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ESCOLA VIVA
- 14 05 2019 -
À comunidade da Escola Viva
Nós, educadoras e educadores da Escola Viva, preocupados com o momento atual e as perspectivas futuras para a educação no país, decidimos nos juntar ao Movimento Nacional em defesa da Educação neste 15 de maio, que paralisará escolas e universidades públicas e privadas. Nosso intuito é o de debater de forma mais ampla os rumos apontados para a sociedade, e em especial para nossa área de atuação. Desde o começo do ano, membros do governo que ocupam os mais altos cargos do MEC foram responsáveis por ações como: um edital que possibilitava a aceitação de livros didáticos sem referências bibliográficas e com publicidade; um pedido para que as escolas filmassem ilegalmente seus alunos cantando o hino nacional e citandoslogan de campanha eleitoral; incentivo para que alunos gravassem aulas de seus professores sem nenhuma base jurídica para isso, em uma tentativa de quebra de confiança entre professores e alunos e inclusive à possibilidade de que alunos acreditassem que seus próprios professores poderiam ser seus inimigos; tentativas de interferência na formulação da prova do ENEM por quesitos para além dos técnicos; tentativas de imposição de uma educação que ignora as possibilidades de escolha dos jovens ao defenderem, por exemplo, que um filho de agricultor não pode estudar Filosofia porque tal escolha não contribui para o negócio da família; um discurso de diminuição do ensino de disciplinas como Filosofia, Ciências Sociais, Artes e humanidades em geral, tanto no Ensino Básico quanto no Superior a partir de uma visão tecnicista de educação; cortes que atingem a Educação Infantil, dita prioridade do governo; cortes de mais de 30% da verba discricionária de todas as universidades federais, quantia que inviabiliza a existência de boa parte delas; cortes também nas bolsas de mestrado e doutorado, travando a produção de conhecimento no Brasil, que é reconhecida no mundo tanto pela sua quantidade quanto pela sua qualidade; além do impedimento do acesso de todos os professores à uma aposentadoria digna. No caso específico das escolas particulares de São Paulo, ainda temos novamente a intransigência do Sindicato patronal (SIEEESP) em negociar com a Federação dos Professores do Estado de São Paulo. Pelo segundo ano consecutivo, querem remover direitos das professoras e dos professores. Trazem a possibilidade de que estes sejam contratados como pessoas jurídicas ou em regime intermitente, o que abre portas para uma maior rotatividade e exclusão dos períodos remunerados de planejamento. Querem diminuir o recesso, dificultar o acesso da categoria a garantias de salário no caso de demissão sem justa causa no meio do semestre e se recusaram a sequer pautar qualquer uma das propostas dos educadores, propostas essas apresentadas em outubro e ignoradas até hoje, três meses após o fim da Convenção Coletiva, que esteve em vigência de 1º de março de 2018 a 28 de fevereiro de 2019. Frente a esse momento sem precedentes de agravamento dos ataques à educação, em particular à atividade docente e, entendendo que tais ataques não afetam somente a nós, professores, mas a toda a sociedade e a própria perspectiva de construção de melhorias, o projeto em que acreditamos e investimos tanto a partir dos nossos alunos, alunas, filhos e filhas, convidamos toda a comunidade da Escola Viva a se juntar a esse movimento. Quarta-feira, dia 15 de maio de 2019, estaremos presentes em duas atividades: a primeira, às 10 horas na Praça dos Arcos, encontro que reunirá educadores, alunos e famílias da rede privada da cidade para conversar sobre a conjuntura e caminhos para a educação; a segunda, às 14 horas no MASP, em marcha com todos aqueles que defendem uma educação que, segundo nossa Constituição, não prega apenas pela formação para o trabalho, mas também pelo pleno desenvolvimento da pessoa e que prepara para o exercício da cidadania com pluralismo de ideias. Estas são condições para que todas e todos acessem e permaneçam nas instituições de ensino, com liberdade para aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber.
Educadoras e educadores da Escola Viva
CARTA ABERTA DOS PROFESSORES À COMUNIDADE ESCOLA VIVA
- 28 05 2018 -
Nós, professoras e professores da Escola Viva, prezando pelo diálogo democrático, tanto dentro da sala de aula como fora dela, escrevemos esta carta endereçada a nossa comunidade, em especial, às famílias da Escola Viva, no sentido de alimentar conversas que surgiram a partir da necessária paralisação da última quarta-feira.
Como tem sido informado, nossa Convenção Coletiva de Trabalho foi se aprimorando desde a década de 90. Galgou conquistas fundamentais, regulamentando e garantindo direitos essenciais para a prática docente, necessários para que os alunos tenham uma formação educativa de qualidade. Desde o dia 28 de março de 2018, ela perdeu força de lei e os professores perderam esse amparo. As mudanças propostas pelo sindicato patronal (SIEEESP – Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo) e em muitos aspectos apoiadas pela ABEPAR (Associação Brasileira de Escola Particulares) representam um ataque à Educação Básica no Brasil. Permitem a terceirização de professores e contratos intermitentes, preveem o fim das férias coletivas e da garantia de estabilidade semestral, reduzem recesso e bolsas de estudos para filhos de professores, entre outras ofensivas que precarizam o nosso ofício. A ABEPAR, após a nossa paralisação da quarta-feira (23 de maio), colocou-se oficial e publicamente a favor apenas dos professores das escolas associadas, garantindo todos os direitos previstos na antiga Convenção Coletiva para o biênio março/2018 a fevereiro/2020. O SIEEESP, ainda que não tenha anunciado nenhuma garantia concreta, sinalizou possibilidade de reabertura de diálogo na audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo no dia seguinte à paralisação.
