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City Of Angels. ♥♥
Escrevinhado,escrevido,escrevinhando,tem todo o jeito de falar o verbo escrever de uma forma errada e engraçada,antes mesmo que um puema seje de forma bem exata ao leitor,eu não escrevo errado,só estou brincando um pouco com as palavras,para ter um tom cômico e divertido.Brincar com as palavras não é crime,crime é usar no termo pejorativo.
Palavras erradas e engraçadas-
Foi uma noite de amigos, barrigas e política. Foi uma noite de emoção, humor e improvisos. E som, claro, muito som, na estreia de “Gambito Budapeste”, álbum com canções do casal Marcelo Callado e Nina Becker. O show foi no Sérgio Porto, espaço público que abriga não só shows, como peças de teatro e exposições de arte. O agora candidato Leo Feijó estava na porta, antes de o evento começar, afirmando que a casa é o modelo de espaço cultural que ele vai brigar na Câmara dos Vereadores do Rio para ter em todos os bairros da cidade. Mas como isso aqui não é crônica eleitoral, voltemos ao show.
Esqueci de comentar, nas linhas iniciais, que também rolava uma certa tensão. Talvez por ser a primeira experiência como frontman de Callado. Afeito às baquetas (chegou a falar, em tom de brincadeira, para o baterista Thomas Harres devolver “o meu cercadinho”), ele estava ali dividindo os vocais com Nina, a poucos meses de ter Cora, como revela o barrigão, e empunhando um violão tal qual um Bob Dylan tupiniquim. O pé, que insistia em marcar o ritmo, parecia sentir falta do pedal do bumbo; os dedos da mão esquerda por vezes o enganou durante a apresentação. Marcelo, no entanto, levou os erros com bom humor: “malditos acordes”.
Pouco antes de a banda se reunir para dar início à apresentação, com “Cadê você”, Camila Pitanga ocupou uma cadeira na fila mais alta da arquibancada. Ela, Jonas Sá, Letícia Novaes e Lucas Vasconcellos (o casal Letuce), Mariano Marovatto e Alice San’tanna (mais um casal), além de muitos outros amigos e amigas, algumas delas grávidas, viram quando a voz de Nina parecia querer dizer que não ia sair logo na primeira canção. Ela pediu desculpas, estava emocionada, os risos nervosos impediam a concentração. Suspense, mistério? Nada. O maridão chegou para socorrê-la com a primeira de suas inúmeras tiradas: “o problema é se acontecer isso em todas as músicas.” Pressão… e risadas.
Não aconteceu. O que se viu foi uma celebração do amor, da amizade, da vida a dois, dos futuros e recentes papais e mamães, dos filhos aguardados, do aniversário de Nina. Teve até bolo. Passou um pouco batido, logo ela pegou o microfone e revelou que cantariam uma canção da dupla Jorge Mautner e Nelson Jacobina, uma homenagem a este último, morto recentemente, que acompanhou por anos a Orquestra Imperial, em que a moça também vocaliza. Foi pouco mais de uma hora. Mas a elasticidade do tempo foi provada empiricamente. Alguns dos sentimentos mais profundos e belos da alma ali se manifestaram. Uma comunhão. Cumplicidade compartilhada generosamente entre público e banda.
Marcelo e Nina abriram a porta de casa aos amigos sem nenhum pudor, “é uma casa muito boa, a minha vizinha é minha mãe e, em baixo, mora uma velha surda”. Bendita surdez, que permitiu a “Gambito Budapeste” ser concebido, gestado e parido em um ambiente propício, que culminou com o batismo no Sérgio Porto. Me senti em um filme de Robert Altman, em meio a todos aqueles microeventos dentro de algo maior. Vai ver era apenas o dia fora do tempo se manifestando. Está no calendário Maia.