Equipe 24 - Beatriz Meneses e América Laviérre
- Eu estou avisando: vou embora!
Erik reclamou pela milésima vez naquela tarde e Logan até reviraria os olhos, mas eles não estavam abertos.
- Só mais cinco minutos. - o moreno retrucou, puxando a menina loura para mais perto, tomando os lábios dela nos seus mais uma vez.
Erik soltou um grunhido irritado e começou à balançar a perna esquerda numa mania que tinha.
Ele odiava ter de ficar vigiando o corredor do colégio enquanto Logan pegava a filha do professor de cálculo. Odiava!
Era sempre a mesma coisa: os três entravam numa sala qualquer, o loiro vigiava o corredor, enquanto Logan ficava com a parte boa da situação. Qualquer dia desses seriam pegos. Como, diabos, eles explicariam os motivos que levaram três "quase-adolescentes" de quatorze anos a se trancarem numa sala que era tudo, menos a aula do horário?
- Nós vamos ser pegos. - soltou aflito e o casal riu.
- Você reclama como uma menininha, Erik. - a garota zombou.
- Ah, sinto muito se eu não sou filho de nenhum prof-essor... -soltou irônico, esfregando uma mão contra outra, num gesto inútil para conter o nervosismo. - ELE VAI ME REPROVAR!
Logan riu alto e deu um selinho na menina, se afastando dela no outro instante.
- Tudo bem, vamos.
Erik respirou aliviado e esperou que os outros dois se arrumassem, abrindo a porta para sair dali.
Seria melhor não ter feito isso.
- Professor? - o louro gaguejou, encarando o rosto dos amigos, buscando apoio.
- Podem me explicar o que estavam fazendo dentro da sala?
A voz do homem era contida, os lábios franzidos em frustração. Levou a mão até o nariz e arrumou o óculos, cruzando os braços em seguida.
- Nós... nós...
- Conselho de casal. - a garota se manifestou, adotando uma postura descontraída e caminhando até o pai, segurando seu braço para tentar passar confiança. - Eles estão em conflitos. Dá para acreditar? E ainda dizem que mulheres são complicadas!
Erik piscou uma, duas vezes, totalmente sem reação. Logan não moveu sequer um músculo facial.
- Como assim? - o professor indagou, confuso.
- Você não sabe? - a garota franziu a testa, parecendo genuinamente confusa. - Achei que os professores também soubessem... Logan e Erik assumiram o namoro.
Queixo caído era uma expressão modesta demais para descrever a reação do loiro.
- Oh, sério? - a voz do homem não passava muita confiança, um sorrido irônico tomando conta de seus lábios. - Meus parabéns, então, garotos! Me sinto honrado em ser o primeiro professor a descobrir... vamos lá, isso merece uma comemoração. Não é todo dia que aparecem tantos garotos corajosos, não é mesmo?
Erik transferiu o olhar até o rosto de Logan, e ele apenas tinha um sorriso contido.
- Do que o senhor está falando? - gaguejou o menino.
- Ora, beijem-se! - o professor mandou, sua voz demonstrava pura acidez. - Já que vocês se assumiram... qual o problema. Isso se vocês estão falando a verdade, claro. Se esse for o caso, podemos nos resolver na direção.
- Nós já nos resolvemos, não foi, querido? - Logan se manifestou, tocando o braço do amigo em um gesto delicado.
Erik não podia acreditar em suas opções: ou beijava o amigo, ou iria para direção e, provavelmente, seria reprovado. Não confiava na ética do professor Stevens.
- Claro. - tentou sorrir fraco e se virou para o amigo, aproveitando a oportunidade para lhe lançar o pior olhar que conseguiu.
- Vamos, eu não tenho o dia todo! - o professor incentivou.
Logan aproximou o rosto do amigo e fechou os olhos, passando seus braços ao redor do corpo do garoto, que continuava estático.
- Fico te devendo mais uma. - Logan sussurrou contra os lábios dele, os envolvendo com os seus no instante seguinte.
Erik não tinha opção, sabia disso. Então, se fosse para fazer, faria direito.
O loiro guiou sua mãos até os ombros magros do outro e abriu os lábios, permitindo que a língua do amigo tocasse a sua.
- Tão bonitinhos... - a menina suspirou, a ironia mascarada na voz.
Erik guiou os dedos até o cabelo do moreno e os puxou, aprofundando o beijo enquanto colava seus corpos ainda mais.
Eles não sentiam atração por homens, claro. Aliás, estarem num beijo que aparentava ser quente, não despertava nenhuma sensação de desejo neles, mas, ainda assim, não era ruim.
Mesmo que nunca admitisse em voz alta, Erik assumiu para si mesmo que o amigo beijava incrivelmente bem.
- Okay, okay... - o professor se manifestou. - Não precisam se engolir.
Logan riu, se separando de Erik e evitando olhar para ele.
- Ora, papai, foi você quem insistiu. - a menina disse. - Eles não são maravilhosos?
- Que seja. - retrucou o professor. - Vocês estão perdendo aula. Se apressem.
O homem se virou para sair dali, levando sua filha consigo, que deu uma piscadela por cima do ombro para a dupla que deixou para trás.
Ambos só se manifestaram quando não havia ninguém à vista.
- Eu estou mesmo te devendo uma. - Logan disse, o tom de voz baixo.
- Cala a sua boca. - retrucou o loiro. - Eu preciso ir no banheiro.
Logan riu alto, atraindo o olhar indignado do amigo.
- Eu sei que beijo bem, mas não precisa bater punheta.
- Eu vou vomitar. - Erik preferiu ignorar o garoto, podia jurar que daria um soco nele se precisasse encará-lo por mais dois minutos.
- Assume que não foi tão ruim. - Logan continuou provocando.
- Você está com gosto de canela. - o loiro disse ainda de costas, enquanto caminhava para longe. - E EU ODEIO CANELA.
Rindo alto, Logan observou o amigo virar o corredor.













