu para fora do celeiro. E fiquei lá parado sem reação. Que presente, hein, Erik?!
Saí frustado do celeiro e me comecei a me encaminhar para casa. Meus pensamentos e sentimentos estavam totalmente confusos. Meu primeiro beijo tinha sido com Logan Strauss, meu melhor amigo. Meu primeiro beijo tinha sido com um homem. Eu beijei um homem. Que bela lembrança eu teria. Minhas mãos estavam levemente tremulas. Não estava sabendo lidar com toda aquelas sensações. Passei por tudo isso para no fim para não beijar a Clementina. Bendito seja o pai dela. Que raiva!
Quer dizer, eu estava com raiva por não ter beijado a Tina ou por gostado do Logan? O que está acontecendo comigo? Eu não posso ter gostado. Erik, você gosta de mulher. Sabe, Erik, você está precisando de uma noite de sono.