Equipe 12 - Ana Mércia e Is Pinheiro
American Pie era legal.
Assistir American Pie ao lado de Clementine, era muito mais.
Assistir American Pie ao lado de Clementine e do Erik... Bom, já não me parecia mais tão legal assim.
Não era apropriado. Ele era o seu primo e... Haviam peitos na televisão. Muitos peitos. Peitos maravilhosos e que me deixavam duro feito madeira em minhas calças justas. O decote generoso de Clementine não ajudava, contudo.
Hormônios... É. Assim como meu pai falava. Os dezesseis anos não era a melhor idade para se manter flácido ao lado da garota que você é apaixonado, ainda mais quando American Pie estava nos entretendo.
Voltei a olhar para a TV e pude inspirar aliviado quando percebi que a cena já havia passado.
O alívio durou pouco, no entanto.
Senti a pequena e habilidosa mão de Clementine em minha coxa, acariciando-a com uma inocência quase verdadeira.
Segurei o lábio inferior entre os dentes e direcionei meu olhar a ela... E, porra. Caralho. Cacete.
Cacete duro. Literalmente.
Ela me olhava daquele modo que me encarou quando me chupou, há alguns dias. Ah... Eu agradecia a todos os deuses até hoje por não ter tido uma ejaculação precoce naquele momento. Sua boca macia e quente me envolvendo em seu limite, me acariciando, me levando a loucura... Me fazendo achar que explodiria, de modo literal. E, bem... Foi o que quase aconteceu em seguida.
Engoli a seco, voltando à realidade atual, e a vi lamber os próprios lábios, subindo a direção de sua mão, chegando próxima a minha virilha. Sorri satisfeito involuntariamente.
- Ah, por favor! Vão para o quarto! Me deixem à vontade para bater uma, pelo menos.
Arregalei os olhos assim que assimilei a voz e as frases ditas. Balancei a cabeça e ri para Erik. Eu quase havia me esquecido dele.
Clementine virou-se para o primo, enquanto carregava um sorriso sacana no rosto, e, pelo que eu a conhecia, sabia que coisa boa não sairia daquela boquinha.
- Está com ciúmes, é?! – Ela sorriu, e eu franzi o cenho. Ele não podia sentir ciúmes dela.
- Linda... – Resmunguei.
- Enlouqueceu? Você é a minha prima!
Clementine gargalhou audivelmente, e dessa vez foi Erik quem franziu o cenho, olhando-a confuso.
- Não é de mim, idiota. Do Logan! Vai dizer que vocês nunca fizeram troca-troca?O quê?!
- Clementine! – Eu e Erik dissemos uníssonos, demonstrando nossa incredulidade.
O volume da risada da loirinha só se prolongou, nos deixando ainda mais descrentes do teor de sua pergunta.
- Que é?! Não são todos os garotos que fazem troca-troca? – Murmurou, em meio aos risos. Rolei os olhos. – Ah, para! Ficaram ofendidos?
- Prefiro pagar uma prostituta. – Erik disse, e eu concordei veemente. Nunca havia o feito, mas entre escolher... É. Definitivamente.
- Nem um beijinho? – Insistiu.
- Nem um. Nem meio.
- Dois bundões! – Gesticulou com as mãos. Eu ri, sem humor. Ela não podia estar falando sério. – Por acaso acham que uma troca de salivas irá mudar a orientação sexual de vocês?
- De jeito nenhum, mas prefiro não fazê-lo, obrigado. – Erik ergueu as palmas das mãos, negando.
Eu quase ri de verdade naquele momento.
- Você sabe muito bem sobre a minha orientação sexual, linda. Mas, não. Dispenso.
- Pra mim, isso só tem um nome: medo. Vocês não são homens o suficiente! Tem medo de gostarem, não é? Não os culpo... Homem é bom demais! – Sorriu marota e eu senti vontade de tomá-la para mim naquele mesmo momento.
Aquela garota era impossível.
- Isso é um desafio, branquela?
Ouvi Erik sibilar, e no mesmo momento fechei os olhos, amaldiçoando aquele maldito filme que ainda passava na TV.
Tudo. Culpa. Dele.
Erik está para desafios assim como Michael Jackson está para os palcos.
E assim como eu estaria futuramente para a Scotland Yard.
- Que se foda – resmunguei derrotado, balançando a cabeça. – Levanta, Christiansen.
Clementine soltou um gritinho animado, aplaudindo minha atitude. Eu a mataria se não a amasse, com certeza.Erik se levantou a contra gosto, parecia estar caminhando para a forca. Eu ri, mas não me sentia muito diferente. Imitei seu gesto e nos aproximamos.
- Mas que porra... – Christiansen sussurrou, fazendo uma careta.
- Você me paga, loirinha – apontei, mirando-a. Ela ergueu uma das sobrancelhas, desafiadora, e então obedeci a seu desejo.
Toquei os lábios travados de Erik com os meus – também travados. Ouvi Clementine gritar: “quero ver língua!”, e rolei os olhos imaginariamente. Deixei as mãos atrás do meu corpo e entreabri os lábios, assim como Christiansen. Nossas línguas finalmente se fizeram sentir e eu tive que me controlar para não me afastar. O maldito bigode mal tirado dele me fez pensar que eu teria pesadelos com aquilo por dias.
Clementine riu no fundo, e eu decidi aprofundar o beijo. Ok, são somente lábios. Minha garota está gostando, e é um desafio. Posso passar por isso tranquilamente. Erik murmurou enojado e isso só me deu mais vontade de fazer aquilo. Irritar meu amigo era um dos meus maiores objetivos de vida. Levei as mãos para as laterais de sua cabeça, segurando-o, enquanto terminava de estalar um beijo contra sua boca. Ele se afastou com um empurrão, soprando dezenas de xingamentos. Eu ri ainda mais, e, quando percebi, Clementine estava em pé, ao meu lado.
Erik foi para o banheiro, provavelmente lavar a boca com sabonete.
Ou se masturbar, nunca se sabe...
- E aí? Devo procurar outro cara para saciar meus desejos sexuais? Fui trocada pelo meu primo?
Gargalhei, balançando a cabeça em negação e colocando seu rosto entre minhas mãos, roçando nossos narizes.
- Heterossexual. Acho que só existe lugar para um pau nas minhas futuras relações, e este com certeza será o meu.
- Eu gosto disso – roçou nossos lábios, e, ali sim. Ali sim eu sentia que era o meu lugar. O lugar para qual meus lábios foram destinados pelo resto da eternidade. Não me restava dúvidas. – Agora... Acho que estou com inveja do Erik. Será que você pode dar um jeito nisso?
Eu não precisei respondê-la.
Não com palavras, ao menos.
Envolvi seus lábios com os meus e abracei sua cintura, deixando que ela guiasse nosso beijo.
É.
Não era por ser o Erik, ou qualquer outro homem. Se fosse uma mulher, eu teria a mesma certeza.
Não seria por orientação sexual.
Independente de quem fosse, e como fosse. Acho que eu só seria capaz de sentir aquilo quando a beijava.
Algum personagem do filme gemeu ao nosso lado, na TV, e eu ri durante o beijo. Clementine desceu uma das mãos pelo meu abdômen e senti meu corpo tencionar.
De repente, meu recente descoberto ódio por American Pie havia se dissipado.
O filme era legal. E ouvi-lo, enquanto beijava Clementine, era muito mais.