No entanto, temos no histórico recente com o SIEEESP o rompimento unilateral das negociações em duas audiências de conciliação. Houve, inclusive, a recusa desse sindicato em firmar acordo sobre os pontos em que já havia consenso. Em resumo, estamos sem amparo legal que garanta as condições de trabalho dos professores da rede privada de São Paulo. No dia 23 de maio, a paralisação reuniu professores de escolas de São Paulo, como Escola Viva, Santa Cruz, Vera Cruz, Equipe, Escola da Vila e Gracinha, entre muitas outras. Alunos e pais se fizeram presentes. Na assembleia realizada no SINPRO nesse dia, cerca de mil professores de 113 escolas particulares refletiram, debateram e deliberaram, definindo data para uma nova paralisação: 29 de maio, terça-feira.
Na noite seguinte, na Escola Viva, num encontro que reuniu profissionais de todos os segmentos, prosseguimos com os debates. Após esse encontro, os professores em assembleia aderiram à próxima paralisação.
É importante salientar que a Escola Viva, em comunicado enviado antecipadamente, garantiu a Convenção Coletiva de Trabalho até 2019. Essa garantia e a postura de diálogo com os gestores, assim como os encontros realizados até então, reafirmam o Projeto e o Propósito da Escola Viva, no sentido de não perdermos de vista que o modo como lidamos com essas questões tem influência direta na Educação de estudantes ativos, autônomos e críticos. Nossa luta determinará as condições de trabalho dos professores desta e das próximas gerações. Portanto não podemos deixar de nos posicionar publicamente em consonância com todos os professores. Acreditamos em uma comunidade escolar crítica, que se posicione para além de seus muros, que tenha um projeto de sociedade progressista, que valorize a alteridade, a diversidade e a Educação.
Aproveitamos para agradecer as mensagens de apoio e cartas abertas dos pais da Viva e de tantas outras escolas. Consideramos que o apoio das famílias é uma das contribuições mais valiosas. Tendo isso em vista e desejando manter um contato mais estreito com as famílias, convidamos toda a comunidade da Escola Viva a participar da nossa paralisação no dia 29/5, terça-feira.
Para esse dia de mobilização, organizamos um encontro na Praça Doutor Werther Maynard Krause, que fica próxima à escola (no cruzamento da Avenida Santo Amaro com a Avenida Cotovia), das 10h às 12h. Esse dia contará com comissão de esclarecimento, aula pública e atividades em que adultos, jovens e crianças são bem-vindos. De lá partiremos para a assembleia no Sindicato dos Professores às 14h. Contamos com a parceria das famílias e gestores, assim como estaremos à inteira disposição para esclarecimentos.
Professoras e Professores da Escola Viva
CARTA ABERTA DE MÃES E PAIS DA ESCOLA VIVA EM APOIO AOS PROFESSORES
- 28 05 2018 -
Aos professores da Escola Viva e das demais escolas particulares
Prezada comunidade escolar, em face dos últimos acontecimentos nós, pais e mães da Escola Viva, queremos manifestar nosso total apoio ao pleito que está sendo defendido pelo sindicato dos professores da rede particular.
Nós acreditamos que, assim como a família, os professores têm papel fundamental na tarefa de transformar nossas crianças em seres críticos que possam desenvolver nossa sociedade para melhor. Para nós, reconhecer a importância destes profissionais e assegurar direitos e condições básicas para que eles possam desempenhar sua função é condição obrigatória para garantirmos a construção de uma sociedade mais justa e consciente.
A Convenção Coletiva há 20 anos tem conferido estabilidade na relação de direitos e deveres entre escolas e profissionais. Reconhecemos o direito democrático de qualquer destas partes expressarem suas ideias, bem como sugerir novas propostas, mas o que temos acompanhado é que o diálogo com a escola está focado em garantir a Convenção apenas até 2019|20, o que certamente não nos traz nenhuma solução, uma vez que o cuidado e o zelo pela qualidade na educação de nossos filhos são a longuíssimo prazo.
No nosso entendimento, uma ação concreta da escola, que se posiciona como parceira do seu corpo docente, é fazer pressão no sindicato patronal, para que mantenham os direitos previstos na Convenção Coletiva, e não apenas postergar a decisão de acabar com a Convenção para o ano que vem.
Assim como os pais e mães de outras escolas como Equipe, Santa Cruz, Gracinha, Vera Cruz, Oswald de Andrade, São Domingos, entre outras, e até dos alunos da Viva, escreveram em sua carta de apoio, nós também acreditamos que a escola é um espaço de construção do mundo que queremos e a precarização das relações de trabalho destrói alicerces importantes neste sentido.
Por isso, entendendo a importância deste momento, nós não poderíamos deixar de nos posicionar contra a postura autoritária e obtusa do sindicato patronal nas negociações de 2018 e nossa discordância na deterioração das condições de trabalho dos professores.
Professores, reconhecemos e prestigiamos sua profissão!
Contem com nosso apoio para a preservação das atuais relações de trabalho.
CARTA DOS ALUNOS do 9º ANO DA ESCOLA VIVA
- 03 04 2018 -
Formatura 🎓 #escolaVIVA 07/12/2017
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